FregaBlog

sábado, novembro 22, 2008

Olhos Abertos

Em regra geral, a demagogia nunca vem sozinha, explícita e exposta. Mascara-se e esconde-se enrolada em bandeiras, qual burkas cívicas, a disfarçar seus reais propósitos.
Governo algum declara-se demagogo para manter-se no poder. Antes, mostram-se defensores dos oprimidos, nacionalistas ou elegem um inimigo, criam antagonismos para mobilizar massas e sustentar-se.
Chavez é um exemplo típico. No afã de dar corpo a tal américa-bolivariana, desde que sob sua área de influência, age à socapa, como bem lhe convém.
Em tal terreno, sob sua sombra, brotaram arbustos no Equador, na Bolívia e Paraguai. Por enquanto. Mas Chavez, que de bobo não tem nada além de sua triste figura sancho-panchesca, também sabe que o Brasil é maior do que a América do Sul que o complementa. Seus sonhos napoleônicos esbarram em nós.
Não pode Chavez - ele o sabe muito bem - contrapor-se diretamente. Há que desgastar o panglossiano gigante, bonzinho por sua própria natureza e pela sua mídia alienada.
O que fazer? Desgastá-lo, fomentar antagonismos, criar caso.
O balão de ensaio, a ocupação da Alsácia, foi o miado de Morales que deixamos nós parecer um rugido. Boa atitude? Parece que sim, pois o movimento idealizado pelo bufão de Caracas abortou na casca. Não lhe foi dada a bandeira de combater o imperialismo brasileiro, de agitá-la, mobilizando a América contra nós. Morales aquietou-se e teve que voltar-se para seus problemas internos. Chavez engoliu e retomou suas diatribes contra Bush e Colômbia.
Agora vem Correa a recusar-se pagar o empréstimo feito pelo BNDES, no valor de 1/4 de bilhão de dólares feito ao Equador, sob pretexto de que financiava a construção da hidrelétrica que deu chabu.
Deu zebra, foi mal construída, projetada? Problema deles e das empreiteiras. Pague a conta e cobre delas, de preferência com maior competência do que fiscalizaram as obras, se quiserem algum sucesso.
Mas não. Correa está preferindo criar um impasse diplomático, transformar a pendenga numa disputa entre países. O Equador é um dos dois países com os quais não temos fronteiras na América do Sul. Esse confronto não pode ser amplificado com uma possível violação de soberania territorial. Assim, descambará para os canais contenciosos internacionais, portanto, mais políticos do que jurídicos. Não é suficiente para mobilizar os bolivarianos contra nós.
Mas faz sentido a interpelação paraguaia de que 30 homens - um pelotão - do exército brasileiro teria adentrado 30 metros (é isso mesmo, 40 passos) em território paraguaio numa manobra em Japorã, MS.
Quem conhece a região sabe que os marcos fronteiriços da fronteira seca não permitem linha tão precisa a ponto de definir com tamanha exatidão a linha demarcatória. Mesmo fosse verdade, o que tudo indica que não é, seria motivo para tanta quizumba e polêmica? Aproveita-se o governo Lugo e fomenta seus jornais a vincular o episódio como uma demonstração de força brasileira, a intimidá-los pela perseguição que promovem a brasileiros lá radicados há décadas. Os chamados brasiguaios.
Querem por tudo vincular um fato ao outro, criar o antagonismo tão almejado por Chavez.
O Equador, conosco, não tem fronteiras. Estarão os bolivarianos aproveitando-se da paraguaia?
A coincidência está saltando aos olhos. O Itamaraty que mantenha os seus bem abertos, dado que fundamentalistas de dentro e de fora do governo insistem em vendar os da Abin, que deveria monitorar esses movimentos.
Será também isso uma mera coincidência?