FregaBlog

quinta-feira, setembro 27, 2007

Assassinos Verdadeiros

Ao que parece, a autoria do assassinato dos dois meninos na Serra da Cantareira em São Paulo foi desvendado.
Ao que parece.
Um marginal, já condenado por homicídio e atentado violento ao pudor teria confessado a autoria, consubstanciada por indícios fortíssimos que incluem a fotografia das vítimas em seu celular.
A gana da sociedade fica, assim aplacada. Não fica a dor a família, mas essa é minoria.
Engana-se, porém, quem pensa que o assassino é esse bandido.
O verdadeiro assassino perfilha-se nas hostes do exército de psicólogos que vendem à sociedade o conceito da recuperação desses psicopatas.
Encontra-se nas hordas de advogados de porta de cadeia, que vivem do crime igualmente aos criminosos, sempre em busca dos artifícios legais que permitam sua liberdade, mesmo que honorários sejam pagos com o fruto do próximo assalto.
Assassinos são os congressistas que insistem em fazer leis benevolentes. Verdadeiros assassinos são juízes de varas de execução criminal que concedem benefícios sem avaliar o risco à sociedade.
São assassinos os líderes de ONG que só sabem ver violência policial na repressão a bandidos. São assassinos também os responsáveis por editorias de jornais que insistem em divulgar as ações dessas ONG, tipo Viva Rio, e dar cobertura a passeatas de pombinhas brancas afirmando que são da paz.
Somos todos nós assassinos pela omissão em não exigir pena capital para esses carrascos. Por acreditarmos nessa conversa mole de criminalistas e cientistas sociais de que o aumento da criminalidade é uma doença social. Doença social é nossa passividade, não a impunidade.
O autor confesso, recluso em Franco da Rocha, estava gozando de regime especial semi-aberto, com direito a passar os fins-de-semana em casa. Ou assassinando adolescentes.
Para essa corja de pollyanas, tanto faz.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Trilogia da Revolta III

Concluindo a série de textos sobre o assunto esfacelamento do Brasil, transcrevo texto de Adriano Benayon (benayon@terra.com.br), Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento”. Editora Escrituras: http://www.escrituras.com.br/
É mais um pensador discorrendo sobre a traição ao Brasil que está sendo conduzida.
Fica-me a dúvida. Haverá tantos traidores no seio da Polícia Federal que aceitariam conduzir essa repressão?
Restarão tantos traidores no conjunto das Forças Armadas que aceitariam o vil papel de trair sua Pátria, quebrando seu juramento maior de defendê-la e preservando suas carreiras com o pretexto da obediência?
Com que olhar encararão seus filhos e a história?
Está claro para mim que, eclodindo ou não uma reação armada ao propósito dos traidores, o resultado final será próximo.
Sem reação, os traidores tem campo limpo para a internacionalização pacífica. Com reação, a internacionalização será concretizada por "forças de segurança".
De qualquer forma teremos perdido Roraima. Mas não a dignidade.
Afinal, ao Rei (ou à Lei) tudo. Menos a honra.

"Não ao desmembramento do Brasil

Tem tido repercussão – embora a mídia não toque no assunto - matéria publicada pelo Movimento de Solidariedade Ibero-Americana (MSIA), em 19 do corrente, sobre preparativos do ministro da Defesa para expulsar brasileiros não-índios da região da Raposa Serra do Sol, em Roraima, situada junto às fronteiras com a Guiana e a Venezuela.
A ação da Polícia Federal seria para este mês, com a participação de 500 agentes federais, prevendo-se resistência armada da população local. Trata-se de operação de natureza militar inexeqüível sem a participação das Forças Armadas.
Ora, não pode estar de acordo com tal violência quem quer que respeite seu País, como é o caso do general Maynard Santa Rosa. Ele declarou que o Exército não recomenda a invasão. Foi, por isso, demitido do cargo de secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa. Em 04 de setembro, O Globo publicara declarações do General de que as Forças Armadas resistem em dar apoio à Polícia Federal para a retirada dos brasileiros.
Ademais, por terem também posição desfavorável à intervenção na Raposa do Sol foram substituídos de seus cargos o Diretor-Geral da ABIN e o gerente da ABIN em Roraima.
A matéria do MSIA alude à inquietação que se aprofunda nas Forças Armadas brasileiras, sendo iminente grave crise institucional se a presidência da República insistir em atribuir-lhes a desonrosa missão. É o caso de evocar a petição do Marechal Deodoro à Princesa Isabel de que liberasse o Exército da inglória tarefa de capitão do mato na perseguição a escravos foragidos.
Hoje querem envolver as Forças Armadas em ação de guerra contra brasileiros que defendem o direito de ficar nas terras em que vivem e trabalham legalmente há dezenas de anos. É difícil conceber afronta mais grave ao povo brasileiro e deslustre maior para as Forças Armadas.
Os índios da Serra do Sol são aculturados, muitos têm cartão de identidade e título de eleitor. Alto percentual, e majoritário entre os macuxis, a principal etnia, é contrário à separação do território. Esta é imposta por entidades estrangeiras a serviço dos donos do poder mundial, ávidos por monopolizar a fabulosa riqueza mineral do subsolo da área. É de notar, que, em abril de 2005, a retirada da população “não-índia” por agentes federais foi obstada por índios. Expulsar moradores de suas terras, porque não são índios, constitui crime de tipo nazista. É agir em conformidade com o princípio racista. É violência combinada com discriminação racial, além de odiosa, inacreditável em razão da grande mestiçagem.
Que pretendem fazer? Como vão definir quem é índio? Fazendo exames de DNA? Ou julgando não-índios os que se consideram brasileiros?
Aí está. Querem que o Exército faça derramar muito sangue para separar do território nacional mais uma região estratégica. Ora, isso é crime tipificado no Código Penal Militar. Diz o art. 142 do CPM: “Tentar: III – internacionalizar, por qualquer meio, região ou parte do território nacional. Pena – reclusão, de quinze a trinta anos, para os cabeças; de dez a vinte anos para os demais agentes.
Os envolvidos na preparação do genocídio e os desinformados alegam que não há cessão de território e que a Constituição prevê reservas indígenas. Mas só não vê a ação de potências hegemônicas na região quem não se quer informar. Há farta documentação sobre as atividades de ONGs e de outras entidades que desviam para o exterior preciosos recursos minerais em várias partes da Amazônia. Fazem-no antes mesmo de se acabar oficialmente com a jurisdição brasileira sobre os territórios saqueados. [1]
Uma das razões de não se evitar a pilhagem é a míngua de recursos do Orçamento para as FFAA. Mais de 2 trilhões de reais, em valor atualizado, desde 1988, foram gastos com o serviço da dívida pública formada pela capitalização de juros absurdamente altos. Ver: http://paginas.terra.com.br/educacao/adrianobenayon/
Para quê, senão para assegurar em definitivo a continuidade da pirataria, demarcar, em faixa contínua, mais uma reserva “indígena”, exatamente sobre subsolo dos mais ricos do Planeta, numa área cujo tamanho está em gritante desproporção com a diminuta população indígena?A Raposa do Sol tem 1.747.000 hectares, ou seja, 17,5 mil km2 quadrados, e 18.700 índios: um por km2. No pretenso território ianomâmi, destinaram-se a 8 mil índios, em Roraima e no Amazonas, 9,4 milhões de hectares (94 mil km2), formando, com a área contígua da Venezuela, um território de 180 mil km2.[2]
Cometeram também o crime cominado pelo Código Penal Militar os responsáveis pela portaria, no governo Collor, que criou a reserva “ianomâmi.”
Como informou Sebastião Nery (Tribuna da Imprensa 24.06.2006), há um "governo ianomâmi no exílio, presidido por um norte-americano de Massachusetts, com Parlamento de 18 membros, sob a presidência de um alemão; do tal governo, faz parte um índio, dito brasileiro, chamado Iacota”. E: “O saudoso embaixador Geraldo Nascimento e Silva ‘localizou em Londres um escritório que coletava recursos em nome dos ianomâmis, recém-emancipados (sic), para promover a causa indígena’ ".
Agora, em 12 de setembro de 2007, a Assembléia-Geral das Nações Unidas aprovou a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, adotada em 26.06.2006 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.
A Declaração diz, no art. 3º, que “os povos indígenas tem direito à autodeterminação e, assim, a determinar o seu status político”. Isso implica que podem escolher fazer parte do Estado que quiserem e/ou declarar sua independência formal, outro modo de anexação de fato por potências hegemônicas.
Que outras áreas “indígenas” já tenham sido criadas, não desonera os responsáveis pela demarcação da Raposa do Sol. Ao contrário, o crime é ainda mais grave. Por duas razões. A primeira é que a repetição consolida o abandono da soberania nacional, princípio basilar da Constituição.
A segunda razão é que a entrega não ocorrerá sem o emprego das Forças Armadas do País contra seus próprios nacionais. Pergunta-se: é legítimo cumprir ordem contrária às bases da existência nacional, como a soberania, a integridade do território e a dignidade das Forças Armadas?

[1] Uma das razões de não se evitar a pilhagem é a míngua de recursos do Orçamento para as FFAA. Mais de 2 trilhões de reais, em valor atualizado, desde 1988, foram gastos com o serviço da dívida pública formada pela capitalização de juros absurdamente altos. Ver: http://paginas.terra.com.br/educacao/adrianobenayon/

[2] Cometeram também o crime cominado pelo Código Penal Militar os responsáveis pela portaria, no governo Collor, que criou a reserva “ianomâmi.”

Trilogia da Revolta II

Nesse texto, ao que consta elaborado por um General da reserva, pode-se perceber que a revolta está próxima do conflito.
Erra o General ao atribuir a culpa à esquerda. Ainda não conseguiu desvincular seu raciocínio de uma polarização esquerda/direita. Melhor diria tratarem-se de crimes de lesa-pátria patrocinados por traidores, sem interessar seu conteúdo ideológico, caso o tenham.
Se a dita esquerda cantava a Internacional Socialista como hino, a chamada direita promoveu a efetiva internacionalização como propósito, fenômeno a que eufemisticamente chamaram globalização.
Se uma pugnava pela união de classes "trabalhadoras" perpassando fronteiras, ou outros implantaram a extinção das fronteiras para o capital.
General, traidor da Pátria é traidor. Tanto faz estar formulando esse processo denunciado; conduzindo as ações do Estado nesse sentido ou ser conivente com ele; estar sentado à direita de Deus-Pai ou servir-lhe o cafezinho.
Prescinde de outra qualificação ou de qualquer classificação. Traidor é traidor. E pronto!
O que pode parecer um desabafo interna-corporis é uma denúncia gravíssima.
Como responderemos? Não sei! Com armas ou com protestos escritos? Ou com palmas ou conformismo?
Estaremos preparados para o despojamento pessoal em pról do Brasil? Estaremos dispostos a tornarmo-nos foras-da-lei perpétuos, nos termos da Constituição em vigor, em defesa de uma lei muito maior, refletida na responsabilidade de passarmos a nossos filhos um Brasil íntegro em seu território e justo em suas relações?
Quereremos pagar o preço de sermos mortos e vilipendiados para sermos reconhecidos (talvez) só pela posteridade distante?
É uma dúvida pessoal que tenho.
Bem, aí vai o texto do general Azevedo.

"HAVERÁ CHORO E RANGER DE DENTES

Quando alardeamos que a credibilidade do Exército Brasileiro (EB) junto à Opinião Pública é elevadíssima, não posso evitar um muxoxo. A do magnânimo e loquaz Presidente também é. A do Congresso Nacional é baixíssima e, no entanto, nada, absolutamente nada, inibe os desmandos e as mazelas perpretados naquele prostíbulo da moral. Pelo contrário, seus membros acumulam benesses e poderes na razão direta de suas patifarias.
Destarte, aquela avaliação positiva deve, no mínimo, incomodar e inquietar a esquerda, que claramente tem procurado envolver o EB em questões, claramente, de responsabilidade exclusiva de outros Órgãos. O caso da Segurança Pública ostensiva é um deles.
Assim, nada melhor para infernizar a vida da Instituição, do que mergulhá-la em situações esdrúxulas e antipáticas, como é o caso que se desenha em Roraima, que promoveu a galope, a defenestração do General Santa Rosa do Ministério da Defesa.
Roraima é um verdadeiro caldeirão do diabo, patrocinado às expensas do Poder Executivo que, arbitrariamente, decidiu pela retirada dos brasileiros não-indígenas da Reserva Raposa Serra do Sol. Decisão forjada ao arrepio da própria população local, inclusive indígenas.
Pela indignação dos prejudicados, que são muitos, é provável que se oporão às medidas policialescas previstas pelo governo, com o emprego da Polícia Federal, que após uma ação inicial e certamente fugaz, deverá repassar o prosseguimento e a manutenção das operações para o EB, obrigado a conter nacionais, humildes plantadores de arroz, em sua maioria, num “imbróglio” pleno de equívocos (?) acobertados por decisões questionáveis.
O envolvimento do EB, previsível no contexto, e que pode ser antevisto como uma engenhosa decisão do governo, é apoiado com fervor pelo ardiloso Ministro da Defesa, que estará no topo das decisões e, portanto na mídia, como é do seu gosto e regalo. Preferencialmente, fardado - isto é, se tudo der certo.
Em paralelo, passo a passo, sem descanso, a esquerda e seus acólitos vão afastando as poucas vozes dissonantes do seio militar, e que ainda possuem a coragem de denunciar o que poucos sabem. Assim, à sua feição, o monumental e espalhafatoso Ministro da Defesa vai edificando um novo Ministério: submisso e pusilânime.
Adeus, General Santa Rosa, adeus, General Bini, adeus Coronel Gélio Fregapani e bem-vindo Ministro? Secretário? Mangabeira Unger (agora “planejando” no prédio do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, após ordem para o Exército acolhê-lo e ao seu séquito, naquelas dependências).
Por ora, de olho no futuro, cumpre repetir o antigo, mas atualíssimo dito, “Ai dos vencidos”, principalmente daqueles que, sem dignidade, tal qual cachorro sarnento, rabo entre as patas, lambem as botinas de seus “donos”.

Brasília, DF, 20 de setembro de 2007

Gen. Bda RI Valmir Fonseca Azevedo Pereira"

Realmente, os três Poderes Nacionais se equilibram: os calhordas, a desfaçatez e a parcialidade estão distribuídos entre eles em copiosas e harmônicas quantidades.

Trilogia da Revolta I

O texto que recebi e aqui neste espaço divulgo, foi atribuído a Arnaldo Jabor.
Faz sentido com outros textos de sua autoria.
Talvez peque somente em não lembrar que também são gaúchos tipos como Bento Manuel Ribeiro e Nelson Jobim.

"DE ONDE VIRÁ O GRITO?

Num texto anterior introduzi o conceito de "Ressentimentos Passivos". Para relembrar, lá vai um trecho: "Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos? Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam "que horror". Sabem do roubo do político e falam "que vergonha". Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam "que absurdo". Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem "que baixaria". Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram "que medo". E pronto!
Pois acho que precisamos de uma transição "neste país". Do ressentimento passivo à participação ativa.
Pois recentemente estive em Porto Alegre , onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém. No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa. Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra! "Como a aurora precursora / do farol da divindade, / foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade " .
Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem.
Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é "comunidade". Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo. Sabe como é que os "ressentimentos passivos" se transformarão em participação ativa? De onde virá o grito de "basta" contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo.
Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem "liga". Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes.
Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa "liga". A mesma que eu vi em Porto Alegre.
Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo.
Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles.
De minha parte, eu acrescentaria, ainda: "...Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra..."
Arnaldo Jabor "

quinta-feira, setembro 20, 2007

Brasil, mostra tua cara.

Tenho me recusado a acompanhar os noticiários. Essa alienação é proposital, pois cheguei à conclusão de que assistí-los estava a me alienar muito mais.
O enraivecido bombardeio a Renan (que de santo nada tem), conduzindo a opinião pública de forma irracional sobre provas inexistentes e indícios frágeis. Certamente o jornalismo investigativo poderia ir muito mais longe do que foi, mas em cima de fatos congruentes com a acusação. Queriam acertar no periquito mirando no papagaio. Era pra não acertar mesmo.
A manobra da base governista ao impedir a quebra dos sigilos de Carlos Wilson, ex-presidente da Infraero e com histórico de uma gestão controvertida, segundo o não menos controvertido TCU. Não há outra explicação além de esconder a imundície da qual certamente se beneficiou.
A campanha publicitária projetada pelo Ministério Público, com a utilização de out-doors divulgando o montante dos valores das causas ganhas pela União. Ora, até eu que sou mais bobo, pudesse dispor de milhares de advogados com salários mensais próximos a R$ 30 mil também ganharia 99% das ações que movesse contra quem quer que fosse. Até contra a União, ONU ou o Papa.
O ataque ao mico Zuanazzi, presidente de uma equipe formada politicamente por interesses políticos e não técnicos, ao invés de denunciar o cerne do problema: o modelo falido ao nascer das agências desreguladoras.
O cavalo de batalha sobre a CPMF, cuja extinção nunca será sentida, ao invés de buscar uma solução sobre a tão falada e mal resolvida reforma tributária, essa sim capaz de promover a redução da carga incidente a todos os segmentos da sociedade. Porque não desoneram a cesta-básica, por exemplo, cujo efeito seria sentido diretamente pela população? Embora não haja impostos federais diretos, os estados ainda as tributam com alíquotas que variam de 8 a 17%.
As repetidas cenas das guerras civis carioca e paulista, sem tocar no fato de que resultam diretamente das atitudes boazinhas de descriminalizar o uso de drogas; do Estatuto da Criança e do Adolescente; do Estatuto do Desarmamento e da excessiva benevolência de magistrados, amparados no Código Penal e no Art 5º da Constituição. Bando de Pollyanas.
As estatísticas de aumento de mortes no trânsito desconsiderando a irrealidade do atual código, pintado à sua promulgação como solução definitiva para impedir esse morticínio mas que só criou, de fato, uma burocracia barroca; uma cultura da multa como expiação para tudo e a efetiva gordura trans, com a criação de centenas (ou milhares) de cargos nos Detrans, Denatran, Contran e outros trans.
Um exemplo dessa imbecilidade está na aplicação de multa como transgressão leve para o proprietário que não atualizar seu endereço. Aí fico pensando: há milhares de cadastros dos cidadãos. Será que não poderiam importar esses dados pelo menos de um deles? E mais. No momento em que essa multa seja aplicada, cessará a obrigação de atualizar o endereço ou, pelo menos, nova multa será impeditiva, dado que ninguém pode ser punido mais de uma vez pelo mesmo fato. Ou seja, idiotice completa.
A institucionalização do racismo, que me torna cidadão de segunda classe. O ufanismo inútil, tão bem representado pela euforia quase histérica de tipos como Galvão Bueno. As filas intermináveis. A exclusão dos que não têm como pagar um plano de saúde, que por sua vez também são excludentes, amparados na lei. Os artifícios para aumento de tarifas, sem suporte nos contratos de concessão, como os da telefonia fixa. Trabalhadores sem-terra que conseguem ficar fora de suas hortas e lavouras, sem trabalhar, por 60 dias. Trabalhadores? Livros didáticos escritos para nada ensinar, não privilegiarem o estudo e o desenvolvimento crítico e compostos para um público de faculdades mentais reduzidas. Exceto nos aspectos ideológicos.
A trambicagem. A picaretagem. O subterfúgio. O faz-de-conta.
Ou uma população séria, batalhadora, aguerrida e valente que, apesar do noticiário, constrói, produz, trabalha, dedica-se e mantém esperança apesar de tudo.
Brasil. Afinal, qual é a tua cara?

quinta-feira, setembro 13, 2007

Repartindo o Butim

Calheiros foi absolvido no plenário do Senado. Era previsível - talvez até justo - embora não tenha fama de santo e de santo nada tenha.
Na realidade, as provas sobre a utilização de recursos da Mendes Jr para manter fechada a boca de Mônica eram frágeis. E sobre isso residia o processo por falta de decoro.
Todo o resto não tem ligação com a vida parlamentar. Se Renan foi suficientemente trouxa para se envolver com conhecida figura de bastidores e alcovas, pelo que dizem em Brasília, azar o dele. Se os pagamentos eram efetuados por um amigo cúmplice e confidente, problema dele.
Renan evitou o quanto pode tornar público seu affair, não só pelo aspecto político mas também pelo familiar.
Porém, do triste episódio, houve uma polarização para angariar a simpatia popular, com o conseqüente lucro político. E só isso.
Na realidade, em nada interessava à situação ou à oposição que Renan fosse cassado. Os dois grupos tinham medo do day after.
Para a situação, Renan não é um aliado fiel mas um interlocutor que mantém a chantagem política sob controle. Com Renan, os preços em cargos e influência são pagos a poucos. O novo presidente poderia adotar outra postura.
Para a oposição, o temor de um novo presidente efetivamente governista a condicionar a agenda do Congresso poderia ser um retrocesso em suas ambições eleitorais.
Fizeram, então, os líderes da oposição, seu jogo de cena. Em público, prolongaram a sangria, defenderam a cassação e até fecharam questão no voto. E poderiam ainda jogar a responsabilidade pela absolvição sobre as costas da situação, fazendo-lhe pagar a fatura política.
Com isso posaram de vestais da moralidade, em consonância com a opinião pública já devidamente bombardeada por alguns meios de comunicação. Dependesse da opinião pública, refletida na imprensa, não haveria sequer julgamento. Condenação sumária!
Para a situação, defender a mesma bandeira da oposiçao significaria o rancor eterno de Renan, considerando que continuaria, de qualquer maneira, a presidir o Senado, pois todos sabiam que não seria cassado pelos fatos apontados. A situação tem minoria no Senado e Renan se consideraria traído por ela.
Em termos de estratégia política, a oposição, conduzida pelo novo PFL e pelo PSDB, foi de uma competência ímpar. Encurralou o PT e seus aliados, jogou-os contra a opinão pública e terá uma fatura eleitoral para cobrar por muito tempo, atribuindo àqueles a responsabilidade pelo julgamento com cores de impunidade.
Não foi por outro motivo que a maioria absolveu Renan.
Sua cassação quitaria essa fatura.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Agachadinhos

Dizem que foi uma graça. Autoridades abdicaram da pompa e arrogância e mergulharam em direção ao chão do trem assim que perceberam que os pipocos não eram foguetes de cabos eleitorais a lhes saudarem, porém tiros de AR15.
Na comitiva alvejada estava o Min Márcio Fortes e Secretários Nacionais, além da imprensa, autoridades menores e o indefectível séquito de puxa-sacos.
Que dignidade do cargo, que nada! Prevalece a teoria de que é melhor um covarde vivo do que um valente morto, aforisma que tem assegurado a sobrevivência física e política de tantos.
O Governador Sérgio Cabral, ao ser informado de que na favela do Jacarezinho ele não governa, mudou a agenda, arrumou compromisso ou uma dor de barriga, sei lá, e escafedeu-se da comitiva.
Não é de hoje que a categoria dos políticos profissionais mostra sua covardia. São covardes quando prevaricam e enriquecem à custa de escolas; são covardes quando compactuam com a prevaricação dos outros em prejuízo de hospitais, programas governamentais, infra-estrutura. São covardes quando aliam-se a governos pelo benefício de serem aliados e usufruírem de parcela do poder; são covardes quando mentem nas campanhas num verdadeiro estelionato eleitoral; são covardes quando escudam-se no voto corporativo, ainda mais secreto, para limpar suas falcatruas; são covardes quando se fazem de vítimas ao serem revelados seus mal-feitos.
Vivem existências covardes, pois deveriam servir ao público e não dele servir-se.
A covardia explícita no trem não é um episódio isolado. O próprio Márcio Fortes votou a favor do irreal Estatuto do Desarmamento, vendido como politicamente correto à população, mesmo duvidando de que bastaria estar escrito para os bandidos, gentilmente, entregarem suas AR15, granadas e lança-rojões na primeira delegacia.
São covardes e burros, com poucas exceções. Não têm a lucidez de perceber que o poder do tráfico é xifópago do consumo e que basta reprimir severamente este, ou liberá-lo, que aquele morre de inanição.
Isto me faz lembrar o assalto sofrido pela Min Ellen Gracie, Presidente do STF, no Rio de Janeiro. Rapidamente a governadora e demagoga Garotinho determinou a identificação e punição dos culpados. Em menos de 24 horas, dois defuntos na Tijuca confessaram a autoria, em episódio que passará para os fundamentos do direito penal como a confissão post-mortem.
Podem estar certos que haverá ação policial no Jacarezinho. Dois ou três mortos também confessarão e o assunto estará resolvido. Não o da bandidagem, mas da honra ministerial que restará lavada e enxaguada.
Enquanto isso, nós ficamos expostos. E eles se agacham.