FregaBlog

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Etanol

O Brasil e os Estados Unidos, em conjunto, respondem por cerca de 90% da produção mundial de etanol. A diferença está na competitividade, resultante da matéria-prima utilizada. Enquanto os Estados Unidos utilizam o milho, de custo elevado, o Brasil dispõe da cana-de-açúcar, o que torna seu produto competitivo com o petróleo até o nível de 25/30 dólares o barril.
Ou seja, as condições são ótimas e privilegiadas, pois não há perspectiva do petróleo nivelar-se a menos de U$ 50 o barril, no melhor cenário.
Bush subsidia o etanol americano; o Brasil não. Bush precisa reduzir sua dependência do petróleo dos aiatolás, mujdins e bolivarianos (?). O Brasil precisa conquistar mais mercados para seu etanol e metanol, promovendo a quebra das barreiras tarifárias americanas.
Nessa conjuntura, o Brasil reúne as melhores condições para negociar um bom acordo na visita próxima de Bush.
Chavez irá espernear. Um acordo brasileiro, em seu pretenso quintal energético, tirará seu sono. O principal comprador do petróleo venezuelano é justamente o reino de George Bush. Chavez tentará melar o acordo, sem dúvida. Nem que seja fomentando a ambição paraguaia de aumentar o preço da energia de Itaipu ou a Evo, quanto ao gás boliviano.
Mas o Brasil, se tiver juízo, não deverá deixar passar em branco essa oportunidade. Ela representa a inserção definitiva brasileira no mercado mundial do biocombustível.
Além do que, nossos vizinhos são definitivos, mas não confiáveis.
Infelizmente.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Operação Uruguai

Lula tem hoje uma oportunidade ímpar de exercer o papel de liderança brasileira na América do Sul. O Uruguai tem sido maltratado nas relações com o Mercosul. Tem sido considerado um sócio minoritário do bloco. É verdade que o poder nacional uruguaio é similar ao do Estado do Rio Grande do Sul. Mas a posição subalterna é insustentável.
O Uruguai é muito importante para o Brasil, tão importante quanto a recíproca. Ou o Brasil adota políticas de parceria com o Uruguai, de forma a aliarem-se nas mesas do Mercosul, ou o entregará de bandeja à influência americana.
O Brasil tem necessidade de aliados, frente a uma progressiva hostilidade de seus vizinhos. No eixo oeste, Chavez tenta consolidar sua liderança pessoal bolivariana (?). Ao sul, a Argentina é antes muito mais competidora do que aliada. O Uruguai pode ser um tampão, o fiel da balança no bloco, agindo conjuntamente com o Brasil.
E o Brasil tem se omitido. Por medo das chantagens argentinas. Por medo da vulnerabilidade fomentada por Chavez. Por miopia política.
O Uruguai não tem muito a oferecer no campo econômico, é verdade. Mas no político, tem muito.
A mediação conduzida por Juan Carlos na disputa uruguaio-argentina é um tapa de luva na América Latina. É a mediação da metrópole em suas eternas colônias. Por que o Brasil não agiu no momento oportuno? Por receio das chantagens portenhas.
Acontece que quem pretende uma posição de destaque nas relações internacionais, sonhando até com vaga permanente do CS da ONU, tem que ter a disposição de correr riscos.
Risco muito maior está correndo com o progressivo isolamento por seus vizinhos.
Tomara que Lula esteja bem assessorado e tenha competência para reverter o jogo. Se não, o Uruguai passará à área de influência direta americana e o Brasil perderá um aliado.

Improbidade?

O STF deverá apreciar nesta semana a aplicabilidade aos políticos da lei sobre a improbidade administrativa.
Ao que parece, o assunto foi questionado por ex-ministro de FHC, em razão de sua condenação pela utilização de avião da FAB para uso particular (viagem de férias a Fernando de Noronha). Pelo mau uso dos meios do Estado, transformando a FAB em sua empresa particular de táxi aéreo, foi condenado a ressarcir os custos, estimados em R$ 20 mil.
Não gostou. Questionou a aplicabilidade da lei no STF, dado que, na ocasião, era ministro.
Se aberto o precedente, ou seja, se o STF considerar a válida a inaplicabilidade, mais de 10 mil processos serão comprometidos, neles incluído o de figuras carimbadas da república e atingindo, quiçá, os níveis menores da Federação, como Estados e Municípios.
É bom ficarmos atentos à decisão. Como não conheço a lei em detalhes, talvez a inaplicabilidade seja até legal.
Aí, mais uma vez, veremos a discrepância entre o legal e o moral, na absurda legislação brasileira.

domingo, fevereiro 25, 2007

Fiat Lux

Finalmente, acabou o horário de verão. Ufa!
Eu juro que até agora não entendi que maldita economia os especialistas calculam que traz. Um deles afimou, em reportagem na televisão, que a economia foi de 4%.
Os dias no verão são mais longos, pelo menos em grande parte do país. Só isso, naturalmente, traria economia, independente da sabedoria da Aneel, outra das malditas agências (des)reguladoras. Não consigo imaginar o parâmetro para calcular essa economia. Só garanto que na minha conta de luz não foi.
Disse ainda o especialista que a tal economia preservou o nível dos reservatórios. Ora, pipocas. Os vertedouros foram abertos porque o nível das represas estava acima dos limites. Deixar a água fluir pelo ladrão (não estou falando de alguns políticos) ou fazê-la passar pelas turbinas não seria a mesma coisa?
No horário de verão, temos que acender a luz pela manhã e à noite. No horário solar, somente à noite. As indústrias, escritórios, lojas etc não reduzem o expediente. Ou seja, continuam consumindo a mesma energia.
Acho que essa é uma das grandes mentiras que, repetidas à exaustão, viram verdade.
Estou muito desconfiado que isso é coisa do Carlinhos. (V neste blog 03/12/2006)

sábado, fevereiro 24, 2007

Prá Inglês Ver

Tony Blair declarou que iniciará, ainda neste ano, a retirada dos britânicos do Iraque. E podem estar certos que essa retirada será mais rápida do que dizem.
A razão é simples. os ingleses não são bobos. Pais da pirataria e experientes em colher o máximo de bônus com o mínimo de ônus, têm nariz especializado para sentir cheiro de podre no ar.
Ninguém precisa ser expert para ver que a guerra do Iraque está fazendo água e sangue, e que passará à história como uma das ações político-militares mais desastrosas da humanidade. Talvez, daqui a 2 mil anos, não exista mais a expressão erro crasso, mas sim erro bush. Por motivos semelhantes. Até na geografia.
Mas tem um outro componente. Blair está convencido que a ala fundamentalista do governo Bush está pressionando para estender a guerra ao Irã. E aí, o buraco é mais em baixo.
Acontece que o Irã não é o Iraque de Hussein. O Irã tem armas, sim. Tem exército, sim. Tem tecnologia, sim. E talvez tenha até artefatos nucleares.
E tem um histórico milenar de combates, além de motivação presente para combater.
Se iniciado o conflito, pela primeira vez em sua história, os americanos serão forçados a combater em seu próprio território, nem que seja contra ações terroristas.
Os ingleses, criadores das seguradoras e dos seguros, sabem avaliar riscos e ganhar dinheiro com eles. E sabem, também, quando tirar o time de campo.
É quando o risco não compensa.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Greve Penal

Presidiários em São Paulo declararam-se em greve. Recusam-se a sair das celas, tomar banho de sol, executar suas atividades diárias. Palavras de ordem: Fim da Opressão.
Fantástico. Surrealista.
A greve, em princípio, é um movimento de trabalhadores. Exceção, claro, de algumas categorias de funcionários públicos, que fazem greve mas não trabalham. Talvez sejam eles os inspiradores - não mentores, inspiradores somente - dessa nova classe de greve.
Fico sem entender. Esses bandidos estão na cadeia impedidos de execerem seu trabalho, que se resume a assaltar, matar, estuprar, aplicar golpes, incendiar ônibus, traficar drogas.
Claro que, vez por outra, exercem essas atividades na cadeia mesmo. Afinal, o ócio permanente enfada.
Se estão impedidos pela reclusão de exercer suas atividades, que greve é essa? Já não estão trabalhando mesmo.
Bem, o criminoso Andinho, bandido conhecido e acusado de co-autoria do assassinato do prefeito de Campinas, recusa-se a comparecer a seu julgamento, em razão da greve. Ah! Tá explicado.
Qualquer cidadão, se convocado a comparecer a uma delegacia de polícia e se recusa, a ela é conduzido sob vara, na expressão jurídica. O Andinho não.

-Tô di grevi, autoridade. Tenhos meus direitos constitucional. I não se atrevam a botar as mão em mim, tá ligado?
- Sim, senhor recuperando, responde a autoridade. Esteja tranqüilo em sua cela enquanto perdurar a greve. Seus direitos estão assegurados, bem como suas três refeições diárias. É uma obrigação da sociedade, que não zelou para que VExa não enveredasse pelos caminhos do crime.

E o julgamento do Andinho está adiado até o fim da greve.

ET: O Andinho, apesar da greve branca, foi condenado a 5 anos e 5 meses de prisão por tentativa de homicídio contra dois policiais. O julgamento, portanto, não foi adiado e a Justiça de Campinas, pelo visto, agiu com firmeza. Parabéns ao Juiz.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Palavra de Honra

Recebi e repasso, com uma pergunta. De quantos políticos aceitaríamos uma "palavra de honra"?
É, parece que, ou não são bem escolhidos, ou o sistema de escolha é errado.

"PALAVRA DE HONRA

Ahhh, há quanto tempo não vejo e ouço alguém que, olhando nos meus olhos diga : Tens minha Palavra de Honra!

A Palavra de Honra é bela apenas por existir!
Palavra de Honra fala de gente íntegra, de gente que diz e cumpre o que diz, custe o que custar.
A Palavra de Honra substitui a burocracia, pois é Ela que têm maior credibilidade.

A Palavra é o Verbo, e o Verbo é Deus!
A Honra vem da Família, do Pai e da Mãe. Vem dos Avós, dos Tataravós...

Palavra de Honra tem Dignidade!

A Honra de poder dar a Palavra não é para qualquer um.

Para se dar a Palavra de Honra têm-se que ter uma História de Vida, têm-se que ter plantado Valores. Não só um mas muitos Valores!
E estes Valores não serão validados pelos que nos rodeiam caso não possuam suporte material, mental e espiritual.
Muito menos por aqueles que "não" nos rodeiam!

Palavra e Honra, a mais bela combinação para se falar de Dignidade, Honestidade, Comprometimento, Juramento, Disciplina, Ordem e
Respeito ao próximo. E só assim se poderá vencer o mundo da Democracia. Ninguém terá Liberdade enquanto não respeitar o espaço do outro.
Para que possamos gozar dos nossos Direitos, precisamos cumprir nossos Deveres. É assim que funciona uma sociedade que se dá o Respeito!

Palavra de Honra,
quanta saúde e beleza contém a junção destas duas palavras mágicas!

Pois eu encontrei a Esperança e venho me cercando há anos de pessoas que acreditam na Palavra de Honra.
Façam isso, procurem por pessoas que levem a Vida a sério, não se deixem enganar por falsos moralistas!
EU ACREDITO NO "BEM", E QUE ESTE VENCERÁ O MAL...
Palavra de Honra!

Ana Prudente
22/02/07
"

Chapéu dos Outros

O instituto jurídico no Brasil é pródigo em permitir ao Estado cumprimentar com o chapéu dos outros. É a demagogia e o populismo inseridos no direito positivo.
O Min. Gilmar Mendes, do STF, cassou a liminar que desobrigava as empresas de transporte rodoviário interestadual de conceder passagens gratuitas a idosos.
A ação, promovida pela ANTT (mais uma das malditas agências (des) reguladoras) alegou que a liminar beneficiava os interesses econômicos das empresas, em detrimento dos interesses dos idosos carentes do País. Com isso, feria os valores de solidariedade, dignidade da pessoa humana e o princípio de amparo às pessoas idosas garantidos na Constituição.
O Ministro foi ainda mais longe. Considerou que a liminar causava grave lesão à ordem pública.
Não discuto o mérito da concessão das passagens, embora seja contra. O Estado brasileiro antes cumprisse os preceitos constitucionais de assegurar o acesso à uma saúde pública decente aos idosos.
O que discuto é a forma. Se o Estado brasileiro quisesse determinar a concessão de passagens, que alocasse recusos do orçamento geral da União para esse fim e não o fizesse a título de expoliação.
Pensem. Quem paga a conta? Claro que são os usuários do serviço, cujas passagens são majoradas para cobrir o benefício. Se a sociedade deseja que se dê passagens gratuitas que permitam os idosos borboletearem Brasil a fora, que cubra isso com seus impostos e não com a sobretaxa a quem usa e paga pelo serviço.
Como exemplo. Se o Ministério da Saúde precisa adquirir uma ambulância (esquecendo os sanguessugas) , fará uma licitação e não um mero confisco na montadora, nem a obrigará a dedicar uma quota de sua produção a ser cedida gratuitamente.
O demagogo Congresso Nacional, a mais das vezes ávido em parecer bonzinho para esconder falcatruas, pura e simplesmente faz leis que institucionalizam o confisco.
Aí pergunto: por que o transporte aéreo, ferroviário e hidroviário também não causam uma grave lesão à ordem pública? Simplesmente porque o aumento nas passagens aéreas atingiria a classe média e alta, a nobreza republicana, talvez o bolso do próprio Ministro; o transporte ferroviário recebeu a pá de cal e não existe mais; e o hidroviário, bem, esse está muito longe e só é utilizado pelos ribeirinhos amazônidas. Não dá Ibope.
Nada contra os velhinhos. Mas sim às autoridades que distribuem o que não é do Estado.
Com o amparo da Lei.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O Martírio de Qassim

Os combates na véspera haviam atingido o casebre de Mahmud (nome fictício), avariando a porta da casa. Mahmud não saíra naquele dia, ficara em casa para tentar refazê-la, pois a insegurança reinante poderia atingir sua sua mulher e as duas filhas. A mais velha, Abeer Qassim Al Janabi, mocinha com 14 anos, pele de pêssego e cabelos negros luzidios, já ensaiava o uso da burka. Estava na hora de providenciar seu casamento. Tinha que se lembrar disso amanhã, pensou.
Sorte sua é que havia uma guarnição americana quase em frente, para sua defesa. Mas não podia vacilar.
Enquanto tentava arrumar um pedaço de madeira, pregos e parafusos no meio do caos para fabricar uma tranca, não estranhou a entrada de três americanos em sua casa. Eram aliados, talvez querendo um café ou um copo d'água. Recepcionou-os com um sorriso.
Que rapidamente desapareceu , num misto de angústia e surpresa, quando foi ameaçado e empurrado com sua família, aos gritos, para um cômodo. Com sua família, menos com Qassim, que foi puxada pelos cabelos antes de fecharem a porta. Num relance, lembrou-se um deles de sua pequena filha, morena de cabelos negros como ela, no amparo e resguardo lá nos Estados Unidos. Mas foi só um relance.
Mahmud começou a esmurrar a porta, tentando abrí-la, ao escutar o choro e os gritos de socorro de Qassim. Felizmente não conseguiu. Foi poupado de ver o indescritível.
Qassim estendida no chão, cabelos segurados por um soldado, os braços por outro. O terceiro rasgava-lhe a roupa e forçava-a a abrir as pernas. Qassim, com o corpo retesado, teve seu choro abafado por duas ou três bofetadas. O sangue correu de seu rosto. E tingiu suas coxas, seus trapos, sua alma.
O desespero no quarto aumentou. Gritaria da revolta abafando os lamentos chorados de Qassim, sussurrados em versos do Alcorão. Os mesmos que havia lido naquela manhã.
O soldado soltou-lhe os cabelos, engatilhou sua pisola, deu um ponta-pé na porta do quarto e atirou. Poucos tiros tiraram a vida de Mahmud, de sua mulher e de sua caçulinha, com três anos. Poucos tiros, três ou quatro, redobraram o choro contido de Qassim, vaso dos dejetos do primeiro soldado e agora servindo ao segundo. A dor física já não sentia. Ferro em brasa em suas entranhas era menor que a dor moral.
Do segundo, saciado e erguendo as calças, deitou-se o terceiro. Agora já sem qualquer esboço de reação, anestesiada pelo pavor.
- Livrei-me dos outros - disse o soldado antes de deitar-se sobre Qassim, sob o cúmplice riso satisfeito dos comparsas.
Quando terminou, Qassim havia desmaiado. Alá, em sua benevolência, tirou-lhe os sentidos.
Um estampido levou-a ao paraíso.
Os soldados derramaram gasolina sobre seu inerte e ensanguentado corpo adolescente. Afinal, o que é um incêncio a mais em Bagdá?
A tocha resultante levaria as provas e as chamas crepitaram, queimando a casa, os corpos e os vestígios. Os anelos de fumaça misturaram-se ao espírito de Qassim. Acolhidos por Alá.
Esta é a honra americana que Dick Cheney, Vice-Presidente dos Estados Unidos, diz defender.

ET: Os soldados protagonistas foram o Sgt Paul Cortez e os soldados James Barker e Steven Green. O fato é verídico e os criminosos estão sendo submetidos à Corte Marcial. Que, certamente, não terá poderes para devolver a juventude colhida pela maldade humana.
Nem pela guerra imbecil de Bush.

Sucessores de Tibério II

"Sabemos que, se deixarmos o Iraque antes da missão estar completa, o inimigo virá atrás de nós. E quero que saibam que o povo norte-americano não vai apoiar uma política de recuo."
(Dick Cheney, ontem, em discurso no porta-aviões norte-americano Kitty Hawk)

Esta frase reflete claramente o desespero que toma conta das hordas americanas comandadas por Bush. Ainda acrescentou que a retirada americana do Iraque só pode ser feita com honra.
Interessante, honra é um conceito que não faz parte do governo Bush. O que é honra para esses senhores?
A morte contínua de jovens americanos? O ignorar as resoluções da ONU? O iniciar uma guerra sem causa? O invadir países? O derrubar governantes? O massacrar populações nativas?
Desde quando essas personalidades tiveram honra?
Será que foi na distribuição dos bilhões de dólares a empresas amigas para a dita "reconstrução" do Iraque? Nesse caso, a honra é a mesma das quadrilhas criminosas.
Então, será que se referem à atuação de seu serviço secreto, como denunciado recentemente na Itália? Será a mesma honra bucaneira?
Os mafiosos têm mais honra.
Os Estados Unidos não são mais a potência unipolar, status que adquiriram no pós guerra-fria. Porém, a arrogância deles tolda-lhes a visão.
Ainda são a maior potência mundial. Mas a diferença diminui a cada instante. E quanto mais tempo passar até que percebam isso, mais tempo viveremos submetidos a conflitos idiotas, que ameaçam a paz.
Ignoram a crescente repulsa mundial, que infelizmente confunde a atitude arrogante dos americanos com os valores básicos que construiram aquela grande nação. Pena, porque valores como a liberdade, privacidade e respeito à cidadania, tripé básico constituinte da federação americana, deveriam ser preservados e adotados pelos outros povos. Mas os Estados Unidos praticam a pior forma de propagá-los: a incoerência.
Pela sua miopia, esses valores só valem para eles.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Amazônia

Transcrevo matéria publicada no Alerta Científico e Ambiental (ano 14, nº 3/4, 19/jan e 1º fev 2007 ).
Trata-se de uma matéria competente, com conteúdo. E o que mais chama a atenção é a existência de áreas na amazônia com acesso vedado a brasileiros. Sob o olhar complacente das autoridades, várias ONG fajutas, tendo como braço operacional elementos dentro de órgãos como a FUNAI e o IBAMA, agem com liberdade.
Merece reflexão. Meio-ambiente é o meio da gente.

"Máfia Verde" exposta no JB
Rio, 31/jan/07 - Em uma marcante série de reportagens publicadas nas edições de 28, 29, 30 e 31 de janeiro, o Jornal do Brasil promoveu uma das mais relevantes exposições públicas já feitas pela imprensa brasileira sobre a atuação do aparato ambientalista-indigenista no País. Com direito a um caderno especial na edição do domingo 28 ("Amazônia em perigo - A ocupação silenciosa"), a reportagem pinta em cores fortes a ameaça representada por esse aparelho de guerra irregular, que a equipe editorial deste Alerta tem se empenhado em denunciar há mais de uma década.De fato, uma leitura isenta das reportagens revela uma grande identidade com nossas análises e denúncias, evidenciando uma conscientização de certos setores empresariais, políticos e, até mesmo, do governo, sobre a natureza da ofensiva ambientalista-indigenista internacional que, juntamente com a submissão preferencial ao rentismo financeiro, tem sido um dos principais obstáculos para a retomada do pleno desenvolvimento pelo País. Certamente a decisão do jornal de publicar a série de reportagens (reproduzida na Gazeta Mercantil) reflete tal conscientização, ainda mais quando empreendimentos obras cruciais para o sucesso do recém-lançado Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC), como o Complexo do Rio Madeira e a hidrelétrica de Belo Monte, se localizam na Amazônia e estão sob fogo cerrado do aparato ambientalista-indigenista internacional. A chamada na primeira página sobre a série de reportagens não deixa dúvidas sobre seu conteúdo: "Os invasores da Amazônia agem com discrição de monge. Avessos a barulhos, usam como armas as alianças com ONGs. Liderada pelos EUA, a frente de ocupação abrange nações européias e sul-americanas. A presença estrangeira assumiu dimensões alarmantes, adverte um relatório confidencial produzido por serviços de inteligência do governo federal".A investigação se baseia nos relatórios de 2005 e 2006 do Grupo de Trabalho da Amazônia (GTAM), que reúne especialistas em assuntos amazônicos dos serviços de inteligência das Forças Armadas e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Um dos seus coordenadores é o coronel Gelio Fregapani, da ABIN, que foi um dos muitos entrevistados pela equipe do JB. "Obtido com exclusividade pelo Jornal do Brasil, o mais recente estudo do GTAM concentra-se em nove questões que os especialistas consideram especialmente relevantes. Condena a demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, radiografa a questão ambiental, denuncia a ação do crime organizado e trata dos conflitos fundiários. O tom, sempre incisivo, torna-se áspero no capítulo dedicado à ação do governo. Ou omissão: a máquina do Estado ainda não chegou lá", afirma o texto assinado pelo editor-chefe Augusto Nunes. Outro trecho é categórico:
As organizações não-governamentais, algumas controladas por governos estrangeiros, adquiriram tal influência nas áreas indígenas que hoje substituem, na prática, o Estado brasileiro", garante o GTAM. São zonas de exclusão, tão distantes dos controles federais quanto os morros do Rio expropriados por narcotraficantes. As complicações se agravam nas reservas que traçam a linha de fronteira. É o caso do Parque Ianomâmi, encostado na Venezuela.
Na terça-feira 30, o texto dos jornalistas Clara Cavour, Fernando Exman e Karla Correia enfatiza a liberdade com que as ONGs do aparato atuam no território nacional:
Absoluto descontrole oficial sobre a atuação das ONGs, ausência do governo nas comunidades mais carentes da Região Norte, legislação pouco adequada, mais conivência do governo e da comunidade acadêmica brasileira com interesses externos têm feito da Amazônia o celeiro de uma riqueza monumental, que beneficia uma massa de estrangeiros que circula com desenvoltura na floresta. A biopirataria na região é a base de um mercado que movimenta US$ 100 milhões por ano, nas indústrias química, farmacêutica e cosméticos, segundo estimativa do Ministério do Meio Ambiente. E o Brasil não vê nem um centavo desses recursos.
O secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Rogêrio Magalhães, admite ao jornal: "Existem espaços na Amazônia em que brasileiro não entra, tem o acesso impedido." Como exemplo, citou uma área em que o Instituto Smithsoniano de Washington atuava em convênio com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), fechada em 2001 pela organização estadunidense: "Ninguém sabia o que era pesquisado lá. Era como se fosse um território norte-americano fincado em plena Amazônia. Em um espaço desses, qualquer espécie pode ser analisada sem autorização do governo."Também entrevistado, o jornalista Lorenzo Carrasco, membro do conselho editorial do Alerta e coordenador editorial do livro Máfia Verde: o ambientalismo a serviço do Governo Mundial, reforça a denúncia: "Esses são instrumentos para frear o governo brasileiro. Greenpeace, WWF, Amigos da Terra, Survival International, entre outras, fazem parte de uma estrutura hierárquica de interesses econômicos no eixo Estados Unidos-Europa. Essas ONGs atrasam o desenvolvimento de atividades legítimas do Brasil. Há áreas na Amazônia onde as ONGs têm mais poder que o governo. É um novo colonialismo."Contactados pela equipe do JB, os órgãos governamentais responsáveis pelos setores onde atua esse aparato internacional se esquivaram. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) "reconhece sua obrigação de impedir a prática de irregularidades em territórios indígenas, mas alega que nada pode fazer para impedir que ONGs estrangeiras entrem nas reservas". Por sua vez, "o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) também não deu muitas informações sobre sua atuação na região. Informou apenas que algumas empresas estrangeiras foram autuadas por exercício ilegal de extrativismo mineral ou vegetal. Não revelou detalhes porque os processos ainda tramitam 'dentro do prazo de ampla defesa respeitando os direitos dos autuados'".Por sua relevância, reproduzimos, ao final desta edição, a íntegra da série de reportagens.

domingo, fevereiro 18, 2007

Super Bolivar

Lá vem o Chavez, Chavez, Chavez...
A partir de jan/08, entrará em vigor o decreto de Chavez cortando três zeros do bolivar, moeda nacional. Fica criado, assim, o superbolivar.
Esse caminho nós conhecemos. Com uma inflação próxima a 20% aa, um déficit crescente, ações populistas e ambições continentais, Chavez está percorrendo a falácia do controle psicológico da inflação ao invés dos difíceis caminhos da austeridade fiscal.
Quer dar a impressão de moeda forte, enquanto ela mais e mais se enfraquece.
O que temos com isso? Nada e tudo.
Nada no que se refira à Venezuela. Tudo no que se relaciona ao Mercosul.
Medidas dessa jaez tornam cada vez mais distante a possibilidade de uma integração econômica do bloco. A tentativa de derivá-lo para um bloco político é fadada ao fracasso por sua própria natureza.
Para justificar suas mazelas, o Brasil se torna a bola da vez. Um bom exemplo é Itaipu.
Construída com recursos brasileiros, ao Paraguai foi concedida uma pensão perpétua, com nosso compromisso de compra da energia não utilizada por eles.
O que se vê agora, sob inspiração chavista: os candidatos à presidência paraguaia já falam em majorar o preço da energia fornecida ao imperialista Brasil, explorador dos fracos e oprimidos.
Não nos iludamos, atrás dessa manobra está o comando político da América do Sul (leia-se Chavez) e do hermano do sul, que certamente estará disposto a fazer uma oferta por essa energia gerada em valor superior ao hoje praticado, com o fim específico de causar o desequilíbrio brasileiro. Assim o professor Girafales fez com relação ao gás boliviano.
Chocando o ovo da serpente, o Brasil está criando a maior corrente antagônica de sua história, desde a colonização espanhola. Está ficando ilhado entre potenciais inimigos e o mar.
Enquanto isso, continuamos tratando-os como amigos. Saídas para o mar e escoamento por portos brasileiros, por exemplo, já são consideradas como uma obrigação, não como um favor.
Recentemente, além do perdão de U$20 milhões à Bolívia, estamos engrossando seus cofres em perto de US$ 100 milhões anuais. Continuamos aceitando chantagens argentinas e deixamos escapulir pelos dedos a oportunidade de manifestar apoio ao Uruguai em assunto interno seu mas contrário ao interesse portenho.
Se é para sermos considerados imperialistas, então o sejamos realmente.
Para que ficarmos somente com os ônus?

sábado, fevereiro 17, 2007

Lulices

Lula, quando não se sente ameaçado, fica impossível. Começa a falar bobagem em seus improvisos. Como diz Gabeira, a única forma de não se ficar com raiva dele nesses momentos é não levá-lo a sério.
Ontem aprontou mais uma. Defendendo a manutenção da maioridade penal vigente - até aí direito dele - afirmou que "daqui a pouco, essa gente vai querer penalizar até os fetos".
A afirmação é de uma imbecilidade antológica e, como ele garante que não faz discurso etilizado, não pode ser levado a sério.
Em primeiro lugar, não se tem notícia que algum feto tenha abandonado o útero materno para cometer um latrocínio e retornado ao abrigo natural. Sequer masurpiais o são, os humanos.
Depois, esquece-se que, no atual sistema, os fetos são penalizados, sim. Não são poucas as mulheres grávidas assaltadas, estupradas e mortas por menores criminosos. Não são poucos os fetos que, ao nascerem, são órfãos porque seu pai foi morto, assaltado por menores criminosos. E que passarão fome e não terão assistência do Estado, diferentemente dos menores criminosos que têm casa, comida, lazer, assistência psicológica e, nas horas vagas, a diversão de promover quebra-quebras e rebeliões ocasionais.
Os menores criminosos são utilizados por quadrilhas de maiores criminosos para estenderem a si a impunidade legal. Deixando o serviço sujo para os menores, livram-se de penas mais severas. Esses menores, um dia, serão maiores e utilizarão o mesmo artifício. É um círculo vicioso sem fim.
Cadeia não foi feita para recuperar ninguém. Qualquer código penal foi feito para dar medo, para desestimular o crime pelo medo da conseqüência.
Código Penal não foi feito para amedrontar o cidadão de bem. Foi para protegê-lo.
Sabe o leitor que se matar um assaltante em sua casa será processado por homicidio? Sabe que se, porventura, o assaltante virar-se no exato momento e a bala atingir-lhe as costas, não poderá alegar sequer legítima defesa? Da mesma forma, se o tiro atingir-lhe a cabeça?
Tudo isso é uma grande palhaçada e, no final, todos merecemos exatamente isso que está acontecendo.
A indignação popular restringe-se a camisetas brancas com pombinhas, passeatas hipócritas pedindo paz e missas de sétimo dia recheadas de políticos a cada crime que comova a população. E só. Se fizerem uma enquete, verão que a população é contrária à pena de morte, a trabalhos forçados etc, e que acredita que a culpa é das cadeias porque não reabilitam esses bandidos. Pelo menos é o que a elite pensante diz e as televisões divulgam, como verdade absoluta.
Banalizou-se a violência. Não mais choca a todos nós. Faz parte de nosso dia-a-dia. Se acabasse, talvez até sentíssemos falta dela.
- No meu tempo - contaria o avô aos netos - é que era bom. A gente saía sem saber se voltaria vivo. Adrenalina pura, não essa chatice de hoje em dia.
Com tudo isso, é bom aceitarmos logo que o crime compensa! E pararmos de dizer da boca pra fora, de ensinar para nossos filhos, o contrário.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Programa de Índio

- "Ráu", disse ele levantando a mão direita na porta dos fundos da tenda do cacique.
- "Ráu", respondeu o barbudo, ainda ofegante por ter descido correndo a escada, depois de um olhar de soslaio ao pajé. "Mania desse cara em não achar a entrada", pensou.
Em verdade, o cacique barbudo já tinha sido alertado pela FUNAI (fucking north-american indians) sobre a formalidade do cumprimento, dado que os filmes de John Wayne faziam enorme sucesso na tribo, uma inveja subdesenvolvida. Tinha até um menino que se chamava Big Little Horn.
O caminho até o reservado da tenda foi percorrido em silêncio. Sentaram-se no tapete adredemente preparado.
- "Garçom, traz uma Coca-Cola pra gente", pediu amistosamente o barbudo.
- "Quer me gozar? Cola pra quê? Não vou ficar colado aqui. Pra mim, sem cola!", precaviu-se o convidado.
O garçom comunicou o pedido ao pajé que, após contatos telefônicos por tambor com o Marcola e membros da polícia carioca, despachou uma diligência a jato para pegar o inusitado pedido. A bem da verdade, não chegou a tempo. O transporte foi assaltado em Duque de Caxias ou ficou preso no congestionamento em Congonhas, não se sabe.
O barbudo tentou novamente ser gentil.
"Aqui um apito especialmente fabricado para presentear seu povo. Esse apito é melhor do que gás, não desmancha no ar. Não dá para guardar gás na tenda, você sabe, porque ou ele vai embora ou asfixia a gente. O apito não. Fica quietinho lá todo tempo".
O visitante bem sabia, depois que passou uma noite numa tenda sem ventilação, tendo jantado pamonha. A tenda quase virou um dirigível.
- "Eu não quero esse apito. O Seu Madruga me apresentou um amigo que recomendou não aceitar seu apito. Vocês precisam do nosso gás. Sua tribo não sabe cozinhar sem ele. Eu quero um apito igualzinho ao que o professor Girafales, no sul, me dá. E o professor é tão bonzinho... mandou sua diligência me dar carona até aqui".
Duas horas depois, cheias de passes, repasses e impasses, o acordo foi firmado.
Além do apito, o barbudo daria um espelhinho que um cara-pálida tinha lá em Cuiabá.
"Agora sim, além do apito vou poder admirar minha beleza e meu penteado chanel. Negócio fechado."
"Garçom, traz o cachimbo da paz."
Dizem que o cacique barbudo só perdeu a paciência quando o visitante reclamou que o cachimbo não era de crack, uma evidente perseguição à sua produção nacional.
E pediu ao pajé que descobrisse o telefone do Gen Custer.

Cruzado Bolivariano

O bolivariano (?) Chavez está estudando se os poderes extraordinários, outorgados por um congresso controlado por ele, dão-lhe capacidade jurídica para revogar a Lei da Oferta e da Procura.
Não que seja burro, muito pelo contrário, embora suas estrelas de tenente-coronel não lhe tenham fornecido as luzes necessárias para entender que aumento de preços e escassez de produtos podem ser faces diferentes da mesma moeda: inflação.
Na inflação capitalista, os preços aumentam, não necessariamente por redução da oferta, pelo aumento de custos ou de demanda. Aumentam preventivamente, nominalmente.
Sendo a moeda um parâmetro de trocas, um mínimo múltiplo comum, não há alteração do valor real dos bens e sim do nominal.
Já na inflação socialista estatizada, os preços são tabelados. A inflação, nesse caso, é sentida pela escassez do produto, já que seu valor nominal permanece inalterado.
Emitir moeda falsa é a maior tentação dos governantes. Os lúcidos sabem que o equilíbrio fiscal é a única forma de não precisar emití-la, independentemente do sistema econômico adotado. Mesmo que isso signifique menos obras, menor capacidade de implementação de programas, maior impopularidade e menor crescimento real.
Os demagogos, ao contrário, falsificam moeda para cobrir os desequilíbrios fiscais. Realizam mais no primeiro momento, dão asas a uma falsa redistribuição de renda, vociferam discursos populistas sempre atacando terceiros. Não têm autocrítica. E geram o caos.
Esse é o caso de Chavez.
O projeto de caudilho fala agora em nacionalizar frigoríficos, supermercados e outros pontos de venda. Alega que há uma conspiração nascida nos Estados Unidos para comprometer o abastecimento de alimentos ao povo venezuelano, por isso as prateleiras estão vazias e o mercado negro prospera. Como os preços são tabelados, claro que estão faltando produtos.
Não olha para si, para o desequilíbrio fiscal de seu governo, para seus atos.
Pensa poder revogar a Lei de Oferta e da Procura. Se não resolver, certamente revogará a Lei da Gravidade, o que evitará que os preços flutuem.
Esses ditadorezinhos sulamericanos, pequenos por sua própria natureza e grandes na bazófia, são uma vizinhança terrível, a que estamos condenados geograficamente a conviver. Que nos desacreditam. Que nos geram antagonismos, por sermos diferentes. Que nos dão maus exemplos.
O bolivariano (?) Chavez um dia será deposto, porque ditadores não são substituídos pelas urnas. Mas, até que isso aconteça, poderia aconselhar-se ao vivo com Sarney e em sessão espírita com Dilson Funaro, sobre o Plano Cruzado.
Quem sabe lhe ensinariam como laçar boi no pasto.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Nua e Crua

Esta é a notícia (Portal Terra):

"Uma segurada do INSS resolveu tirar toda a roupa, ontem, em uma agência de Santo André, em São Paulo, em protesto contra o atendimento. Uma ambulância foi chamada e a segurada foi encaminhada a um hospital."

Agora, a versão. Ou melhor, as múltiplas versões que poderiam ter acontecido, hipoteticamente e com certeza sem relação com este caso, e relatadas ao Delegado responsável pelo inquérito.

Na ótica da segurada, se coçando:
- Não sei o que deu no médico. Só falei pra ele que o comichão que sinto não me deixa sentar. Como meu trabalho de caixa em supermercado não pode ser feito em pé, ou numa posição que permita que me coce, tenho que ficar encostada no INSS mesmo, até me curar. Além do mais, meu chefe já me advertiu que ou bem ponho a mão lá, ou bem nas compras dos clientes. Lá e cá, não pode.
Como ele duvidou, tirei minha roupa e mostrei a perereca pra ele ver. Ele chamou o hospício, nem sei porquê. Eu, hein, acho que esse médico é boiola.

Na ótica do médico, desmunhecando:
- Delegado, me apareceu aqui uma mulher maluca, como de resto todos os que recorrem ao INSS o são. Como não quis violar sua intimidade, resolveu esfregar suas partes em mim. Pra lhe falar a verdade, não gostei do cheiro e nem de como o Marcão, meu parceiro, reagiria se soubesse, ciumento como é.
Não sou chegado nessas coisas, além do que era muito baranga e micosenta. E ficou pelada na minha frente. Ah! que horror. Chamei a segurança.

Na ótica de um perneta desdentado que havia se mudado há um mês para a fila de atendimento, babando:
-Seu dotô, a muié ficou nuínha em pêlo. E olha que o pêlo não era pouco. A tempo que nem via...

Na ótica do chefe dos peritos, aplaudindo:
- Delegado, o Dr Paulinho fez muito bem. O Dr Paulinho tem que cumprir a quota máxima de 2 benefícios concedidos por mês.

Na ótica do gestor do posto de atendimento, contabilizando:
- É isso mesmo. Ela que não se coce, no máximo rebole na cadeira. Nós não estamos aqui para aumentar o déficit da Previdência.

Na ótica da imprensa, pautando:
- Filma, filma...

Na ótica de um repórter da Playboy que passava por lá, prospectando:
- Eca...

Na ótica do motorista da ambulância, sentenciando:
- Pra doida, até que dava um caldo.

Como se vê, nesse inquérito e no do mensalão, a verdade está no fundo de um poço.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Paz Virtual III

O Gov Sérgio Cabral foi o único político de primeira linha que ofertou sugestões concretas sobre como combater o criminoso. Propôs o governador a redução da maioridade penal além de dar poder aos Estados federados para decidirem sobre o código penal em seu território.
Ambas as propostas são coerentes. A primeira corrige uma distorção da constituição "cidadã". A segunda, começa a reconhecer de fato a existência de uma federação.
De fato, se as sociedades são diferentes, as leis também devem sê-lo.
Aí começa a gritaria da insensatez.
Os advogados criminalistas, muitos dos quais vivem do resultado do crime quase tanto quanto os bandidos, alegam que se as casas de recuperação de menores não os recuperam, a culpa é delas, da sociedade, não dos criminosos infratores. Omitem-se sobre a recuperação dos defuntos e órfãos que causam, mas poucos deles pagam honorários, que se lixem.
Quanto a códigos penais estaduais, chegam a alegar o absurdo que os criminosos migrariam para estados com penas menos severas. Onde fica o argumento de que as penas não são para punir, e sim para recuperar, que bandido não tem medo de penas severas etc, tão utilizado por eles?
É de rir, pra não chorar.
O Renan Calheiros já se declarou contrário à redução da maioridade penal. Os congressistas, com poucas exceções, também.
Acham que a legislação é boa. Que estadualização da legislação, que nada. Mudar, pra quê?
É de uma alienação incomparável. Não há paralelo com a falta de realidade desses senhores, todos cercados de seguranças, com vidros blindados.
A presidente do STF, embora tenha sido assaltada há pouco tempo, também alerta para mudanças legislativas emocionais.
Ou seja, nada vai mudar e, se alguma mudança houver, será superficial. Como, por exemplo, fazer o autor de crimes hediondos cumprir 1/3 da pena em regime fechado, ao invés dos hoje exigidos 1/6. Coisas do gênero, só para dizer que fizeram alguma coisa.
Enquanto isso, até que nos tornemos um Iraque de fato, haja pombinhas brancas para soltar pedindo paz. Com direito a passeata e camisetas.
Sob o riso cínico das quadrilhas. Públicas e privadas.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Paz Virtual II

Recebi por e-mail o texto abaixo, assinado por alguém que se intitula J.R.R.Abrahão - advogado, jornalista, escritor, e resolvi incluí-lo para que os 2 ou 3 leitores deste blog tomem conhecimento.
Embora não concorde com o autor no que se refere à ideologização do desarmamento - basta ver que a votação no Congresso aprovando o malfadado estatuto não se restringiu a uma ou outra bancada; apesar de não concordar também em misturar os dois temas - impunidade e desarmamento, o texto é interessante.
Não esqueçamos, também, a atuação de advogados criminalistas na busca de artifícios que sustentem pedidos de habeas-corpus para bandidos e que terão seus honorários pagos com o fruto do próximo latrocínio. E sabem disso, mas ainda assim patrocinam esses bandidos.
Aí vai o texto.

Apenas um punhado... coisa insignificante... será??? "Eles"acham!!!................


Isso mesmo, nos últimos dez anos, foi apenas um punhado insignificante de brasileiros que foram assassinados por bandidos... só pode ser, pela maneira fleugmática como os donos do poder agem...
Apenas uns... SETECENTOS E OITENTA MIL!!!
MAIS DE TRÊS-QUARTOS DE MILHÃO DE PESSOAS MORTAS POR MARGINAIS!!!!!!
Mas nunca se viu representantes do Governo, dos Partidos Políticos, do clero, das ONGs VIVA RIO e SOU DA PAZ, dos defensores dos direitos humanos (ou será "dos direitos dos manos "???) prestando assistência ou consolando as famílias dessas poucas e insignificantes pessoas... devem ser vidas sem a menor importância... afinal, quase que " o mundo caiu" quando mandaram para o inferno os 111 "anjos" do Carandiru - essas, sim, vidas preciosas!!!
E agora?
É o bastante?
Ou será preciso mais?
Mais?
Mais o quê???
MAIS CADÁVERES!!!
MAIS VÍTIMAS!!!
MAIS INOCENTES CEIFADOS PELOS MARGINAIS!!!
MAIS GENTE SAFADA PROTEFENDO BANDIDOS!!!!!!
Não chega?
Será que os políticos, os cínicos, os safados , os INIMIGOS do POVO, os membros de ONGs pró-bandidos como VIVA RIO e SOU DA PAZ, Parlamentares que só legislam em causa própria, Governantes demagogos , CONTINUARÃO TENTANDO IMPLANTAR O DESARMAMENTO SOBRE A POPULAÇÃO ORDEIRA?
O supra-sumo da legislação liberticida é o ESTATUTO DO DESARMAMENTO - e, para ser ainda mais claro, o DESARMAMENTO no BRASIL não é uma questão de segurança pública, mas sim IDEOLÓGICA.
A ESQUERDA CANALHA que hoje pulula nos píncaros da sociedade e do poder visa fazer a sociedade REVER SEUS CONCEITOS DE PROPRIEDADE PRIVADA.
Retiram da população ordeira os MEIOS de proteger suas PROPRIEDADES móveis e imóveis e imediatamente o Direito à propriedade passa a ser só algo impresso em papel...
E, desculpem a grosseiria, mas PAPEL ACEITA TUDO, DE MACARRONADA ATÉ CAGADA...
O PLEBISCITO mostrou que a maioria esmagadora da população disse NÃO ao DESARMAMENTO - mas os canalhas no poder (e seus aliados) querem nos empurrar goela abaixo a obrigatoriedade do RECADASTRAMENTO das ARMAS JÁ REGISTRADAS!!!
Para tanto, criaram exigências absurdas, entre elas "ter de provar a real necessidade de possuir arma" e pagar uma taxa confiscatória de R$ 300,00 para CADA ARMA !
Se "pegar", no fim do ano poderão criar uma TAXA CONFISCATÓRIA e a OBRIGATORIEDADE de RECADASTRAR TODOS OS IMÓVEIS - e, talvez, a "obrigatoriedade de provar a real necessidade de residir num imóvel daquele tamanho..." - talvez inventem algo similarmente CONFISCATÓRIO relacionado aos VEÍCULOS de propriedade dos cidadãos; imagine ter de "provar a real necessidade de ter dois carros e um jet-sky..." , enquanto há tantos " companheiros" sem casa nem transporte...
Deu para vislumbrar CUBA aqui?
Com o apoio de CHAVES (Venezuele) e MORALES (Bolívia)?
Duvida?
E Vc também duvidou que um dia pudesse haver um desarmamento, não foi?
Esse "bem comum" que apregoam, "abrir mão de um Direito individual em prol dos Direitos coletivos" chama-se COMUNISMO!!!
ACORDE !!!!!!
Ou Vc quer que a escória poderosa continue jogando areia em nossos olhos, apelando para a pieguice ao se manifestar contra mudanças necessárias em nossas Leis?
E NÓS, o que faremos???
Continuaremos nos reunindo feito palhaços enlutados "orando pela paz"???
PAZ???
"SI VIS PACEM, PARABELUM - Se queres a paz prepara-te para guerra"
Não, não queremos paz... QUEREMOS GUERRA!!!
Queremos a MAIORIDADE PENAL aos 14 anos para punir bandidos que se escudam contra as punições sob o manto da inimputabilidade!
Queremos a PENA DE MORTE para TODOS os CRIMES HEDIONDOS!
Queremos PENA de TRABALHOS FORÇADOS para acabar com o ÓCIO, "pai de todos os vícios ", nas cadeias!
Queremos poder TER e PORTAR ARMAS para nossa proteção e defesa, sem exigências absurdas e desmedidas - e ARMAS de COMBATE, iguais as de nossos INIMIGOS!
E pra JÁ!!!!!!
CADEIA já não resolve...
POLÍCIA já não intimida a BANDIDAGEM...
CHEGOU A HORA DE DAR UM BASTA GERAL!
Vamos TODOS JUNTOS em uníssono GRITAR , BERRAR: BANDIDO é INIMIGO!!!
E INIMIGO só é bom MORTO!!!
VAMOS À GUERRA CONTRA NOSSOS INIMIGOS, os INIMIGOS do POVO que estão DESTRUINDO a SOCIEDADE !
EU ESTOU DISPOSTO A LUTAR, MATAR e MORRER se preciso for!
VAMOS À LUTA!!!

J.R.R.Abrahão - advogado, jornalista, escritor

(São Paulo - SP)
(Se concordar, repasse... se não gostar, delete...)

Vitória de Pirro II

Michel Temer, presidente do PMDB, declarou que seu partido terá ampliada a participação no novo ministério, de acordo com o que lhe disse Lula.
Faz sentido, pois essa parecia ser sua intenção, retardada pela vitória de Chinaglia.
Lula, faça-se a restrição que quiser sobre ele, é um craque na arte da negociação. Adoçou a boca do PT em sua reunião em Salvador, na semana passada. Aplacou a ala majoritária, fazendo menção explícita ao "prezado companheiro Zé Dirceu", mesmo com o antagonismo pessoal latente e crescente. Acalentou a esquerda festiva, desejando pronta recuperação a Fidel Castro, a quem, suponho, está pouco se lixando. Explicitou atitudes indignas de petistas, incentivando nos bastidores o movimento de refundação do PT, pugnada pela ala gaúcha do partido.
Fez cafuné em gregos e troianos, sem desconsiderar os persas, medas e trácios.
Dá uma no cravo, outra na ferradura. E mantém o PT em suas mãos.
Pode-se dizer que seu governo é um reflexo dessa capacidade de enrolar.
Um líder republicano, feroz adversário pessoal e político da família Clinton, reconheceu que a matriarca Hillary é conhecedora das artes e manhas da política pela sua capacidade em estabelecer os acordos possíveis, desde que indispensáveis.
Lula não é diferente. Cacoete de sindicalista.
É uma pena que, no arcabouço de uma constituição parlamentarista na essência e presidencialista na forma, não haja espaço para um chefe de governo que assim não aja. É uma pena porque só sobrevivem governos medíocres, governos de composição e não de coalizão, de repartição de oportunidades e não de responsabilidades, de conversês e não de executês.
Seria bom que, na reforma política dessem condições de governabilidade em novo estilo, encerrando a dicotomia constitucional. Ou bem presidencialismo, ou bem parlamentarismo.
Mas essa reforma não sairá nunca da promessa.

Sacrossanta Hipocrisia

O projeto de lei aprovado na quinta-feira passada na Itália, que regulamenta o casamento entre casais heterossexuais e homossexuais, bem como a vitória da legalização do aborto em um referendo em Portugal, ensejam reações.
Declarou Bento XVI que "Há normas que precedem toda lei humana e que não admitem intervenções da parte de ninguém. A lei escrita pela natureza é a única e verdadeira garantia que temos de poder viver livres e de ser respeitados..."
Continua o Papa: "Nenhuma lei escrita pelos homens pode subverter a norma do Criador sem que a sociedade seja dramaticamente ferida em seu fundamento. Ao fragilizar a família se penaliza a sociedade".
E mais: "O Concílio Vaticano II reiterou que a instituição do matrimônio é estável por ordem divina e que por isso este vínculo é sagrado pelo bem dos cônjuges, dos filhos e da sociedade.
Mudar o matrimônio não depende do arbítrio do homem e nenhuma lei escrita pelos homens pode subverter esta norma do Criador."
Interessante, o Papa. Esquece-se que leis não mudam costumes sociais, somente os incorporam ao direito positivo.
Há menos de 500 anos, o Vaticano ainda utilizava os castrati para os cantos sacros e, sabe-se lá, para que outros fins. Nos tempos atuais, a manutenção do celibato obrigatório também é uma contradição às leis naturais por ele invocadas.
De fato, se a castração de meninos só podia ser realizada por mentes criminosas, incentivadas pelo aval do pontificado, o celibato só pode ser praticado por três tipos de pessoas: os santos, que transcendem a carne; os loucos, que a repudiam; e os hipócritas, que fingem praticá-lo. Talvez o Papa esteja na primeira categoria, mas o grosso do clero, a luz dos casos de pedofilia e pederastia enrustida, formam o maior contingente.
E vem o Papa com esse discurso anacrônico, artificial e mais falso que nota de três Reais.
Abraão, criador do Deus acolhido pelas principais religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo) é o mesmo que conviveu em concubinato. E dispôs-se a praticar o sacrifício humano com seu filho.
E onde está a norma do Criador?
Por acaso Bento XVI é seu intérprete irrefutável? Tem uma linha direta, um contato intimo, uma procuração que seja?
Está mais do que na hora desses elementos, por boa-fé ou por má, pararem de usar o nome de Deus para defender seus pontos de vista.
Para Bento XVI, até a camisinha - questão de saúde pública - é contrária às leis de Deus.
E fica a pergunta que não quer calar: sendo Deus onipotente, por que então permite?
Acho que, na verdade, Ele não está nem aí para as estripulias que façamos aqui na terra.
Apesar do esperneio dos Papas.

Paz Virtual

A cada crime monstruoso, em que a sociedade fica chocada com o desprezo pela vida ou se sente ameaçada, rezam-se missas, fazem-se caminhadas e minutos de silêncio, camisetas com escritos de "PAZ" e pombinhas esvoaçantes.
Antes de tudo é a demonstração cabal de que a sociedade já habituou-se a conviver com o crime. Banalizou-se.
Pede-se PAZ como um apelo de intenções, virtual, como se afirmasse que todos tem que ser felizes, o mundo é cor-de-rosa. Desejo da sociedade ideal. Epicurista.
Não vejo revolta com o criminoso. Vejo medo da criminalidade, ser etéreo e sem face.
Vejo o Lula, após declarar acertadamente que vivemos uma forma de terrorismo, afirmar demagogicamente que reduzir a maioridade penal não é solução.
Não vejo políticos, com caras compungidas, a defender o combate sério ao criminoso, única forma de combater o crime.
É o reino dos sofismas. Até cadeia agora se chama Centro de Reabilitação.
Com exceção do Dep Alberto Fraga, não se observa políticos que tenham disposição de combater o criminoso.
Vivemos, sim, um clima de terrorismo e de intimidação da sociedade decente pela dos marginais. O pior é que as instituições protegem a última, em detrimento da primeira.
No Brasil, hoje, vale a pena ser bandido. O crime compensa, sim. E a marginalidade já percebeu isso.
Nesse meio tempo, ficamos todos nós a engolir passeatas pedindo PAZ.
Temos que pedir é GUERRA. Guerra à bandidagem. Guerra aos consumidores de drogas, que financiam o tráfico. Guerra a bandidos, sejam maiores ou menores.
Há que desestimular não só o criminoso, mas também a horda de adolescentes que vêem no crime o grande emprego futuro de suas vidas.
Bandido não deve ter segurança de vida, seja assaltante de pessoas, seja assaltante dos orçamentos públicos. Bandido morto, no mínimo, não reincide no crime.
Mas nossa Constituição cidadã proíbe a pena de morte.
Enquanto isso, morremos nós, todos os dias.

domingo, fevereiro 04, 2007

Que$tão de Fé

"Inaugura-se na capital paraibana mais um dos suntuosos templos da autodenominada Igreja Universal do Reino de Deus."

Com esta frase, o Arcebispo de João Pessoa-PB inicia sua crítica à inauguração do novo prédio climatizado, com meio hectare, em uma das principais avenidas de João Pessoa.
Sem enveredar pelos caminhos tortuosos das crenças e da fé, mas somente como reflexão laica, fico pensando sobre as diferenças entre as diversas correntes.
Na declaração do Arcebismo, vejo um tipo mea-culpa institucional. A Igreja Católica, que dominou o mundo desde Constantino até a metade do século XX, sempre prezou pela suntuosidade de seus templos. Muitos deles construídos com recursos não somente obtidos pelo medo do inferno, mas por confiscos, extorsões, indulgências plenárias, escravaturas e inquisições.
O Arcebispo, ao criticar a suntuosidade do templo concorrente, esquece as basílicas.
Por outro lado, os dirigentes de diversas correntes pentecostais, praticantes da chamada teologia da prosperidade, vendem milagres e cobram caro por eles. E esse é um bom artigo para vender. Se o comprador não receber em vida, resta a esperança de recebê-lo após a morte. Defunto algum pode reclamar no Procon ou exigir a nota fiscal.
Além de meio de vida, constróem templos (novos pontos de venda) como o criticado. São uma empresa, strictu-sensu, com faturamentos previstos e rotinas de distribuição e repartição do arrecadado.
Porém, enquanto uma vendeu o medo, a outra vende a esperança. Por isso cresce. Em ambos os casos há um sutil estelionato.
Judeus, muçulmanos e cristãos, no fundo, cultuam o mesmo deus, revelado por Abraão. Maior afinidade de crença entre si, ainda, se verifica nas correntes cristãs. O que não impede que guerras se travem sob seu pano de fundo, como na Irlanda, nos dias de hoje.
Também, todas abandonaram os ensinamentos de Cristo, em especial a tolerância, pela busca do poder temporal, o único capaz de propiciar férias em St Marteen ou palácios episcopais.
O que se espera é que a disputa econômica por fiéis e por dízimos não passe disso, ou seja, divulgação de notas oficiais e xingamentos nem tanto. Que não enverede pela radicalização e violência.
Nesses casos, sempre feita em nome de Deus.

sábado, fevereiro 03, 2007

O Pum da Vaca

O cientista Carlos Nobre, vinculado ao INPE, declarou em entrevista à Radio Nacional que os Estados Unidos emitem cinco vezes mais gás carbônico do que o Brasil. Até aí, há uma relação entre os PIB.
Declarou ainda o cientista que o Brasil está entre os 5 maiores emissores de gases poluentes, que contribuem para o aquecimento global. Nesse caso, já não se sustenta a correlação com o PIB.
Ele atribui ao desmatamento da amazônia a responsabilidade por cerca de 3/4 da emissão de gás carbônico na atmosfera, assim como atribui à pecuária grande responsabilidade pela emissão de metano.

Acho interessante como o brasileiro da elite intelectual tem a mania de ser o primeiro em tudo, especialmente no que é ruim. Vá lá, contenta-se em ficar entre os cinco primeiros e, se a notícia não for tão ruim assim, situar-se entre os 10 mais já é um bom resultado.
Não estou defendendo o desmatamento da terra arrasada, irracional, demolidor. Mas fico pensando. Desmatamento não deve ser, porque o que é plantado, seja pasto, seja soja, seja milho ou qualquer outro vegetal, também absorve gás carbônico para a fotosíntese. Não sei como fica o balanço, mas certamente alguma coisa é compensada.
Olha eu entrando no erro do lugar-comum. O desmatamento, em si, não emite gás carbônico algum. No máximo pode-se considerar o efeito indireto pela interrupção da absorção do CO2. O que não é verdade quando se fala de queimada. Aí é diferente.
Depois, o Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo. Tudo bem, mas esse maior não passa dos 20 ou 25% do total. E os outros 75% não peidam? Surge assim o grande vilão da degradação ambiental: o pum da vaca.
O rebanho brasileiro, na concepção escatológica de alguns cientistas, deve ser alimentado a repolho e sopa de feijão. Não demora muito, o IBAMA exigirá a instalação de catalisadores em seus traseiros.
Com a descoberta, o intestino bovino brasileiro - só o brasileiro - é a maior fonte de biogás mundial. Lula deveria incluí-lo no programa de bioenergia.
Que exportação de carne, que nada. Viva pum da vaca. É a salvação nacional.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Vitória de Pirro

A primeira vista, Lula foi vitorioso na eleição para a presidência da Câmara. Venceu o candidato do mesmo partido, do mesmo Estado e que foi líder de seu governo no primeiro mandato.
Bem, fica um pouco a dúvida, já que seu opositor também foi seu líder, além de responsável pela articulação política entre o Executivo e o Legislativo. Aparentemente, seu amigo pessoal. E mais, foi eleito em substituição a Severino com apoio explícito do Planalto, num momento de quase crise.
Ora vejamos. Coisas da política.
Na realidade, Lula experimentou uma derrota. Seu candidato in pectoris era Aldo. E o raciocínio é simples.
A eleição de Aldo reduziria a força do PT paulista, corrente majoritária (leia-se Zé Dirceu/Berzoini) e as conseqüentes pressões sobre seu governo. A vitória de Aldo representaria um refreamento no apetite petista.
Lula pretendia governar com uma coalizão, na qual o PMDB teria papel preponderante. Os claros sinais dirigidos ao PT noticiavam a redução de sua participação no primeiro escalão do governo. Por essa razão, Lula aguardou essa eleição para recompor seu ministério. O faria com mais independência.
Aldo é de um partido tão pequeno quanto sua capacidade de pressionar. Muito menor do que a do PT. Com a vitória de Aldo, Lula governaria não com, mas apesar do PT. Essa é a realidade.
Por isso, a eleição de Chinaglia tem-lhe sabor de derrota. A candidatura de Chinaglia foi uma rebelião contra o Presidente, foi uma demonstração de força.
Está bastante claro que Lula teve sua dependência do PT aumentada. por conseguinte, reduzida sua autonomia governamental.
Isto explica porque o PSDB elegeu Chinaglia. Não nos iludamos, foi eleito com o voto dos peessedebistas - só 18 votos de diferença, ou seja, 10 deles teriam invertido o resultado - com objetivos muito claros:
a - enfraquecer o poder de Lula;
b - vincular a imagem da presidência da Câmara ao Governo;
c - fomentar a discórdia na base aliada, intrigando as partes, criando e amplificando uma possível defecção de Lula à candidatura Aldo;
d -divulgar por todos os meios possíveis que Chinaglia foi eleito pelo apoio dos ditos deputados mensaleiros;
Os caciques emplumados do PSDB já haviam percebido essa oportunidade política desde o início. Não foi por acaso seu apoio a Chinaglia na primeira hora. A candidatura Fruet cumpriu somente o papel de dar-lhes um palanque para difundir as vinculações - falsas ou verdadeiras, não importa - no contexto das razões acima alinhavadas.
Foi um golpe de mestre da oposição.

Agências Reguladoras II

Agora é a vez da ANEEL, outra das agências desse malfadado modelo de gestão pública.
A notícia abaixo, transcrita do site UOL, revela as manobras que são exercitadas para aumentar as tarifas muito acima da inflação, mediante a aplicação de algorítmos malucos para fazer de conta que não é assim.
Quem acredita que a majoração de consumidores industriais não irá ser repassada para os consumidores, que são, por último, os próprios consumidores de energia residenciais?
Esses artifícios são somente o pano de fundo para o benefício das empresas distribuidoras, em sua maioria multinacionais.
Será incompetência, ingenuidade ou haverá outros argumentos?


"SÃO PAULO - Parte dos moradores de quatro Estados brasileiros sentirão uma diferença na cobrança de energia elétrica a partir deste sábado (03) e domingo (04). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o reajuste dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Paraíba.Conforme a própria agência, isso não significa que todos os consumidores dessas localidades pagarão a mais pela eletricidade. As alterações foram empregadas para residências e indústrias, mas não necessariamente para preços maiores.São Paulo Em São Paulo, as concessionárias que passarão a empregar novos valores são:
Companhia Jaguari de Energia (CJE), com redução de 4,54% para consumidores residenciais e aumento de 2,29% para industriais;
Companhia Luz e Força de Mococa (CLFM), com aumento 10,47% para residências e 14,28% para industriais;
Companhia Paulista de Energia Elétrica (CPEE), com redução de 0,99% para consumidores residenciais e aumento de 1,46% para indústrias e
Companhia Sul Paulista de Energia (CSPE) com queda de 0,17% para residências e aumento de 5,56% para indústrias.Outras Ainda, de acordo com a agência, a Companhia Luz e Força Santa Cruz (CLFSC), que atua em São Paulo e Paraná, teve elevação de 0,69% para consumidores residenciais e 6,69% para consumidores da indústria. Na Paraíba, a Companhia Energética de Borborema (Celb), que atende seis municípios, terá redução de 4,63% para baixa tensão e 1,77% para alta tensão."

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Agências Reguladoras

No contexto da reforma do Estado implementada pelo governo FHC, foram institucionalizadas agências que representariam o Estado com independência do Governo na formulação, condução e fiscalização das relações entre os prestadores de serviços e a sociedade. Tudo muito bonito.
Em sua implementação, no entanto, começaram a aparecer os reais motivos de sua criação. Um bom exemplo é a Anatel, criada com uma superposição de atividades exercidas pelo Ministério das Comunicações que, nesse modelo, poderia ter sido extinto. Não foi.
Elaborou contratos de concessão que, transpostos para o ambiente privado, mostraram claramente que os interesses dos concessionários superpunham-se aos dos usuários.
Basta ver as regras fixadas para a atualização das tarifas. Cumpridos os termos dos contratos em todos os anos, , os percentuais de reajuste superaram em muito as taxas de inflação verificadas, com exceção de 2006. Houve, assim, uma efetiva majoração dos valores pagos, mantida inclusive no governo Lula, para evitar a alegação de quebra de contratos, o que repercutiria negativamente na imagem nacional.
Os contratos assim foram firmados. Para não levantar suspeita de corrupção, no mínimo a ingenuidade dos servidores públicos envolvidos foi devorada pela esperteza empresarial, muito mais habituada a tirar proveito nas negociações que a burocracia estatal.
A verdade é que os contratos favoreceram as empresas, não a sociedade.
Mais uma vez, agora, vemos a Anatel defender os interesses privados.
Como o reajuste tarifário em 2006 foi pequeno para a fome dessas multinacionais, resolveram mudar a regra do jogo sem alterar os contratos. Envolveram a incompetente burocracia da Anatel, com apoio de parte da imprensa comprometida com as verbas publicitárias e de profissionais fazedores de palestras a peso de ouro, e mudaram a forma de tarifação. Ganharam o reajuste sem que se possa alegar quebra dos contratos.
Agora prepare-se! A partir de julho deste ano, numa ligação local de 10 minutos, vamos pagar até 100% a mais, pelo novo sistema.
Os empresários, sabidos, convenceram(?) a Anatel que isso iria favorecer os usuários. É discutível o valor desses argumentos.
O fato é que, mesmo mostrando caras tristes como se tivessem tirado o pirulito de suas bocas, devem estar rindo por dentro. Ganharam um fabuloso aumento.
Será que a viúva do truculento Sérgio Motta, executor dessa patifaria da "privataria", ainda é Conselheira de Administração da Telefonica? Isso ajudaria a explicar a "independência" da Anatel?
Independência de quem?
O governo FHC, de triste lembrança, nos deixou mais esse legado. Defendeu a independência dos governos para tornar os serviços públicos dependentes dos empresários.
Lembre-se disso quando pagar sua conta de telefone a partir de julho próximo.
Mande uma cópia de sua conta nova para a fundação criada pelo vaidoso ex-presidente. Quem sabe a incluam na documentação de suas realizações, que está sendo catalogada e microfilmada com co-patrocínio de verbas públicas do Estado de São Paulo, e lá fique perpetuada também uma demonstração clara de sua lucidez e boas intenções de seu governo.
E ainda tem gente que defende essas agências reguladoras.

O Fedorento

O avião ainda nem havia ligado as turbinas e a luzinha do bagageiro acendeu, chamando a aeromoça. A comissária, gentil, foi ver do que se tratava.
Havia duas cadeiras ocupadas, das três disponíveis. Na janela, a autora da chamada reclamava do mau-cheiro de seu vizinho. Fedentina danada, catinga antológica. Sovaqueira infeliz.
Segundo ela, o vizinho desconhecido exalava esgoto por todos os poros. Respirava hálito de latrina. A megera queria que expulsassem o fedorento ou lhe arrumassem, para si, uma máscara contra gases tóxicos ou, no mínimo que liberassem o oxigênio até o pouso no destino.
E olha que não é pequena a distância entre o Havaí, ponto de partida, e Düsseldorf, destino do vôo.
Explicava aos gritos, a farejadora, que seu plano de saúde não previa a cobertura por intoxicação respiratória. A British Airways, operadora do avião, seria responsabilizada por possíveis danos a suas pupilas olfativas. Perto dele, chucrute e conserva de rabanete eram perfume francês.
Levado o assunto ao comandante, em meio a risadas pelo inusitado, decidiu-se pelo desembarque do cheirosinho. Tiraram-no do avião, com a tripulação tampando o nariz.
No salão de desembarque, passageiros em trânsito começaram a olhar uns para os outros, desconfiados e com olhar de nojo, mudando de lugar. Uma velhinha alemã, após encarar seu vizinho de banco, sentou-lhe uma guardachuvada na testa e, mirando-o nos olhos antes de se levantar e sentar em outra poltrona, pigarreou do âmago de suas amídalas: "schwein".
Dizem, mas ninguém prova, que após o desembarque e seu encaminhamento às autoridades sanitárias e de uma meteórica passagem no IML local para atestar que ainda estava vivo apesar das evidências de putrefação, foi encaminhado a um lava-jato com direito a banho de champu de carro, purificado e embarcado em outro vôo.
Bem, todos esses detalhes são conversa de botequim. Sabem como é, o povo fala demais.
A verdade verdadeira é que ontem, dois anos depois do acontecido, o tribunal de Düsseldorf condenou a BA a pagar-lhe uma indenização de 260 euros pela perda de uma conexão.
Isto sim é um fato verídico.