FregaBlog

sexta-feira, junho 29, 2007

Chavez e a Internacionalização da Amazônia

Ora, dirão alguns, esse título é sandice.
Não é, não. Pensemos:
O ditador venezuelano, em busca de espaços políticos para sua bolivariana (?) revolução, está armando a Venezuela como nenhum outro país da região.
No ano passado, foram 100 mil fuzis russos Kalashnikov. Ainda no ano passado, foram caças também de fabricação russa. Agora, pretende trazer, como bagagem da visita a Putin, 5 submarinos.
A Venezuela é um país pequeno, com problemas sérios de distribuição de renda, assim como o Brasil, com muito a fazer para promover seu desenvolvimento e aproveitar sua grande riqueza petrolífera.
Mas não é isso que o comportamento de Chavez sinaliza.
O farsante gosta mesmo é de abrir as baterias contra tudo e todos, acima do bem e do mal, na defesa de uma tal revolução bolivariana que ninguém sabe exatamente o que é. E nessa incontinência verbal, cria e vive um ambiente conspirativo para inflamar seu povo. O mundo é contra a Venezuela em geral e contra ele em particular.
Em sua esquizofrenia e à medida em que se sinta mais forte e que cale qualquer oposição interna, passará a se achar dono dos destinos da América do Sul. E aí mora o perigo.
E se Chavez, por um motivo qualquer, resolver disputar o contestado com a Colômbia, na marra?
Qual a barreira à Chavez para impedí-lo de considerar que há uma invasão da amazônia por países ricos e ONGs por eles sustentadas? Nós sabemos disso, mas por enquanto estão dentro de nossa capacidade de reação.
E se decidir que a fronteira do Brasil com a Venezuela não está perfeitamente demarcada em Roraima? E não está mesmo, pois toma como base as nascentes e para onde correm. E isso, cá pra nós, é um critério um tanto quanto vago, especialmente sabendo-se que arroios não correm em linha reta, às vezes emendam-se à frente e mudam de direção e de bacias.
E se resolver reivindicar seu quinhão na maior província mineral do mundo, usando como pretexto um argumento desses?
Claro que, com Kalashnikovs ou não, com submarinos ou não, com caças de última geração ou não, o poder nacional brasileiro, com tempo e disposição, poderia fazer esse bufão nadar até Cuba, onde teria agasalho nas barbas de Fidel. Mas o conflito estaria instalado na amazônia.
E aí está o pretexto do qual não temos força para reagir. A ONU.
Uma ocorrência dessas é tudo o que os países ricos desejam. Ocupariam a amazônia com o pretexto politicamente correto de impedir o conflito.
Chavez está promovendo o desequilíbrio e poderá gerar uma corrida armamentista numa região pobre, em que os recursos dos estados deveriam contribuir para a melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos.
Cada vez mais fico convencido de que Chavez é uma grande ameaça para o Brasil e um perigo para a América do Sul.

quinta-feira, junho 28, 2007

Tapa-Buracos

Há mais de 20 anos circulo pela BR 040 (Brasília-Fortaleza), utilizando vários tipos de veículos, de caminhões a motocicletas. Só nos últimos 12 meses, tenho rodado cerca de 5 mil km mensais, em média, no trecho que vai de Brasília até quase a divisa com a Bahia.
Portanto, é um histórico razoável sobre as condições da estrada e me considero uma testemunha fidedigna sobre o descaso dos sucessivos governos com as rodovias. Assim, quando foi anunciada no ano passado mais uma operação tapa-buracos, o meu ceticismo era evidente. Tudo o que eu havia visto, desde então, era um paliativo. De péssima qualidade. Por vezes, pior do que os próprios buracos.
Havia trechos em que o asfalto quase havia deixado de existir. E, por incrível que pareça, eram os melhores trechos da estrada, comparados com aqueles cujo asfalto estava em franca decomposição, numa sucessão de crateras.
Trânsito pesado, em que se ziguezagueava entre a contra-mão e os acostamentos, desviando de buracos e carretas.
Esse histórico se repetiu por décadas. E o anunciado tapa-buracos realmente ocorreu no ano passado, minorando nossos riscos mas sem ofertar uma solução para o problema.
Nesse meio tempo, não foram poucos os corpos estendidos, resgatados dos acidentes à espera do rabecão.
Passado o período das chuvas na região, para minha surpresa, comecei a presenciar o movimento de máquinas pesadas e instalação de canteiros de obras. Continuei cético. Com certeza, deveria ser mais uma figuração para arrecadar recursos.
Pois bem. Não era.
Pela primeira vez, vi trechos em que o asfalto antigo foi pura e simplesmente retirado e as obras começaram desde a terraplenagem e compactação do terreno, inclusive com cobertura de cal para aglutinar a argila. Vi trechos, em estado melhor, cuja camada asfáltica foi retirada para promover um recapeamento decente. Vi cabeceiras de pontes, que eram degraus, serem adequadamente corrigidas.
Cheguei à Brasília nesta madrugada. O asfalto, além de estar um tapete, está sendo agora sinalizado, incluindo a instalação de olhos-de-gato. A segurança decorrente não tem preço, como não têm as vidas que foram desperdiçadas nessa estrada, pessoas assassinadas pelo descaso oficial.
E, pasmem! a rodovia não foi privatizada, não. Não há pedágios, diferentemente das que assim o foram. E, se vier a ser cobrado no futuro, que seja pelo governo e não para encher os cofres de empresários comprometidos em financiar as próximas eleições para manter sua boquinha. À estilo PSDB.
Pela primeira vez, desde quando os governos militares asfaltaram os principais troncos rodoviários, vê-se um trabalho decente nas estradas. Não sei o que ocorre no resto do Brasil. Mas se for pelo menos parecido, está de parabéns o Governo Federal.

quarta-feira, junho 27, 2007

Embuste do Príncipe

Declarou o príncipe Charles seu nível pessoal de emissão de CO2 e que ele vem diminuindo.
O orelhudo herdeiro afirma ter reduzido suas emissões de CO2 em 9% no ano passado, deixando suas residências responsáveis por 3.425 toneladas de emissões de CO2.

Instalou aquecedores movidos a resíduos de madeira em suas residências, converteu seu Jaguar e seu Land Rover para funcionarem inteiramente com combustível feito de óleo de cozinha usado, além de outras medidas dignas de quem não tem mais o que fazer.

Acho que não valem mais as lições que recebi de que a combustão de produtos orgânicos geram, necessariamente, CO2 e água. Porque só falam que os combustíveis fósseis é que geram CO2.

Resíduos de madeira, óbvio, vieram de árvores. Talvez oriundas de suas ONG na amazônia.

Óleos vegetais vieram, também óbvio, de plantações que não convivem no meio de matagais e selvas. Nelas foram utilizadas máquinas e agrotóxicos.

Além do que, para ter óleo de cozinha usado em quantidade suficiente para matar a fome de seus Jaguar e Land Rover, os palácios do Dumbo devem ser fartos em frituras.

Assim Charles, possivelmente, esqueceu-se de computar os gases intestinais, próprios, de Camilla (pela cara, deve ter gastrite) e de sua vassalagem.

Não sei se são ricos em CO2, mas devem causar um efeito estufa fedorento.

Esse cara desmerece a casa real inglesa.

terça-feira, junho 26, 2007

Lista Fechada

Pesquisa divulgada pelo CNT-Sensus mostra que 74% dos entrevistados é contra a chamada lista fechada, enquanto 16,5% são a favor e 9,5% não souberam responder.
Infelizmente esse dado não pode ser surpresa.
Primeiro, porque a maioria absoluta da população não sabe o que significa lista fechada.
- Como? Não vou poder votar no meu candidato?
Essa pergunta certamente passa na cabeça de milhões de brasileiros, alguns condicionados pelos hábitos criados e consolidados depois do golpe de 1889. Outros - serão maioria? - porque não poderão mais votar em quem lhes prometer emprego, dentadura, sandália ou até bolsa-família.
Em segundo lugar, onde está a credibilidade dos atuais partidos políticos? Algum efetivamente dispõe de plataforma ideológica ou pratica somente a fisiológica? Como, então, votar num partido?
A lista fechada não é a reforma política de meus sonhos. Sequer das minhas expectativas mais pragmáticas. Mas é um começo. Quase como o enigma do ovo e da galinha.
Votando no candidato, como fortalecer o partido? Sem partido consolidado, como dele exigir coerência ideológica?
No sistema atual, o eleito é maior do que o partido, que dele é refém. E o eleito, a mais das vezes, é o mais simpático ou o mais cínico. Raramente o mais preparado, o mais coerente, o mais honesto.
Essa tal de lista fechada deveria vir acompanhada de voto distrital, configurando o que se denomina voto distrital misto, e do instituto da fidelidade partidária.
Nos distritos eleitorais, um candidato por partido, numa eleição majoritária.
No ente federativo, para completar os quadros parlamentares, a eleição proporcional por uma lista fechada.
Na lista fechada, claro, seriam priorizados pelos partidos suas figuras exponenciais, como forma de obter o maior quoeficiente eleitoral. Nos distritos eleitorais, o comprometimento do representante do distrito com sua população seria pré-requisito para um bom exercício de mandato e única savalguarda para possível reeleição.
E o mandato não é do eleito e sim do partido.
Como está formulada, a proposta é capenga. Mas é inegável que está no caminho certo.
Pena que a população não seja devidamente esclarecida e repudie passionalmente a idéia. Assim, avanços não são conquistados e tudo continua como está, para gáudio dos políticos tradicionais. Tudo por uma decisão ilógica.
Da mesma forma que o retorno da monarquia constitucional foi repudiada no plebiscito.

segunda-feira, junho 25, 2007

Regando Probleminhas

Parte significativa dos sindicalistas profissionais tem sido a de regar, adubar e alimentar probleminhas para que se tornem problemões. Assim, a solução pode ser negociada em outro nível. É o famoso bode na sala.
Lula, dentre suas características, tem o cacoete sindical. Isto é ótimo para o Brasil quando negocia no campo internacional. Isto é péssimo para o Brasil quando a gestão de governo exige decisões.
Lula tem o hábito de contemporizar. Assim a crise no sistema de controle de tráfego transformou-se de um probleminha num problemão.
Lula fechou os olhos a um motim. Esperou alguma solução do decrépito Min. da Defesa. Aguardou que a solução brotasse naturalmente.
Errou profundamente. Probleminhas tem que ser controlados em sua verdadeira grandeza e não servir de palanque para que lideranças deles se utilizem para gerar uma crise.
Se havia problemas - e havia - deveriam ter sido tratados.
Ao que parece, pelo programa de rádio de hoje, o sindicalista Lula cedeu a poltrona para o Presidente.
Primeiro, entregou a busca da solução a quem entende e não a quem só consegue dar palpites. Mandou às favas o Min da Defesa, a agência (des)reguladora ANAC, a Infraero. Desligou os holofotes da CPI, do TCU e de outros ignorantes da matéria.
A ação não tardou a mostrar resultados.
O movimento sindicalista que havia tomado conta das torres de controle foi neutralizado. Milagrosamente, os equipamentos voltaram a funcionar, os atrasos e cancelamentos reduziram-se e a autoridade foi recuperada. Coincidências...
Engana-se Lula, entretanto, se pensar que a crise está solucionada. Não está!
É necessário rever procedimentos.
Que o sistema de defesa aérea seja atividade da aeronáutica entende-se. Porém o controle do tráfego, não.
É bem verdade que se ficar a cargo da ANArC (de anarquia mesmo), será a pá de cal.
Nos Estados Unidos, país com o maior fluxo aéreo da atualidade, a maioria dos aeroportos é municipal, neles incluído o controle aéreo. Claro que rotas são coordenadas, sistemas integrados e a segurança permite praticar inclusive os espaçamentos mínimos, os quais o Brasil tentou ensaiar recentemente.
Aqui mantém-se uma empresa - Infraero - para gerir aeroshoppings. O controle aéreo é executado pela força aérea. Sustenta-se mais uma das malditas agências, a ANAC, para cuidar de rotas aéreas, empresas e infelizes pilotos privados, que tiveram suas taxas decuplicadas depois que seus registros saíram do antigo DAC.
Isto pode levar à impressão de que, quando uma atividade sai das mãos de militares e é transferida para a órbita civil, os serviços são piores e mais caros. E que, se desmilitarizado o controle do tráfego aéreo, correríamos o risco de piorar ainda mais.
Isto não é verdade. Basta colocar para gerir a atividade quem entenda do assunto.
O que não tem sido prática. Infelizmente.

quinta-feira, junho 21, 2007

Frases da História

De Deodoro a Lula, algum passaria na nossa peneira?

"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo- o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso ".

MOURÃO FILHO, Olympio. Memórias: a verdade de um revolucionário. Porto Alegre, L&PM, 1978. Pag. 16

terça-feira, junho 19, 2007

Amizade Colorida

Agora vem Morales com mais uma declaração estapafúrdia. Afirma o "cocalero" que, não fosse por sua amizade com Lula, as relações da Bolívia com o Brasil estariam muito distanciadas.
Lógico que ficamos todos nós morrendo de medo. O que seria do Brasil se a Bolívia dele se afastasse? Viveríamos, certamente, o império da fome e desespero.
Mas se as conseqüências ficassem por aí, ainda vá lá.
Porém, a gravidade é muito maior. Mostra claramente a incapacidade intelectual desse governante em não confundir o rei com o reino. Vivem ainda no tempo e Luiz XIV.
Esses ditadorezinhos insistem em confundir um Estado com seu governante.
Claro que o presidencialismo traz em si mesmo a contradição em concentrar a chefia de governo e do Estado numa mesma personalidade. Mas, mesmo no presidencialismo, nem o governo, muito menos o Estado, podem ser personalizados. São muito maiores do que isso.
Há todo um arcabouço sócio-jurídico que impede essa confusão. Tanto como governante, como chefe de Estado, as pessoas submetem-se à lei, começando pela Constituição que juraram defender. E é na Constituição que se estabelecem os limites de atuação, que não contemplam simpatias, afinidades ou amizades pessoais.
Pode ser que a Bolívia, o país com maior histórico de instabilidade política na instável América Latina, o estado seja seu governante. Faz até sentido, considerando-se a sucessão de ditadorezinhos de meia-tigela, incluindo o atual, que infelicitaram aquele país ao longo dos tempos.
Pode ser que o limitado governante boliviano, por falta de conhecimento, pense que no Brasil o rio corre no mesmo leito. Engana-se Morales.
As relações não são distanciadas, em primeiro lugar, porque não compensa para a Bolívia. E disso até o limitado Morales sabe. Depois, tendo a política externa brasileira consciência da desigualdade e a limitação geográfica de ter que conviver com vizinhos como a Bolívia, não lhe resta outra alternativa além de estender-lhes a mão.
E isso independe da amizade ou não de Lula ou de qualquer outro governante. Isso é uma política de Estado, de convivência pacífica, de respeito à autodeterminação dos povos. Conforme expresso, aliás, em nossa Constituição.
O Brasil é muito maior do que Lula ou de qualquer outro governante que tenha sentado na cadeira presidencial.
Melhor seria que Morales agradecesse ao regime sócio-jurídico brasileiro, se tivesse conhecimento para tanto. Não pensar que o Brasil é do tamanho de seu governante da vez.
Para nós, negócios de Estado não são relações de compadrio.
Na Bolívia, decerto, é diferente.

sábado, junho 16, 2007

General Lamarca

O traidor Lamarca foi promovido. General post mortem.
Essa foi a decisão de uma alienada - para não dizer mal-intencionada - Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
Lamarca foi efetivamente um traidor. Não por ter se passado para as hostes armadas da guerrilha. Não por ser comunista. Não por haver tentado, teoricamente, defender seus pontos de vista ideológicos.
Foi um traidor por haver desertado. Cruel e covarde, tendo assassinado a sangue frio o Ten Mendes Junior, da PMSP, que protegia seus soldados. A coronhadas na cabeça, para não fazer barulho. Em troca de um punhado de armas para sua guerrilha.
Impiedoso, frio e assassino. Esse foi Carlos Lamarca!
A mesma coragem não demonstrou no enfrentamento com forças equivalentes. Dizem que implorou pela vida. Não sei, mas é possível. A versão oficial é de que morreu em combate. Particularmente, duvido. Covardes não lutam em igualdade de condições.
Lamarca prevaleceu-se de suas três estrelas de capitão para iludir e assassinar seu subordinado, renegando tudo o que lhe foi transmitido na Aman, valores como lealdade e responsabilidade.
Pois é. Agora, virou general.
Nem sei o que leva aos generais, que alcançaram esse posto após uma carreira de serviço à Pátria, não solicitarem de imediato passarem para a reserva. Recusarem-se a ser equivalentes ao traidor. Vaidade? Quem sabe!
Mais ainda. Vão dar uma indenização de R$ 300 mil à família e uma pensão vitalícia mensal de R$ 12 mil. Do nosso suado dinheirinho, extorquido por uma carga tributária brutal.
Esse é o paradoxo. Temos que pagar à memória do traidor. Vai ser difícil decidir a quem dar os R$ 300 mil. À viúva legal ou à família da amante guerrilheira, com quem convivia.
Enquanto isso o soldado Mário Kosel, assassinado pela guerrilha, virou sargento.
Contradições de um País que mata sua história e fulmina seu futuro.

sexta-feira, junho 15, 2007

O Federal

Os desafetos e vítimas afirmam que foi de nascença. Que seu fígado padecia de podridão original. A mãe, ao contrário, atribuía o mal a um nó-nas-tripas causado por intoxicação com geléia de murici.
Como em tudo neste mundo, a origem das coisas é um mistério.
O fato é que a incontrolável flatulência de Dario, por muito tempo, foi o assunto em todas as mesas, do Bar do Professor até o muquifo da Maria Benguela.
Por Dario ninguém o conhecia. Federal passou a ser mais que seu codinome. Era uma referência. Fui atrás da razão e a melhor explicação que obtive foi de um bêbado contumaz, freqüentador assíduo e cativo do Pinga Nimim e que constantemente era posto para correr, várias vezes abandonando cervejas e tira-gostos. "Esse foi federal!" bradou o pinguço em protesto, ao bater em retirada sem pagar a conta. O apelido pegou.
É que Dario, assim como a gestão do Estado, estava sempre fedendo, todo mundo sabia quem era o responsável, mas ninguém conseguia provar.
Federal, sem o saber, faria sucesso como controlador de tumultos. Multidões dispersavam-se sem cassetetes e jatos d'água; ônibus esvaziavam-se na primeira parada, incluindo o motorista e cobrador; filas de banco dissolviam-se em passes de mágica, acompanhadas da fuga de escriturários e gerentes.
Foi detido várias vezes. Em todas foi solto sem habeas-corpus, por protestos uníssonos de presos antigos e delegados de todas as idades. Foi acusado de perturbação à ordem pública, atentado violento à vida, ameaça de genocídio. Em todos os casos, os inquéritos restaram inconclusos por abandono dos Meritíssimos e do Ministério Público. Suas excelências não suportavam conduzir o interrogatório.
O caso do Federal assumiu proporções científicas.
O Ibama encomendou um estudo à UNB sobre a composição maléfica dos gases, suspeitos de exterminar espécies de marimbondos do cerrado. O laudo químico apontou 95% de gás sulfídrico, 3% de anidrido sulfúrico e o restante distribuido em gases poucos nobres, derivados diretamente de putrecina e cadaverina.
Bem que o Ministério da Saúde tentou utilizar a formulação no combate à dengue, mas a pretensão esbarrou em algum parágrafo do artigo 5º da Constituição, que nem sei bem qual é, mas que garantia o direito autoral. Difuso e confuso esse direito. A propriedade da invenção seria da mãe. A produção, do Federal. A quem pagar os royalties? Salvaram-se, assim, os mosquitos.
Mais afeito às luzes dos holofotes e à escuridão dos cofres-fortes do que à diplomacia, um deputado elaborou uma moção ao Pres Lula sugerindo barganhar o Federal nas discussões do protocolo de Doha. A ameaça seria colocá-lo no cargo de adido ambiental na embaixada em Washington, apesar dos protestos inevitáveis do embaixador em particular e do Itamaraty em geral.
A CIA soube do plano. Preventivamente o informou a Bush, que mandou Condolezza ligar para o Lula e protestar. Guerra química não vale.
Assim Federal levava a vida. Bufando. Um arrasa-quarteirão ambulante.
Passou num concurso em primeiro lugar, pois os demais concorrentes fugiram da sala. O fiscal também escafedeu-se, mas do fato somente o Federal foi testemunha. Foi empossado.
Na repartição em que trabalhava, após protestos e ameaça de greve desde a primeira hora, resolveram confinar Federal na sala da xerox, à prova de vazamentos. Isso foi o fim do Federal.
No final do dia, explodiu. Antes mesmo de morrer asfixiado.
Ontem foi o velório do sapato dele. Única peça que sobrou.

quarta-feira, junho 13, 2007

Bolivarianos Sem-Terra

E o Ibama continua em greve. Ainda bem. Esse instituto faz menos mal ao Brasil quando está inativo do que em atividade.
Vá lá, são mais de 150 processos de licenciamento que estão parados. Boa parte relativos à energia. Ainda assim é mal menor.
O governo, em sua fraqueza de tomar decisões, resolveu dividir o Ibama em dois, na expectativa de enfrentar metade dos problemas atuais. Ledo engano. Pela característica autocrática de seus servidores, terá problemas em dobro. Fosse um governo com índole decisória, pura e simplesmente extingüiria esse apêndice de ONGs e concentraria as atividades de licenciamento ambiental no Ministério de Meio-Ambiente, sempre que ultrapassassem a competência dos Estados. Mas é um governo covarde na hora de decidir.
Essa covardia ultrapassa fronteiras. Continua bajulando Chavez, como se o coronel-ditador fosse pelo menos estadista.
O resultado vê-se no atual encontro anual do Movimento dos Trabalhadores(?) Sem Terra. Sabem quem é o ídolo atual do movimento? Nada menos que o bolivariano - saiba-se lá o que isso significa - Hugo Chavez, pelos elogios que tecem à sua política socialista.
Tão socialista que, ao pedir aos venezuelanos que fizessem doações ao Estado, ele mesmo dispôs-se a doar U$ 250 mil, certamente oriundos da poupança amealhada com seu salário de oficial venezuelano. Aliás, a Venezuela vive o socialismo dos apaniguados, igualzinho à antiga União Soviética. Até o irmão do bolivariano navega nas águas da fortuna, seguramente obtida em remuneração a suas atividades de guerrilheiro na década de 80.
Claro que melhor seria praticar uma política fiscal com a renda do petróleo e que permitisse à Venezuela sair do patamar inflacionário superior a 20% aa e crescesse. Mas isso significaria abandonar a imagem populista; abrir mão de utilizar a exportação e gasolina a 3 centavos de dólar o litro como propaganda bolivariana, etc.
Fico pensando se o agitador Stédile se candidatasse à presidência da república. Claro que é uma mera hipótese, pois ele recusa-se a tomar o poder pelo voto.
Seria diferente do tragicômico ditador? Acho que o Stédile seria a versão tupiniquim de Chavez.
Seja como for, a serpente está botando seus ovos também em terras brasileiras.
Enquanto isso, o indeciso governo brasileiro continua apregoando Chavez como um parceiro.

quinta-feira, junho 07, 2007

Reverências e Rapapés

Como minha diplomacia vai pouco além de meu umbigo, posso estar sendo um dinossauro na capacidade de manter relacionamentos. Por isso mesmo, não consigo entender algumas ações do Itamaraty e do próprio Lula.
Chavez meteu o nariz num vespeiro ao atacar uma instituição nacional, gostemos de seus componentes ou não. Mas a instituição Congresso Nacional é importante para o Brasil desde antes de sua independência. A instituição merece respeito.
No primeiro instante, chamar às falas o representante da Venezuela para explicar o acesso verborrágico do bufão foi a atitude correta.
Porém, ontem, o rotundo ditador agradeceu a Lula e ao Itamaraty declarações que teriam sido prestadas à imprensa inglesa, afirmando que ele, o ovo da serpente, não representava um perigo e que era, antes de tudo, um parceiro.
Agradeceu também ao PT e ao MST as moções de apoio.
Que a figura do Lula é maior que o PT não há dúvida. Mas será que o PT estaria repercutindo instruções recebidas do próprio Lula?
Que o MST, movimento político desestabilizador, tenha apoiado Chavez, entende-se. Para esses criminosos, qualquer ataque a qualquer instituição soma a seu ideário para ocupação do poder.
De forma geral, a condução da política externa pelo governo Lula tem buscado objetivos nacionais relevantes. Considero mesmo que é um dos pontos altos de seu governo.
Mas a tibieza no enfrentamento, quando necessário; a timidez na resposta aos ataques e o alinhamento subalterno a um ditadorzinho de meia-tigela, isso, não consigo entender.
Ou está fazendo o mesmo jogo de Chavez, com uma desfaçatez de vilão de novela, ou esses rapapés são mero jogo diplomático de ataque velado nos bastidores e cumprimentos ostensivos, ou pura e simplesmente refletem o irrealismo no julgamento crítico das ameaças que o farsante caribenho representa à soberania nacional e aos interesses brasileiros.
É bom agirmos para reduzir Chavez à sua verdadeira insignificância, pelo perigo que pode representar.
Sem palanques, reverências ou rapapés.

terça-feira, junho 05, 2007

Renan - Também Quero

Não sei. Não conheço o autor; desconheço o jornal. Passo, portanto, o peixe do jeitinho que recebi.
Ma, si non è vero, è bene trovato, como se diz em Garibaldi.

"Quinta-feira, 31 de Maio de 2007, 00h01 WALTER NAVARRO - Jornal o Tempo-BH

Não basta ser pai, tem que ser Renan.

Quem tem fama deita na Gautama. Por isso eu não compraria um submarino usado do Renan Calheiros, mesmo porque minha carteira de habilitação venceu em 2002.
Todavia, acho uma covardia o que estão fazendo com o presidente do Senado. No fundo, bem no fundinho, tudo isso não passa de inveja do pênis: ilações, ignomínias e complô das elites. Querem o quê? Que Renan seja condenado à morte como o corrupto funcionário chinês ou que se suicide como o ministro japonês corrupto? Daqui a pouco vão dizer que o Renan mandou fechar o SBT da Venezuela... Se bem que, pra acabar com o ?Domingão do Faustão?, eu cortaria a concessão da Globo.
Afinal de contas, o que fez de mais Renan, o Menestrel das Alagoas? Nada! Seu pecado foi ser fervoroso católico. Não usou camisinha, nem fez aborto... E não sejamos hipócritas. Que atire a primeira pedra quem nunca engravidou uma jornalista bonita e gostosa que queria se dar bem na vida trabalhando deitada. E vocês viram a cara da mulher (patroa) do Renan? Para definí-la, só incorporando o Clodovil: horrorosa! Um bagulho! Mais feia que a necessidade correndo atrás da mãe pelada!
Se ela fosse minha mulher, eu engravidaria não só a jornalista Mônica Veloso, mas o Caetano Veloso, a Maria Bethânia, Dona Canô, Gal Costa, Gilberto Gil, ACM e todos os santos da Bahia! Quando eu crescer, quero ser filho do Renan Calheiros. O problema é que eu ia querer ser bebê a vida inteira, pra ficar mamando naquela beleza de jornalista, orgulho da raça.
Esta Mônica Veloso Lewinski é um gênio! Ao perceber que jornalismo não dá dinheiro, tratou logo de dar... Dar... Digamos... Dar um jeito, mas um jeitinho bem gostoso no salão oval do Senado, onde Renan, inimigo de Onan, não só acendeu, como apertou, fumou, tragou e emprenhou.
Sem querer, Mônica ensinou o caminho das pedras para suas colegas de profissão. Se eu fosse jornalista, mulher, bonita e gostosa eu sairia dando meus jeitinhos por aí ao primeiro senador que aparecesse. Deputado também serve, mas só se for da base aliada.
Minha única saída é inventar que sou filho do Renan. Falsificar umas certidões, umas ideologias e, de quebra, umas carteirinhas da UNE pra ver filme de mulher pelada com meia-entrada... Deve ser ótimo ser filho do Renan Calheiros...
Já me imagino encontrando com ele, nos corredores de Brasília, correndo, abrindo os braços e gritando, sem medo de ser feliz: ?Papai!?. E minhas festinhas de aniversário? Eu ia ganhar tanto presente quanto o filho do Michael Corleone, no ?Poderoso Chefão 2?: um caminhãozinho cheio de euros (dólar é dinheiro de pobre, de cueca), um banco imobiliário de verdade, uma conta no exterior e uma ponte inacabada ligando o nada a lugar nenhum, quer dizer, Alagoas ao Maranhão.
Sem falar nos mimos dos empreiteiros pra eu vender quando precisar de um bom advogado, como o Kakay e o Márcio Thomaz Bastos."

sexta-feira, junho 01, 2007

Barra de Cereais

Ontem, em reunião da CPI do Apagão, foi ouvido o presidente da Gol, o empresário Constantino Jr.
Ontem, em reunião da CPI do Apagão, foi ouvida mais uma pérola de um deputado despreparado.
O Dep Vic (DEM-PA) questionou o Constantino, em uma audiência sobre os problemas do tráfego aéreo, com foco no acidente ocorrido com aeronave da empresa, se não era possível a Gol oferecer alguma outra opção de serviço de bordo além de barrinhas de cereal.
Entendo que o nobre aparelho digestivo parlamentar já esteja saturado de barrinhas. Entendo que, no seu vai-e-vem a nossas custas, preferisse comidas mais compatíveis com sua nobreza republicana.
Entendo até que, revoltado com a dieta de bordo, resolvesse levar própria matula em sua pasta executiva. Galinha com farofa, que fosse. Embora pense que o nobre deputado pretende mesmo é viajar, não matar a fome.
O que não entendo é ocupar tempo de uma reunião, que deveria ser séria, para questionar a filosofia operacional da Gol, concebida como uma empresa dita "low fare".
Recebeu a resposta que merecia. Constantino disse que estudaria substituir as barras de cereal por barras de cupuaçu, atendendo a nobre intenção do parlamentar paraense em fomentar a economia de seu estado.
Assim, nos serve a carapuça das condolências formuladas por Chavez ao povo brasileiro, por ter um Congresso aquém de sua estatura.
O bufão venezuelano atacou o Congresso brasileiro, taxando-o de lacaio de Washington.
No entanto, mesmo com essa avaliação imbecil, com uma ingerência indevida, com essa agressão idiota, o inconseqüente ditador disse-nos uma verdade.
Merecemos coisa melhor.