FregaBlog

sexta-feira, novembro 30, 2007

Completou um Ano

Nesta semana este espaço completou um ano. Foram mais de 170 textos, numa média de quase 1 a cada 2 dias. Mais do que trabalham alguns deputados, embora esses tais não sirvam de referência laboral nem para mim, vagabundo nato que sou.
Ainda assim, tenho a esperança de que, pelo menos alguns, tenham ofertado novas idéias ou versões com lógica suficiente para motivar a reflexão e reposicionamentos pessoais no conjunto dos meus 2 ou três leitores.
Essa metamorfose é o objetivo principal de qualquer discussão de temas.
Nesse período também eu revi conceitos, em alguns casos pelos comentários recebidos.
Assim, prontos e renovados estamos, para mais um ano.
Quem viver, verá!

sábado, novembro 24, 2007

Burrice Acadêmica

O acadêmico doutor honoris causa espanhol FHCalabar promoveu uma das mais grotescas manifestações de vaidade pessoal, intolerância e elitismo inconseqüente que já se viu no contexto da política brasileira.
O governo Lula pode ser defendido ou atacado, e penso que há razões para as duas coisas. Porém o ataque pessoal e discriminatório da manifestação desse conhecido traidor, que ainda tem a cara de pau de se expor em público, foi demais.
Lula não possui formação acadêmica, FH sim. Isso não se discute, embora ele tenha tanta convicção das teses que formulou que ainda ecoa em nosso inconsciente seu mea-culpa "Esqueçam tudo o que escrevi!"
FH fala várias línguas, fato que deve até ter lhe ajudado na desnacionalização das riquezas e patrimônio nacionais, além de garantir o caviar de todos os dias e os cortes de cabelo mensais em Paris, com palestras patrocinadas no estrangeiro.
Lula não. Fala, até mal gramaticamente, o português. Para contatos internacionais, vale-se de intérpretes.
Ao invés de ufanismo, esses fatos deveriam fazer FH envergonhar-se. Se não por outros motivos, pelo menos pela constatação de que sua cultura acadêmica, se é que realmente existe, foi-lhe absolutamente inútil.
FH fez um governo ruim, incomparavelmente pior do que o atual, com muito mais inoperância e igual ou maior corrupção. Levou o país à bancarrota para reeleger-se, processo aliás, pelo que dizia a imprensa na época, aprovado com votos comprados a conhecidos mensaleiros subornados por Sérgio Motta, fato que só não ficou devidamente apurado porque a CPI proposta foi abortada por ele mesmo.
Lula, nesses 5 anos, obteve reconhecimento internacional para o Brasil sem escala comparativa com FH. Que aliás, em seu mandato, tinha seu chanceler que tirar os sapatos para inspeção pela imigração americana.
O Brasil, hoje, possui dívida externa no nível da metade de suas reservas internacionais. FH teve que recorrer sistematicamente ao FMI, de chapéu na mão, esmolando algum para sustentar o descalabro econômico que promoveu.
O desemprego caiu. A renda do andar de baixo aumentou. A taxa Selic é um terço da que FH deixou.
Quase parafraseando a fábula da hiena, afinal, FH orgulha-se de quê?

Democracia Bolivariana

O boquirroto Hugo Chávez insultou e ameaçou enviar para a prisão os religiosos que se manifestaram, em documento público, contra a proposta de mudança constitucional que será submetida a um referendo no dia 2 de dezembro. Além da ameaça de prisão, o vociferante bolivariano os rotulou de vagabundos, meliantes, aduladores, estúpidos e retardados mentais, dentre outros elogios.
Segundo Chavez, "São o demônio, defensores dos mais podres interesses, são uns verdadeiros vagabundos, do cardeal para baixo. Que rezem 100 pais-nossos e 100 ave-marias de joelhos."
Para melhor entender o destemperado ditador, a igreja católica venezuelana divulgou um documento em que critica a proposta constitucional porque "limita a liberdade dos venezuelanos, incrementa excessivamente o poder do Estado, elimina a descentralização e o governo controla muitos espaços da vida cidadã".
Não pretendo defender a atuação da igreja, até porque a Venezuela ainda é um estado laico e a igreja não é nenhum exemplo de evolução. Mas não posso desconsiderar duas coisas: em primeiro lugar, o manifesto tem toda a razão; em segundo, qualquer cidadão, do cardeal ao coroinha, do pastor ao pai-de-santo, tem todo o direito de expressar sua opinião. Isso, claro, numa democracia, sistema que está exalando seus últimos suspiros na Venezuela.
Ao contrário da manifestação inconseqüente de Lula, democracia não significa somente a ocorrência de eleições. Pressupõe a independência dos poderes, a primazia da lei, a liberdade de expressão e de opinião, dentre outros requisitos.
Isso Chavez ignora. Mantém um congresso de fachada, submisso. Promoveu expurgos no judiciário para lhe ficar simpático. Agora, com a ameaça de prender por opinião, o que exorbita a competência de um poder executivo democrático, comprova que de fato enfeixa em suas mãos o poder absoluto. E quer fazer isso também de direito, a partir do plebiscito.
Espero sinceramente que o povo venezuelano tenha suficiente juízo para recusar a proposta bolivariana. Da mesma forma, espero que o congresso brasileiro tenha visão bastante para aguardar o resultado do plebiscito chavista antes de aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul.
Ditaduras não podem aderir ao bloco.

sexta-feira, novembro 23, 2007

O Papel do Rei

O conceito de monarquia atual difere em gênero, número e grau do adotado após a Revolução Francesa, na Convenção de Viena, no começo do século XIX. Não cabe no mundo de hoje pensarmos nem em direito divino, nem em regimes absolutistas, sejam monárquicos ou republicanos.
Ao rei cabe a representação do Estado, sem atuação específica em atos de governo. Assim como num regime republicano parlamentarista.
Então, qual a diferença?
Bem, num regime republicano parlamentarista o chefe de Estado continua sendo submetido às urnas e isso todos nós sabemos o que significa. Em primeiro lugar, sua vinculação a uma corrente de pensamento político idealmente aglutinada em um partido. Em segundo lugar, participação na luta surda, às vezes suja, de uma disputa eleitoral. E a população escolhe o que lhe parece melhor, aquele quem os especialistas de comunicação venderam melhor a imagem. Não necessariamente preparado para o papel que a sociedade lhe delegou.
Numa monarquia, o rei é treinado, desde sua infância, para exercer o papel de chefe de Estado. Em situações normais, por cerca de 50 anos. E não só ele, mas toda a cadeia sucessória é treinada para exercer esse papel. Em realidade, os membros da linha sucessória são servidores do Estado desde que nascem.
O Chefe de Estado tem que representar todos os cidadãos, independentemente de coloração política ou partidária.
Conheci pessoalmente D Pedro de Alcântara, neto da Princesa Izabel, por ocasião da campanha do plebiscito, assim como seu sobrinho D Joãozinho. Não tenho qualquer dúvida de qualquer um dos dois tinha sido preparado desde menino para assumir o trono brasileiro, mesmo sabendo que essa hipótese era absolutamente improvável e proibida constitucionalmente até 1988 por cláusula pétrea.
Deles, especialmente de D Pedro com quem tive mais contato, colhi lições de visão histórica e estratégica, geopolítica, patriotismo, conhecimento humanístico e de respeito às instituições. Mas não consegui tirar uma opinião que fosse sobre algum ato de governo, mesmo considerando o momento político conturbado que estávamos atravessando.
Bem, se é assim, pra que serve um rei? Qual seu papel?
Governos são transitórios; Estados, permanentes. Todos os atos que comprometam o Estado e sua composição (território, população, cultura e soberania), tais como acordos internacionais, são submetidos ao rei. Pode o rei vetá-los? Não, absolutamente não. Mas pode tomar algumas ações como consultar a população sobre seu desejo, tanto diretamente, por um plebiscito, como dissolver o congresso e convocar novas eleições parlamentares para manter ou renovar a composição de forças das correntes de opinião.
Esse poder, in extremis, é a mais inexpugnável defesa do direito dos cidadãos. É a efetiva garantia de que a vontade da maioria será executada pelo governo, não somente prometida nas campanhas eleitorais.
Num regime parlamentar, os mandatos de governo podem ser interrompidos a qualquer momento pelo chefe de Estado. A diferença maior entre um sistema republicano e um monárquico é que neste o chefe do Estado não tem comprometimento com facções políticas e naquele é oriundo de uma facção. Ou seja, o presidente tenderá a aguardar o momento político mais favorável à sua facção. O rei não tem motivos para isso.
A monarquia, portanto, é muito mais isenta.
O Brasil teve 3 monarcas, sendo o primeiro de um reino unido. Nos mais de 70 anos de monarquia o Brasil consolidou-se a ponto de ainda não ter sido destruído por mais de 100 anos de república.
A constituição mais duradoura que tivemos foi a do império, 65 anos. Adaptou-se a todas as transformações sociais e manteve a estabilidade. E só caíu por um golpe de estado promovido por intelectuais contaminados pelo pensamento positivista de Comte. Sem apoio ou participação da população, que sequer foi consultada.
A liberdade política era tanta que nenhum ataque pessoal ao imperador , nem as cruéis caricaturas que o retratavam como "imperador-banana" foi reprimido ou contestado judicialmente. A imprensa experimentou absoluta liberdade de expressão e, no campo político, o império não considerava antagônico o fato da existência de um Partido Republicano.
Eu não tenho dúvida de que todas as revoluções republicanas, com exceção da Intentona Comunista de 1935, teriam sido evitadas com a dissolução do congresso e convocação de novas eleições. De Floriano a Collor. De Getúlio a Lula.
Exemplificando: quando FHC optou pela redução da presença do estado na economia com alienação de seu patrimônio estratégico a estrangeiros, certamente o rei teria consultado a população sobre sua concordância com tal plataforma de governo.
Entretanto, há quem afirme que monarquia é sistema ultrapassado, um retrocesso. Assim venderam à população desinformada no plebiscito de 1993.
Bem, não é o que pensam os povos da Suécia, Dinamarca, Espanha, Japão, Inglaterra e seu reino unido, Bélgica, Holanda, Noruega.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Relações Perigosas

Começam a tomar corpo as informações, antes somente sussurradas por fontes no anonimato, de que Chavez atuou como fomentador e fiador de Morales para a ocupação militar das refinarias da Petrobrás e perseguição a brasileiros instalados na Bolívia, num anchluss bolivariano.
Nessa fiança estava o apoio político, como realmente aconteceu, e os possíveis desdobramentos chegando até o suporte militar, se necessário.
Nada seria melhor para o moral bolivariano do que unirem-se no combate à única nação não espanhola do continente, a única com tradição política de transformações com estabilidade. Aos "imperialistas" que detêm mais da metade territorial do continente, da população e do PIB.
Bem, examinando esse cenário sem querer ser especialista no assunto, temos alguns indicativos.
Chavez não tem acesso ao território boliviano sem violar o espaço aéreo brasileiro ou o colombiano e peruano. O acesso terrestre não é propício, pela exigência logística e condições de terreno. No entanto, desenvolve corrida armamentista, equipando-se com armamento de última geração, inclusive para ataques estratégicos de longo alcance.
É antagônico à Colômbia e é visto com reservas pelo Peru. Conta com a simpatia das FARC, estado paralelo que orbita entre a Colômbia, Brasil e a própria Venezuela. O Equador, seu aliado, não faz fronteira nem com o Brasil nem com a Bolívia.
Como então Chavez honraria seu aval no caso de uma reação mais forte brasileira? Só em seus intermináveis discursos dominicais no Alô Presidente? Ou queixando-se a seu ex-guru e atual porta-voz Fidel?
Não creio.
A Venezuela tem fronteira terrestre com o Brasil em área já convulsionada, desprotegida e atacada por diversos movimentos internacionais representados por ONGs e, absurdo, por alienados dentro do próprio governo brasileiro.
Uma ameaça em Roraima traria para nosso território a infecção para a qual o Brasil está absolutamente despreparado. E pior, internacionalizaria esse conflito, pois adubaria o terreno para a atuação de movimentos internacionais de defesa de "populações indígenas".
Chavez está promovendo o reaparelhamento de suas forças armadas e transformando-as num órgão político. A formação das SS alemãs não seguiu caminho diferente.
A geração de incidentes fronteiriços, numa ação diversiva, forçaria o direcionamento dos anticorpos brasileiros ao local de ataque, eliminando qualquer reação à Bolívia. Que, aproveitando o ensejo, talvez resolvesse questionar o território brasileiro na margem direita do Rio Paraguai, de Cáceres até o Forte Coimbra, passando pela Serra do Amolar e as jazidas de Corumbá, sem contar o Acre que, segundo o próprio Morales, foi roubado pelo Brasil em 1903.
O Brasil não está preparado para uma atuação militar em nenhuma das frentes, quanto mais em duas.
De Lin Tzu recebe-se a lição de que, na arte da política ou da guerra, há momentos de evitar confronto, de recuar e de atacar. De escolher o melhor momento para cada uma das ações.
O Brasil, sem explicação lógica, adotou a primeira. Não só recebeu passivamente a chantagem boliviana como a aceitou, negociou seu prejuízo, lambeu as feridas e, aparentemente, acovardou-se nessa atitude.
No entanto, vista por outro prisma, a ação do governo teria neutralizado a estratégia bolivariana do confronto, evitou desgastes e cicatrizes seculares, preservou a integridade territorial e apostou de que Morales, dia mais, dia menos, recorreria à tecnologia brasileira por falta de capacitação local. E tratou de esvaziar a influência de Chavez.
Agora há outro embate em curso. Chavez quer ingressar no Mercosul para tentar amplificar suas bolivariadas em palanque mais categorizado. Antes mesmo de entrar, já declarou a necessidade de formular um novo Mercosul, construído a partir das ruínas do atual. Está encontrando dificuldades no Brasil, não oficiais pois o discurso é outro, mas de bastidores, em que não há discursos nem lealdades pessoais.
A aprovação no Congresso deverá demorar, procrastinando-a, de comissão em comissão, de plenário em plenário, até o resultado do referendum sobre as reformas constitucionais que limitarão sensivelmente a democracia venezuelana.
Se o povo venezuelano concordar com elas, o Brasil terá o argumento real para vetar o ingresso e, possivelmente seu país permanecerá fora do bloco.
Esse pode ter sido o movimento do Itamaraty no tabuleiro geo-político sul-americano.

Gordura Trans

Este blog informa: a gordura trans estatal, representada pelos detrans, contrans, conatrans e denatrans, faz mal à saúde e à cidadania.
Depois de brilhantes e aprofundados estudos, com direito à formulação de einstenianos algorítmos, talvez ainda com a atuação de alguns lobbies e, quem sabe, algum por fora, chegaram à conclusão de que é seguro reduzir para 28% a transparência exigida nas películas aplicadas a vidros traseiros.
Eu também acho. Aliás, nem é necessária a transparência traseira droga nenhuma. Fosse, todos os caminhões e furgões fechados deveriam conter um túnel ao longo de suas cargas, com visão traseira. Vou além. O próprio retrovisor interno é dispensável, considerando a existência de espelhos laterais com visão periférica.
Mas isso não impede que o mesmo Contran, que há algum tempo, em nome da segurança, determinou uma transparência mínima de 50%, com certeza baseado em estudos tão aprofundados como os atuais e, quem sabe, algum por fora, agora se contradiga.
Nesse meio tempo, muitos motoristas, mas muitos mesmo, foram multados e tiveram pontos lançados na habilitação, veículos foram retidos e, ao que se divulga, foram assaltados em centros de guerrilha urbana, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Tudo em nome da segurança. Ou, sabe-se lá, em troca de quê.
Esse ninho de incompetência, creiam, é legal. Foi parido por deputados pollyanas quando criaram o amaldiçoado Código de Trânsito Brasileiro, baseados no paradigma de que regulando nos mínimos detalhes a liberdade individual as infrações coletivas são naturalmente extintas. Na ocasião afirmaram com a certeza dos ignorantes de que acidentes e crimes de trânsito estavam com a vida contada. A realidade, 10 anos depois, mostra exatamente o contrário.
Enquanto isso, os agentes dos detrans ganham mais do que um controlador de vôo e ainda fazem greve.
A legislação de trânsito, ressalvados os aspectos regulados no âmbito dos códigos Civil e Penal, deveria ser atribuição de cada estado federado, este sim mais próximo de sua realidade local e com melhores condições de formular as políticas e controles mais adequados. Mas não, avoca-se esse assunto ao poder central que, na impossibilidade de atender as diferentes realidades locais,
tende a nivelar todas as regulamentações ao ideal, mesmo que absolutamente impraticável.
Enquanto isso, rotundas barrigas e adamastônicos traseiros assentam-se mensalmente nesses conselhos modorrentos para comer lanchinhos, tomar cafezinhos, dar tapinhas nas costas, combinar o próximo encontro e, en passant, fazer regras sem responsabilidade.
E, dizem mas eu não acredito, levar algum por fora.

sábado, novembro 17, 2007

Politicamente Correto

Está na hora de colocarmos em execução os ensinamentos da palavra politicamente correta. Não é por nada, mas os "ólogos" de plantão acham que as pessoas, minorias ou não, podem traumatizar-se até a depressão profunda e suicídio caso alguém pronuncie o termo direto em português referindo-se a sua pessoa.
Assim, presidiário passa a ser reeducando. Prisão numa das Febems, aplicação de medidas sócio-educativas. Negro, afro-descendente. Galego, também conhecido como loiro azedo, deve ser ariano-descendente. Surdo, cego ou mudo é deficiente auditivo, visual ou (?). Vesgo é de olhar convergente ou divergente, conforme o caso. Caolho, maneta e perneta, nem pensar.
Empregado agora é colaborador. Velho é avançado em idade. Jovem adulto é pós-adolescente. Prostituta é profissional do sexo. Viado, gay. Careca é calvo. Gordo, glicerídico e magro, esguio.
Político, bem, continua político pois ainda não inventaram uma expressão que abranja tantas características diferentes e divergentes numa mesma pessoa.
E por aí vai.
Por tudo isso, não esqueça. Se for à loja comprar o último CD, peça pelo do Afro-Descententezinho da Beija-Flor. Se falar Neguinho da Beija-Flor pode ir em cana.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Energia Nuclear

Chávez declarou, em visita à França, que a Venezuela pretende desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos.
Independentemente de eu considerar Chavez um perigo para a Venezuela, para a democracia e uma ameaça ao desenvolvimento pleno de povos ainda pouco politizados, não se pode confundí-lo com a Venezuela. Ainda que ele mesmo procure confundir as duas coisas.
A Venezuela tem todo o direito, até a obrigação, de prover para seu povo fontes de energia que transcendam o ciclo dos hidrocarbonetos. E, cá prá nós, o domínio do átomo não é mais perigoso nas mãos de Chavez do que nas de Bush e assemelhados.
O Brasil já desenvolve programa nuclear. E faz muito bem.
Ainda assim, a atual tecnologia nuclear tem ainda insoluta a questão do lixo atômico, com meia-vida medida em milênios. É uma fonte de poluição das mais perversas, capaz de envenenar, por centenas de gerações, lençóis freáticos e rios, terras e mares. Talvez mais perigosa do que as bilhões de toneladas anuais de CO2 lançadas na atmosfera.
Falando nisso, fico pensando no enorme fogareiro em que transformamos o planeta. Se não todas as fontes, todos os usos são térmicos. Da lâmpada à fábrica. Do carro à geladeira. Não sei se alguém já calculou os buzilhões de watts transformados em energia térmica em cada hora no planeta.
Atribuem o aquecimento global à emissão de CO2. Mas acho que estão esquecendo aquele efeito que deverá, com certeza, estar superando a capacidade planetária de arrefecimento para recomposição da energia potencial, independentemente da emissão de óxidos de carbono
Bem, isso se as leis da física não tiverem sido revogadas pelo Conselho de Segurança da ONU.
Mas acho que, revogadas ou não, o radiador do motor Terra vai ferver.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Zé das Medalhas

Segundo a agenda, Jobim agraciará hoje, com a Ordem do Mérito da Defesa, 169 personalidades civis e militares que, na opinião sei lá de quem, prestaram relevantes serviços às Forças Armadas.
Muito bem, Sr Ministro.
Quando li a notícia pensei que Jobim, do alto de seu metro e noventa de altura e circunferência, estivesse prestando o reconhecimento aos que, em detrimento de seu conforto pessoal, dedicassem-se às guarnições de fronteira. Que não fosse isso, mas pelo menos quem tivesse ao menos refletido, estudado, formulado, ensinado doutrinas ou estratégias relacionadas à defesa pátria.
Bem, admitiria ampliar o conceito. Que fossem policiais em combate diário a bandidos-terroristas, nos morros ou nos conchavos de corrupção. Mesmo que virtual, condecorassem o Cap Nascimento.
Não esperava, no entanto, a premiação do próprio umbigo, a oferenda a ocupantes de cargos que, por sua influência, pudessem negociar os interesses políticos. Bem, nada é perfeito. Fosse um ou outro mas nem tantos.
Analisem alguns dos homenageados:

Ordem do Mérito da Defesa no grau de Grã-Cruz:
Ellen Gracie Northfleet, presidente do STF; Tarso Genro, Ministro da Justiça; Guido Mantega, da Fazenda; Paulo Bernardo, do Planejamento; Jorge Hage, da Controladoria Geral da União; Roberto Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos; e o ministro de Estado da Defesa do Paraguai, Roberto Eudez Segovia.

Ordem do Mérito da Defesa no grau de Grande-Oficial:
Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto, Joaquim Benedito Barbosa Gomes e Carlos Alberto Menezes Direito, Ministros dos STF; Sérgio Zambiasi, Senador (PTB-RS); além de vários deputados federais, ministros do Superior Tribunal de Justiça e militares, entre outros

Bem, sempre pode se afirmar que defesa é um tema de interpretação tão ampla e difusa que cabe em qualquer atividade. Assim, um ministro do STF, ao interpretar e Constituição, está tendo atuação destacada na defesa das instituições; os ministros da Fazenda e Planejamento, ao descontingenciarem verbas orçamentárias para as forças armadas, estariam no mesmo caminho.
Porém, o mais provável é que essa comenda, ao invés de expressar o reconhecimento do Estado à destacada atuação de um cidadão em excedente a suas obrigações funcionais, sirva somente para lustrar o ego de autoridades, compadres e companheiros.
Deixa de ser um reconhecimento do Estado para ser um agradecimento do Governo. Maldito presidencialismo que confunde as duas coisas.
Mas se essa é a regra do jogo, pelo menos deveriam criar a categoria de condecorações transitórias.
Teriam que devolver as medalhas no fim do mandato de quem as concedeu.

terça-feira, novembro 13, 2007

Por que não te calas?

A explicação oficial é que, no discurso agressivo de Chavez acusando o ex-primeiro ministro de facista, teria ocorrido uma ofensa.
Isso é o oficial.
Claro que a casa reinante não poderia declarar que o descontrole real teria sido causado por profunda intoxicação da verborragia bolivariana, capaz de encher o saco até de São Francisco, se vivo fosse.
O gorducho ditador, habituado ao riso fácil de seu séquito de aduladores escalados para acompanhar e aplaudir seu programa dominical em cadeia de rádio e TV, com duração em torno de 8 horas e com direito à demonstração de suas qualidades musicais, cantando Adelita, fala tudo o que pensa, mas com o desequilíbrio de quem fala muito e pensa pouco.
Antes de tudo, Chavez é um chato, inconveniente e irremediavelmente chato.
A Reunião de Cúpula não era a platéia qualificada de Chavez, mas seu gigantesco ego não consegue diferenciar uma coisa da outra. Na véspera já havia excedido seu tempo em 500%, deixando 4 outros chefes de governo sem tempo para manifestação.
Estou convencido que o Juan Carlos foi o porta-voz informal de todas as delegações, excetuadas as do eixo bolivariano, que não têm voz mesmo. O grito, ou melhor, a ordem de cala a boca foi um verdadeiro tapa na cara. Bem feito! Tão bem feito que Chavez realmente calou-se, botou o rabo entre as pernas e assumiu sua inconveniência, como faz um menino malcriado surpreendido em uma traquinagem.
Com esse tapa, povo da Venezuela talvez acorde da histeria coletiva e recuse-se a aprovar a reforma constitucional chavista. Esse tapa poderá também alertar os povos submetidos a outros governos demagogos e messiânicos. Todos eles, por coincidência, com constituintes em andamento.
Talvez os alerte que constituições servem para limitar o direito dos governantes sobre os governados, não o contrário.
Talvez impeça o vexame de outros povos verem seus governantes transformarem-se em bobos da corte, serem reconhecidos universalmente como tal.
E de, murchos, obedecerem a ordem de se calar.

domingo, novembro 11, 2007

Crise Explicada

"Um forte lobby para a abertura do mercado doméstico de transporte aéreo começa a ganhar fôlego no Congresso. Projetos de lei dos senadores Tião Viana (PT-AC), presidente interino do Senado, e Gerson Camata (PMDB-ES) revogam os artigos 181 e 182 da Lei 7.565/86, o Código Brasileiro de Aeronáutica. Se aprovadas as propostas, companhias aéreas estrangeiras poderão fazer o transporte de cabotagem no Brasil." Fonte: Site do Terra 11/11/07

A aviação brasileira foi uma das pioneiras no mundo. A qualidade técnica de seus pilotos, incontestável, sendo a FAB, ao longo do tempo, um centro de formação de excelência. Grande parte dos pilotos comerciais nela tiveram origem.
Talvez por essa razão a aviação civil ficou como que subordinada à aviação militar e não obteve a independência do Estado, sendo que a comercial opera em regime de concessão ou permissão.
Isso foi bom, pois a malha aérea brasileira cobriu praticamente todo o território nacional (onde não alcançava, o Estado fazia-se presente diretamente com a FAB e o CAN.
Nesse contexto sobressaiu a Varig, com destacada posição em rotas internacionais e as companhias aéreas apresentavam bom atendimento e boa saúde financeira.
Houve, claro, situações de cunho essencialmente político, como a quebra da Panair e sua incorporação pela Cruzeiro do Sul. Houve, claro, privilégio à Varig com a exclusividade de operação das rotas internacionais brasileiras.
Mas o fato é que o setor voava sem maiores turbulências. Até o Plano Cruzado do Sarney e o congelamento de preços, não de custos.
As empresas passaram a operar com prejuízos, tardia e intempestivamente reconhecidos pela justiça.
Aí veio o Collor acompanhado de seu amigo Canhedo.
Com o pretexto de saneá-la, ao invés de reconhecerem os prejuízos causados por Sarney, privatizaram a VASP e a sucatearam, numa guerra tarifária suicida (para a empresa, não para os Canhedo). E quebraram o monopólio da Varig para as rotas internacionais.
Na guerra tarifária, afundaram a Transbrasil e a própria Varig, tudo em nome de um livre mercado. Mas que livre mercado é esse que depende da concessão pública?
Cresceu a TAM também por um privilégio. Congonhas passou a ser quase que propriedade dela e as outras tiveram muita dificuldade de estabelecer lá também suas operações em São Paulo.
Veio a Gol com um novo conceito operacional (low-fare). Cresceu no vácuo. Assumiu a falida Varig.
Tiraram o controle da aeronáutica e passaram para a Anac, mais uma das malditas agências desreguladoras.
E outra low-fare, suportada em uma agência de viagens, aventurou-se na operação comercial. Morreu na semana passada! E o Jobim das Selvas, aquele que gosta de aparecer mas, no pipoco, permanece camuflado sem nada resolver, saíu-se com a pérola, dizendo que o governo nada tem com os prejuízos causados pelo estelionato praticado pela BRA, embora ele continue dando pitacos e palpites numa área que não conhece e não é de sua competência. Continua querendo ser o chefe do aerodetran.
Essa incompetência toda reflete-se agora no Congresso, como noticiado. Querem acabar com a exclusividade das rotas nacionais serem operadas por empresas nacionais. É o atestado do descrédito na competência brasileira, nos empreendedores, nos operadores e na própria capacidade governamental.
Para quem foi um dos pioneiros no mundo, é um triste epílogo.

sábado, novembro 10, 2007

Cenários...

Foi postado um comentário a respeito do texto "Gigante Anêmico" que me fez pensar. E não consigo exercitar futurologia sem procurar desenhar alguns cenários futuros que facilitem o entendimento do presente. Partindo do princípio, lógico, que as ações sejam pensadas, como um jogo de xadrez, para levar o antagônico a determinados movimentos.
O dito comentário, se entendido ao pé da letra, levaria a considerar nossa população covarde. Se nas entrelinhas, caracterizaria nossos sucessivos governos de covardes.
Claro, isso pode ser uma realidade e o cenário futuro, nesse caso, não poderia ser outro além da desintegração nacional. É uma hipótese, mas eu a considerei primária demais para aceitá-la pura e simplesmente.
Sem dúvida, fiquei chocado com a atitude governamental de procurar a Bolívia após a facada pelas costas. Simplisticamente, poderia corroborar essa hipótese, mas alguns movimentos adicionais foram postos no tabuleiro.
Com alarde, foi requentada a notícia da descoberta das reservas de petróleo na altura de Santos. Claro que há uma novidade: o tamanho da reserva que nos transforma num dos "top ten" do time. Fato "coincidentemente" divulgado um dia antes do encontro de cúpula, onde Lula e Morales discutiriam particularmente sobre gás, com demanda interna brasileira em descompasso com a oferta.
A produção interna futura, com capacidade excedente, coloca em xeque os planos bolivianos e venezuelanos, que caminhavam para um oligopólio sul-americano. E ambos sabem que dependem do mercado brasileiro. Chavez pretendia um gasoduto. Evo nem sabe o que pretende. Mas há uma hipótese do Brasil saber.
Nesse cenário, procurar a Bolívia já não parece tão insensato assim. Se a Bolívia for antagônica agora, poderá perder seu principal mercado em curto prazo. Se negociar, não só o fornecimento de gás como também a participação brasileira na exploração e refino de petróleo, apesar de Chavez, poderá assegurar mercado para a Bolívia em longo prazo.
Esse movimento pode significar uma aproximação maior entre os dois países, com evidente reflexo na diplomacia bolivariana e na campanha eleitoral paraguaia, que também poderá se tornar menos ameaçadora à nossa posição em Itaipu.
Chavez ironiza, dado que esse movimento reduz sua capacidade de influência real, não a verborrágica, sobre o eixo que compõe a fronteira oeste brasileira.
Política externa não é luta de box e é projetada em longo prazo, já que nenhum país consegue mudar-se, trocar de vizinho.
Nesse cenário, considerando a cronologia dos movimentos nos últimos 15 dias (falta de gás no Brasil; não importação tempestiva em fontes alternativas; crise do refino de petróleo na Bolívia por falta de competência técnica; a visita do Sérgio Gabrieli à Bolívia; anúncio da reserva gigante; declaração de exploração somente em 2012, como margem de negociação; reunião paralela entre os dois presidentes no pano de fundo da Cúpula Ibero-Americana, nessa ordem), a atitude foi inteligente.
Apertou sem abraçar.

terça-feira, novembro 06, 2007

Gigante Anêmico

O rato rugiu e espantou o leão. Pior, fez o leão pedir desculpas.
O Brasil pediu arrego. Vai à Bolívia pedir permissão à Evo Morales para recomeçar os investimentos naquele país em troca do aumento na quantidade de gás fornecido. E não adianta botar a culpa nos governos anteriores.
A nossa política externa errou ao aceitar passivamente a pressão boliviana, quebrando na fala e na marra os contratos existentes. Lula só faltou pedir desculpas à Bolívia por termos investido naquele país e dotado a Bolívia com infra-estrutura necessária à exploração do gás.
O gás é boliviano, ninguém discute. Mas nossa presença lá não foi imposta nem foi fruto de qualquer esbulho. Foi negociada. E a matriz energética brasileira começou a considerar o gás como uma das fontes de longo prazo.
Claro que foi mal negociada. FHCalabar, com atuação expressiva de seu genro David Zilberstejn (que hoje posa nos noticiários como especialista), contratou o fornecimento de uma quantidade fixa, utilizando-a ou não. Fato consumado, só restava mesmo incentivar sua utilização. No pacote, a Petrobrás investiu fortemente na capacitação boliviana, abandonando a lavra e pesquisa de fontes nossas de gás.
Lula continuou no mesmo barco. Até que Evo, incentivado por Chavez e com o beneplácito cúmplice de Kirchner, dizer que o buraco era mais em baixo. E o Brasil acreditar.
Lula, sindicalista de formação e pelego por oportunidade, entendeu que recuar, reconhecer-lhes razões adicionais, bancar o bonzinho e aceitar o pontapé na canela sem gemer seria uma forma de apaziguar o assunto. Faltou-lhe conhecimento da história, em que a transigência do chantageado sempre parece fraqueza ao chantageador.
Neste momento, erra novamente. Estamos em crise de abastecimento, é verdade. Mas a última fonte a ser buscada deveria ser boliviana. Pelo contrário, o Brasil deveria reduzir progressivamente a compra de gás daquele país até o ponto em que Evo viesse ao Planalto propor uma recomposição. Não o contrário. Ele depende muito mais das compras brasileiras do que nós do gás boliviano.
Que se importasse do Oriente Médio, mesmo que a um custo maior. Que se subsidiasse combustível alternativo aos usuários de gás, como feito em indústrias de S. Paulo, que se utilizasse qualquer alternativa, incluindo pedir à população que se incorporasse nesse boicote.
Mas não. Já foi pra lá o presidente da Petrobrás. Em dezembro, irá o próprio Lula.
Beijar a mão de Evo, pedir desculpas e propor reiniciar os investimentos, dentro das regras do jogo impostas por Morales.
Errar é humano, persistir no erro é burrice. Com essas atitudes, o Brasil repetirá o erro.
Tudo para não reconhecer que a política do gás foi equivocada.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Aerodetran

O midiático Jobim é um craque. Na enrolação, mas ainda assim um craque.
O episódio da queda ontem de mais um avião em São Paulo, totalizando quatro aeronaves em uma semana, mostra claramente a capacidade do Jobim em ordenar o óbvio, em criar cortinas de fumaça (na impossibilidade de acusar Zuanazi), para ocupar espaços da mídia dando a impressão de que é eficaz.
Ordenou à Anac que intensifique a fiscalização.
Ora, a ignorância de Jobim no assunto é completa e só passa despercebida porque a população, mídia incluída, também ignora o assunto.
As aeronaves são obrigadas a realizar o plano de manutenção homologado pelos fabricantes, em função do uso ou tempo de instalação de seus componentes, além da inspeção anual, que originam os RIAM. Toda a aeronave, inclusive as experimentais não homologadas, como ultraleves por exemplo, são obrigadas a realizar no mínimo essas inspeções, cujo resultado fica registrado no banco de dados da ANAC.
Para a liberação de um plano de vôo, os operadores das salas de tráfego (AIS) consultam tanto a regularidade das aeronaves como a de seus tripulantes. Se não estiverem em dia, não são liberados para decolagem. No pouso, acontece procedimento similar.
Como, então, aumentar a fiscalização?
Além do que, a fiscalização é legal e não compete a qualquer servidor, nem ao operador de tráfego, nem ao Ministro da Defesa, ampliar ou transigir sobre o que está disposto no Código Brasileiro de Aeronáutica.
Mas o pior da ignorância não é isso. É ver chifre em cabeça de cavalo.
Os três helicópteros que se acidentaram na semana passada, muito provavelmente sinistraram-se por condições meteorológicas críticas. Jobim, claro, ainda pensa que tesoura de vento (windshears) é instrumento utilizado por cabeleireiros fashion.
O do LearJet de ontem tem como causa provável pane mecânica. Mas assegura o operador que a manutenção estava em dia. É, Jobim, máquinas pifam mesmo, queira ou não VExa. E pilotos também falham.
Essa é a pior chaga do loteamento político dos cargos técnicos. Pior até que a corrupção. Corruptos são mais facilmente reconhecidos, ainda que impunes, do que os incompetentes.
Por isso, teremos que agüentar Jobim, com suas patacoadas, por muito tempo. Ou até que aprenda um pouco sobre o assunto. E fale menos, queira aparecer menos e trabalhe mais seriamente.
Esquecendo-se que não é chefe do "detran" aeronáutico, mas Ministro da Defesa.

domingo, novembro 04, 2007

Contra-Informação II

Manifestação de quem conhece o atacado muito bem.


"Caro Cel. Gelio Fregapani,

Grato por haver transmitido sua resposta à nota do tal C.H. Esse comunicador abordou assunto de extrema seriedade com a superficialidade tão freqüente na mídia. Nisso, a principal distorção foi atribuir a Fregapani propor uma aliança do Brasil com Chávez.

O que Fregapani assinalou, em seu informe anterior, foram fatos, ou seja, ações concretas por parte de Chávez em relação às serras de Roraima, ações essas que estão na direção que deveria ser a do “governo brasileiro”, não só conivente com as ONGs, mas também submisso aos patronos e financiadores das ONGs, isto é, a membros da oligarquia do poder mundial, situados nas potências hegemônicas, EUA e Reino Unido, principalmente.

Não há dúvida de que autoridades brasileiras (na medida em que se comportem como tais) deveriam somar seus esforços aos da Venezuela, se Chávez está agindo no sentido de preservar a soberania da Venezuela sobre os territórios desse país igualmente alvo da apropriação indébita que está ocorrendo em solo brasileiro.

Mais ainda e mais importante: independentemente do que faça ou não faça Chávez, as autoridades brasileiras, para justificar sua existência como tais, têm de tomar a posição a que os obriga a Constituição brasileira: impedir a secessão de territórios do País, acabando com a cessão, na verdade às potências hegemônicas, de regiões supostamente pertencentes a “nações” indígenas.

A Constituição diz que a soberania é um dos princípios essenciais da existência do País, e mesmo que não o dissesse, não haveria necessidade de afirmá-lo, porque um país sem autodeterminação, nem precisaria ter Constituição.

O que está acontecendo agora no Extremo Norte do País, repito, é o teste definitivo. Já estão garfando as riquezas, o trabalho e tudo mais no Brasil há mais de 50 anos, mas agora é uma coisa visível e muito concreta: a integridade do território nacional.

Abraços,

Adriano Benayon"

Contra-Informação I

"Um aliado de Chávez na tropa brasileira

Demitido da Abin na Amazônia pelo ministro Nelson Jobim (Defesa) por criticar a intervenção das Forças Armadas na reserva Raposa do Sol (RR), o coronel Gélio Fregapani surpreendeu os militares defendendo aliança com o presidente venezuelano Hugo Chávez. Especialista em assuntos estratégicos, ele teme uma ação americana indireta na reserva e na Venezuela, numa possível guerra com a Colômbia, contra a qual Chávez estaria se armando. Avalia que semiditador ajudaria o Brasil a expulsar "as malditas ONGs"."
(Da coluna de Claudio Humberto, do Jornal de Brasília:)> > 30/10/2007 11:49

Vejo duas hipóteses para essa nota: desinformação do jornalista ou ação de contra-informação, neste caso com participação ou não do autor.
Plantar notícias com objetivo de indispor pessoas com determinadas correntes de opinião, ou até desmoralizá-las, é uma das ações de maior efetividade no jogo da contra-informação.
Quem conhece a história de vida do atacado, de pronto, descarta a meia-verdade. Quem não o conhece, ou conhece superficialmente, pode alterar seu conceito.

Vale a pena ler a resposta e formar opinião própria.



"Caros amigos e irmãos de armas;


Agradeço de coração a gentileza de me remeterem o artigo do C. Humberto, onde, entre outras ironias, me classifica como aliado do Chavez.
Claro está que só penso no que interessa ao nosso País. Nas vulnerabilidades, nas ameaças e nas oportunidades. Não sou aliado incondicional de ninguém, mas aceitarei a aliança pontual de quem me parecer benéfico para o nosso Brasil.
Todos militares que se prezam raciocinam com hipóteses de guerra e se debruçam especialmente sobre uma, a mais provável ou a que interesse mais diretamente à região onde sirvam. Por ambos os motivos me debruço sobre as ameaças à Amazonia.
Não sou insensível ao ensaio de comunização do MST nem ao desvio do movimento quilombola ou à loucura do caos na segurança pública, mas esses problemas não ameçam a integridade nacional do mesmo modo que as "nações" indígenas, algumas já independentes de fato, capitaneadas pelas malditas ONGs, no mais das vezes dirigidas diretamente do exterior.
Vejo, do privilegiado observatório que tenho ocupado, nosso País se desmanchar aqui no nosso extremo norte, ou melhor ex-nosso, pois a serra que nos servia de fronteira está quase inteiramente tomada pelas tais "nações", que agora tentarão se unir impulsionadas pelo próprio governo.
Junte-se esta ameaça a declaração da ONU de que os aborígenes podem se decidir por uma nação própria. É claro que Venezuela é nossa parceira nesse cenário, pois sofre as mesmas ameaças que nós. Apenas as enfrenta com mais garra, patriotismo e visão do futuro e isto tem nos ajudado.
Se não fosse a oposição deles à atuação das ONGs, não haveria como evitar uma nação ianomami entre o Brasil e a Venezuela. A recusa do Chavez em ceder tem nos dado força.
A Venezuela procura se aproximar do Brasil, mesmo porque não lhe resta outra saída. Com inimigos a leste e a oeste e com a esquadra n. americana pronta para lhe bloquear o Caribe, quase sem indústrias, só lhe resta se abastecer no Brasil.
Estou consciente que as atitudes (verbais) esquerdistas do Chavez desperta repulsa de todos nós, eu inclusive, mas verifico que outros esquerdistas mais radicais (Cuba, Coréia do Norte, China, Viet Nam etc não tem merecido a mesma atenção de meus companheiros, que não percebem o quadro geopolítico, e muito menos de certo senador que finge esquecer o nosso MST e se empenha em vociferar contra o esquerdismo (verbal) do país vizinho. Chega a se atribuir a Chavez a criação da Raposa-S. do Sol, exatamente quem está nos ajudando a evitar.
Nesse ambiente conduzido pelas ONGs, chego a sentir a estranheza de alguns dos meus irmãos de armas;
- Será que o Frega mudou de lado?
Não, não mudei. Estarei sempre do lado do Brasil.
A verdade é que é preciso coragem para contrariar a opinião do nosso próprio grupo, mas coragem não me faltará.
A propósito, me vem à lembrança um episódio descrito por Homero sobre o cavalo de Tróia: um troiano chamado Lacoonte insistiu, contra a opinião de seus companheiros, para que não aceitassem nada do inimigo e destruissem o cavalo. Segundo Homero, apareceram cobras que atacaram Lacoonte e sua família. Estou ciente que posso ter que enfrentar esse tipo de veneno, de confundir nacionalismo com esquerdismo. Já vi isto uma vez.
Hoje vi com alegria uma opinião abalizada - do Cavagnari, de que o Brasil nada tem a temer do rearmamento da Venezuela, mas sim a Colômbia e a Guiana. A hipótese de guerra que sinto como mais provável iniciará com um conflito entre e Venezuela e a Colômbia, esta apoiada pelos EUA. Neste cenário, as "nações" indígenas declarariam a independência, dentro de um quadro que vise garantir o acesso do petróleo e minérios estratégicos aos EUA.
Isto é apenas uma hipótese de guerra. Deus permita que nunca se concretize, mas que nossa fraqueza e a imbecil política indigenista contribuirá para que conteça, isto é inegável.
E onde fica a justiça? Justiça só existe para quem a possa sustentar com armas.
Com um abraço.
Cel ref. Gélio Fregapani
TUDO PELA PÁTRIA
O BRASIL ACIMA DE TUDO NA VIDA
OS BRASILEIROS ACIMA DE TODOS NA TERRA"