FregaBlog

sexta-feira, abril 24, 2009

Pai dos Pobres

Governantes populistas adoram ser chamados de pai dos pobres. Com essa imagem, enriquecem e, enriquecendo com as falcatruas, geram mais pobres, filhos seus.
O Paraguai (pra variar) falsificou a regra. Lá o pai dos pobres, além de politicamente, gera também seus filhos fisicamente. Ultrapassou a figura da retórica e aterrisou na fisiologia propriamente dita.
Não estou aqui para defender celibatos institucionais, fruto exclusivo de mentes distorcidas com a ganância de não partilhar heranças. Na forma adotada e defendida pela igreja de Bento XVI, João Paulo II, etc, até Inocêncio I. Aliás, busque-se no celibato institucional a alta concentração de pedofilia clerical, o arcaísmo de suas posições, o combate às últimas no uso de preservativos, a excomunhão em abortos humanitários.
Busque-se na milenarmente inversão desses dirigentes, tão convencidos de que sexo é sujo, pecaminoso, que para justificar seu nascimento inventaram até um pecado original. E uma fecundação pelo Espírito Santo num caso específico, único, embora tenham livrado do pecado a concepção de Nossa Senhora, ainda que sem participação do dito Espírito
Ao contrário, vou defender o Bispo Lugo. Como patriota e como bispo.
Como patriota, em sua tentativa ingente de auxiliar o repovoamento do Paraguai. Meio tardia em um século sua colaboração, é verdade, mas não menos idealista.
Como bispo, deu-nos lições de obediência coerente ao principal, mesmo que transigindo no acessório. Afinal, sua organização, da qual é destacado dirigente, varre para baixo do tapete, considera pecados menores, o estupro, a violência sexual, a pedofilia etc. Nada que uma confissão, dois padresnossos e duas avemarias não resolvam. Agora, usar camisinha, seja como prevenção de natalidade indesejada, seja como barreira à proliferação de DST, em especial a AIDS, isso nunca!
Lugo não queria ser excomungado.

quinta-feira, abril 23, 2009

Me respeite, Excelência!

O título é uma homenagem ao apelo mútuo, desesperado, insistente e ameaçador. Me respeite, Excelência.
- Vossa Excelência é um assassino da justiça, um desmantelador do judiciário! Me respeite!
- Vossa Excelência é que é um fugitivo de sessões, um gazeteiro irrecuperável! Me respeite!
- Vossa Excelência não está lidando com nenhum de seus capangas de Mato Grosso! Me respeite!
- Vossa Excelência não tem cacife para dar lição de moral em ninguém. Ou, em alguém, como queira.
E assim, entre pedidos de respeito e vossas-excelências, foi encerrada a sessão e a baixaria.
Tenho observado uma regra geral: quando um interlocutor pede respeito, é sinal que já o perdeu. E sabe disso.
O causídico de Diamantino versus o jurista de Paracatu. Em comum, formados ambos na UNB, com doutorado na Europa. Saber jurídico? Incontestável.
E quanto ao resto? O Min Gilmar tem sido acusado constantemente pela Carta Capital. Que eu saiba, até agora não desmentiu nada das maracutaias e truculências das quais é acusado.
O Min Barbosa, por sua vez, de nada tem sido acusado. Pelo menos, por enquanto. Coincidência ou não, também nada desmentiu, porém, nesse caso, eu até entendo.
O erro, no entanto, permeia as duas figuras, assim como aos demais juízes da Suprema Corte: a indicação política.
Os presidentes da república são os que indicam os ministros do STF. O Senado os homologa, liturgicamente. Não são juízes os indicados, são advogados.
Assim, FHC deu o prêmio lealdade a Gilmar. Assim, Lula fez a média com Joaquim.
Está na hora do STF ser composto por juízes, como ápice de carreira. Está na hora de entidades, como o MP, CNJ, OAB, dentre outros, encaminharem lista de juízes de carreira ao presidente da república, para que um deles seja indicado à sabatina no Senado.
Isso melhoraria e oxigenaria ao STF? Talvez.
O certo é que a sistemática atual deixa muito a desejar.