FregaBlog

segunda-feira, novembro 30, 2009

Dízimos e Trigízimos

Aguardei um tanto para ter mais informações sobre o escândalo nacionalmente divulgado em Brasília. Infelizmente, esse episódio só aumenta a fama que determinados setores fazem questão de enfatizar, ao associar Brasília com corrupção, como se a maioria dos corruptos não fossem exportados pela população dos demais estados.
Mas isso nem vem ao caso nem diminui o fato. Chocam muito as imagens e a ocorrência.
O Distrito Federal teve seu papel desvirtuado pelos constituintes. Foi um erro a disposição sobre sua representação política. Também foi um erro, dessa vez não imputável à"cidadã do Ulysses", sua extensão territorial. O Distrito Federal deveria ter área restrita à necessidade de espaço para a administração da Federação. Essa área, sim, e exclusivamente ela, deveria ser um ônus total da União. A Constituição de 67 era mais sábia, embora tenha mantido o território anteriormente demarcado.
Os estados vizinhos ignoram as áreas do entorno com serviços públicos, espetando suas responsabilidades no DF. Que as reespeta na União, sem dó nem piedade.
É mais do que hora de pensar seriamente na criação de um novo estado que englobe os territórios do atual Distrito Federal menos o Plano Piloto, o noroeste de Minas e nordeste de Goiás.
Mas, divisão política à parte, o fato é que a política local do Distrito Federal é o mais representativo da podridão nesse segmento, com raríssimas exceções.
Governantes se sucedem; somente um até agora não foi envolvido em escândalo político. Mas perdeu eleição para um populista jurássico, de ética e honestidade contestadas.
A tal de Câmara Distrital, um aborto institucional, combina-se numa câmara de vereadores e numa assembléia legislativa. É espantoso o nível das regras a que nos submetem. Surrealistas, mas agora sabemos que a peso de ouro.
Arruda não é santo, pelo contrário. Nem seu vice, nem seu secretariado. Porém estava executando um governo em tudo superior ao de seu antecessor, só perdendo no quesito escândalo e denúncias de corrupção. Nesse item, agora empatou. E quem o denunciou responde a mais de 30 inquéritos e processos. Sabem por quê? Por corrupção, em suas várias nuances. Sabem de quando remontam? Do governo anterior, cujo titular já se apresentou como candidato a mais um mandato, após renunciar ao Senado para não ser cassado, após ser flagrado com a mão na botija.
Continuo entendendo que a corrupção não tem perdão, nada alivia sua gravidade, nada a absolve.
No entanto, reconheço também que essa prática de comprar maioria acaba sendo condição sine qua non para um mínimo de governabilidade e acredito firmemente que seja prática em todos os níveis da federação.
Essa prática não poderá ser coibida com eficácia enquanto continuarmos com o modelo, o desenho político definido na Constituição de 88. Uma reforma política é fundamental, necessária e urgente, antes que a população desacredite na democracia. Essa sim, com a vida em risco, agravada a cada escândalo como o atual.
A propósito, estou na dúvida se o pastor-deputado-suposto-mensaleiro pagou à Casa da Bênção o dízimo ou se passou seu pai, o "apóstolo" Doriel de Oliveira, pra trás. Se alguém tiver notícia, por favor, me avise.
Afinal, seu maior mérito não foi o voto. Foi o devoto.

quinta-feira, novembro 26, 2009

É Feio


Tem 3 tipos de mulher feia, segundo o Zé Simão: a sem-graça, a desgraça e a nem-de-graça.

Nem sei como enquadrar a imagem, publicada no Daily Mail e divulgada no site Terra. Proponho a criação do quarto tipo - a se é feio em cima, como será em baixo? ou talvez, a bunda-passa, em vista das comemorações natalinas.

Aceito sugestões, considerando, claro, a cara do menino e o traseiro da protagonista.

terça-feira, novembro 24, 2009

Fome Arrependida

Com meus botões, torci sinceramente para que Battisti fosse suficientemente tenaz a ponto de levar sua greve de fome às últimas conseqüências.
Seguramente, há formas menos dolorosas de suicídio. Nenhuma, porém, prolonga o drama por tanto tempo. Na década de 70, era moda monges imolarem-se em pira libertária. De alto impacto, porém fugaz, 15 segundos de gravação e em cinco minutos tudo virava cinza. Dondocas e deprimidos preferem cortar seus pulsos. Esse método tem a vantagem de possibilitar rápido atendimento médico, deixar pequena cicatriz e poder ser interrompido a qualquer momento por um simples torniquete. De alta dramaticidade familiar, especialmente quando não se pretende, de fato, o suicídio. Há variações, como overdose de melhoral ou goles de água sanitária.
Nunca tive notícia de uma greve de ar ou de água. O azul mórbido cianótico ou a desitratação tipo uva passa não seriam quadro que enaltecesse o defunto. Com o defeito colateral de ser rápido e de baixo impacto. "Que babaquice", seria o freqüente comentário em seu velório. "Nunca pensou nada que prestasse", rosnaria sua sogra.
Tivesse o terrorista sucesso em sua greve, contaria com minha solidariedade. Aderiria a abaixo-assinado para extradição de sua pele e ossos, de forma que fossem depositados em sua terra natal, preferenciamente ao lado dos ossos sem pele dos que por ele foram assassinados.
Teria mostrado ao menos arrependimento, fingido que fosse. Quem sabe até alguém do PSOL ocupasse a tribuna para enaltecer-lhe o caráter, a bondade, o altruísmo e sua inquestionável e insuportável dor do remorso, a minar-lhe o desejo de viver.
O bandido arrependeu-se, isso é certo. Pena que foi o arrependimento errado. Voltou a comer.
Battisti arrependeu-se da greve de fome.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Ahmadinejad

Sem dúvida, a visita de Ahmadinejad é polêmica. O presidente iraniano é polêmico.
Porém, o que chama atenção são os argumentos de alguns dos protestos.
Parlamentares, em especial do DEM, não podem ver um banquinho sem subir e tentar um discurso. Em nota oficial à mesa do Congresso, pediu que Ahmadinejad não fosse recebido naquele Poder.
Interessante a nota. Demonstra a politicagem de que são hábeis praticantes. Querem marcar posição, fazendo eco a movimentos nacionais e internacionais de repúdio ao regime teocrata iraniano.
Israel também vive um sistema teocrata e não se vê o DEM protestar. De fato, o DEM, por definição, tem dificuldades de conviver com a diversidade de idéias. Nisso seu aliado e dirigente, o PSDB, faz coro afinado.
Lula transmitiu todos os recados a Ahmadinejad. Todos coerentes com as preocupações que o regime dos aiatolás causa ao mundo. Sem agredir, sem interferir, sem transigir. Inclusive negando pleito iraniano que contrariava o interesse brasileiro.
Ponto para a nossa diplomacia.
Agora, qual o interesse nacional em não receber Ahmadinejad? Nenhum. Pelo contrário.
É oportuno, neste momento, lembrar o Gen de Gaulle, quando declarou que países não têm amigos; têm interesses.
É claro que é nosso interesse em marcar maior presença no Oriente Médio.
Pelo mesmo motivo, muito recentemente, foram também recebidos governantes de Israel e da Autoridade Palestina.

sábado, novembro 21, 2009

O Mercenário

Inpirou lendas e romances. De real, a ele são atribuídos assassinatos, atentados e execuções encomendadas.
Sulamericano, transformou-se em personalidade global e suas táticas camaleônicas teceram um véu nebuloso sobre sua identidade e personalidade.
Ilich Ramírez Sánchez, o Carlos, o Chacal, não é um político, não é um terrorista, não é um romântico. É um bandido e da pior espécie. Cumpre prisão perpétua na França pela autoria de três atentados no início dos anos 80 e que resultaram na morte de 11 pessoas e ferimentos em 190.
Sobre ele restam ainda suspeitas de participação no atentado das Olimpíadas de Munique.
É esse bandido que o bufão de Caracas afirmou tratar-se de "lutador revolucionário", de estar cumprindo pena injusta.
Chavez perdeu a compostura que nunca teve; ensandeceu de vez.
Um governante não fala somente por si. Será para esse tipo de pronunciamento que anseia veementemente pelo palanque do Mercosul?
Se considerarmos viver a Venezuela uma democracia, as declarações de Chaves são assustadoras. Pressupõe-se que a maioria do povo venezuelano o apóia em suas loucuras. Um bom motivo para nos mantermos em cautelosa distância.
Caso entendamos que o povo venezuelano está submetido a uma ditadura, o que isentaria da responsabilidade dos atos desse maluco, a imbecilidade de Chavez assusta ainda mais.
Em ambos os casos, por essas e outras demonstrações da paranóia messiânica desse coronel tipo late-não-morde, é que o Senado brasileiro deve recusar a adesão da Venezuela ao Mercosul.
Não precisamos e não devemos pactuar qualquer parceria política com esse tipo. Temos a obrigação de deixar o Brasil ao largo de seus devaneios.
Carlos é um assassino cruel. Perto dele, Battisti é um anjinho com asas douradas.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Dívida Histórica

Não chega os insistentes telefonemas de meus credores; os recados inusitados de gerentes de banco preocupados com minha saúde e convidando pra tomar um cafezinho; as ligações chatas e monocórdicas do telemarketing da Vivo e da Tim e da Oi, vem agora o Sr Rolf Hackbart, presidente do Incra, espetar em minhas costelas mais essa: uma tal de dívida histórica que, anuncia, herdei com quilombolas.
Tudo bem; prefiro mil vezes as dívidas históricas do que as com o Banco do Brasil. Até porque dívida histórica, em minha opinião, só pode ser liquidada com história.
A titulação das terras devolutas ocupadas por essas comunidades é justa, não por essa tal de dívida histórica, mas porque é justo reconhecer e titular tais terras sejam quem forem seus ocupantes históricos. É uma grilagem, ou invasão de terra pública, justa. O Brasil só tem seu território por que nossos antepassados fizeram essas ocupações.
Então, antes que incorramos em juros, correção monetária e condenações de tribunais de faz-de-contas, paguemos essa dívida logo.
Temos nossa história como moeda. A história de uma colônia que construiu a si mesmo um grande país.
Temos uma história de garra e denodo que nos permitiu conquistar e manter nosso território continental. Temos uma história de fusão de raças em uma, caldeada, faceira e encantadora em sua morenice tropical. O Sr Rolf talvez seja uma exceção, mas certamente seus descendentes, em 3 ou 4 gerações, não o serão.
Temos a picardia de enfrentar governos-tutores, ônibus lotados, hospitais superpovoados, tungas fiscais a todo título com um tal de presidente do sindicato dos fiscais da receita as defendendo na televisão, tudo isso em troca do futebol de domingo, da novela do macaco, da piada de português e de 4 dias de carnaval. Com resignação quase franciscana.
Temos nossa história futura para penhorar, com o compromisso de que não formem quistos, mas se insiram para o bom e para o ruim em nossa sociedade, na qualidade plena de brasileiros que são. Temos a oferecer-lhes irmandade com 190 milhões de outros brasileiros.
E temos, antes de tudo, que recusar essa conversa mole de dívida histórica como pretexto para reconhecer-lhes cidadania. Até parece que o Sr Rolf está encabulado, arrumando uma desculpa pra isso.
Se for, é muito esfarrapada.

terça-feira, novembro 17, 2009

Belo Monte IV

Há mais de 20 anos, dorme modorrenta numa das muitas gavetas da burocracia o processo de licenciamento prévio para construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu.
Já nem é mais sono. É catalepsia.
Corre perigo o leilão marcado para 21 de dezembro próximo pois, se a licença demorar, Belo Monte poderá ficar para 2010. Claro, no dia 21 de dezembro Papai Noel já estará aguardando em alguma fila de embarque num aeroporto. Em companhia, claro, da camarilha de burocratas, ambientalistas ou não, porém solidários com o inalienável direito que se aforam de enforcar serviço e matar expedientes. Bem, isso essa turma do IBAMA faz isso até quando está na repartição, especialistas que são em enxugar gelo e empacotar fumaça.
IBAMA me remete ao dito de um antigo companheiro de trabalho, o Mansur, mestre em classificar a burocracia estatal: se cobrir, vira circo; se cercar, vira hospício.
Bem, técnicos do IBAMA, especialistas que são em empatar o desenvolvimento, continuam sentados com seus trigliceríacos e colesteróticos traseiros no licenciamento prévio. Conforme publicado no site Terra, "segundo a assessoria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os técnicos ainda não entregaram os pareceres para a liberação da licença.
"Estão aprofundando a análise e nos próximos dias deve sair", disse uma assessora."
Particularmente, desconfio e não gosto de quem gosta mais de uma lagartixa do que de um ser humano. Os que amam as antas às custas da minha energia elétrica, que se lixem. Melhor, me lixo pra eles.
E, por falar em lixo, quando será que a sociedade pegará esses alienados pelo gasnete e os colocarão na lata apropriada?
Só se for assim, porque o governo nunca o fará.

País dos Petralhas

Concluí hoje a leitura do livro do Reinaldo Azevedo. Confesso que resisti iniciar sua leitura em razão de não me agradarem, em geral, suas colunas. Entretanto, considero exercício intelectual saudável escutar, ler, buscar entendimento na diversidade, no controverso. É a única forma de mudarmos ou consolidarmos nossas opiniões : escutarmos as diferentes.
Resisti também pelo título. Não gosto das generalizações, nem as bem-humoradas. Petralha é uma dessas. PT e Metralhas (irmãos); PT e canalhas ou trocadilhos do gênero.
De forma geral, o livro é interessante. O Reinaldo é fluente nas palavras e suficientemente culto para fundamentar e expressar suas idéias com a coerência que sua intelectualidade permite. Olha eu - muita audácia - ficar comentando esse autor.
Reinaldo bate forte, o que é bom. Há aspectos que concordo integralmente, como, por exemplo, sua crítica ao Estado-tutor, pai de todos os totalitarismos, divorciado que é da liberdade de escolha, mãe de todas as liberdades. Nós, seres humanos, estamos sempre alternando a moradia em que passamos o cotidiano e as férias.
Não concordo quando generaliza, os comentários com essa natureza são diversos. Vejo na generalização uma forma de tutela, à qual ele tem todo o direito de tentar exercer como indivíduo. Nesse caso, a opção é do tutelado em sê-lo ou não, problema dele. Fosse o Reinaldo Estado, a coisa seria diferente.
Prós e contras, há um particular que efetivamente não gosto, por entender demodé, superficial e ultrapassado. Trata-se da polaridade esquerda x direita. Nada é mais de esquerda do que uma ditadura que se diz de direita. Nada é mais de direita do que um Estado tutor, bandeira da dita esquerda. Isso se associarmos o conservadorismo e o transformacionismo das expressões originais.
Reinaldo considera esquerda governos que tutelem, inibam, perpetuem-se e valham-se da máquina estatal inclusive para o roubo robinhoodiano, preferencialmente sendo eles os pobres. Assim, teríamoss que considerar a plêiade de ditaduras que assolaram a América, África e Ásia como ditaduras de esquerda. E nessa panela, o ensopado é plural. Cabe desde Pol Pot a Dgo Dim Diem. Idi Amim Dada à Anastacio Somoza.
Penso que não é por aí.
Reinaldo defende com ênfase seus pontos de vista. Assume-se preconceituoso, o que pode ser uma forma entrelinhada de se dizer sem preconceitos. No fundo, acho até que é isso mesmo. Reinaldo tem conceitos e discute preconceitos, inclusive os seus, na tentativa de contextuá-los, descaracterizá-los, dissolvê-los.
A defesa apaixonada feita por Reinaldo arranha, às vezes, o messianismo, o monopólio da verdade. Só arranha, de fato. Mas fico eu pensando qual o limite entre a defesa intransigente de idéias e o fundamentalismo fanático.
O radicalismo generaliza, segrega, discrimina. Reinaldo generaliza, segrega e discrimina, mas não transparece fanatismo.
Concorde-se ou não com o Reinaldo, é um livro que merece ser lido sem abdicar da avaliação crítica, de não considerá-lo a bíblia da verdade, mas lê-lo na sua verdadeira grandeza.
Uma coletânea de opiniões pessoais.

domingo, novembro 15, 2009

FHCalheiros

Na época, ultrapassaram coxias e cortinas os rumores de filho do então senador FHC com a jornalista Miriam Dutra, da Globo.
Não é segredo o caso. Em 94, havia rumores de que a jornalista teria passado a ser correspondente da Globo na Espanha, retirando-a do cenário nacional e evitando constrangimentos ao recém eleito presidente. Dizia-se à época, que o casamento com D. Ruth era somente fachada, pra fazer-de-conta.
Sem moralismos e sem julgamentos hipócritas. O problema era somente dele e da jornalista e, nesse caso, aplausos para ela, diferentemente do episódio Renan.
A bem da verdade, o exílio voluntário da jornalista deve ter tido o efeito colateral de uma situação financeira confortável, pago pela Globo ou pelas privatizações, sei lá. O pimpolho concluiu, ano passado, o curso no Imperial College, em Londres, com direito à presença paterna na solenidade de formatura.
O reconhecimento tardio em tudo é coerente com a personalidade e o duvidoso caráter do ex-presidente. Hábil em esconder-se de exposição que lhe possa arranhar a imagem de prócer, FH não é e nunca foi confiável. Agora mesmo, quando vê fantasmas ameçarem nossa democracia, essa visão não é coisa outra do que a manifestação do despeito e o temor ao ostracismo.
FH é assim. É de sua natureza.
Muita pedra jogou-se em Renan. Mas este enfrentou o desgaste de peito aberto, mesmo submetido à chantagem. Não foi o caso do FHC, que contou inclusive com a proteção e blindagem da Globo. Mas FH ganharia se trocasse, em seu comportamento, o Cardoso por Calheiros.
Mantida a inicial e a sigla, pelo menos seria mais honesto.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Belo Monte III

De ontem pra hoje, venceu o bom-senso. Quer dizer, venceu, venceu, não venceu. Mas venceu. Pelo menos a etapa.
O TRF, acolhendo a representação da AGU, cassou a liminar concedida em Altamira pelo juiz Grillo, que suspendia o licenciamento da UHE antes de realização de novas audiências públicas.
Ao contrário do que supunha, talvez não restasse ao meritíssimo tanto fundamento jurídico assim na decisão. Foi derrubada em tempo recorde, ou seja, a decisão foi considerada errada.
Sem entrar na discussão dos erros ou acertos, o fato é a vulgarização crescente dos atos que suspendem, interrompem ou mesmo estigmatizam obras e ações do poder público.
Para que uma obra ocorra, são tantos órgãos, fiscais, carimbos e papéis que abre campo infinito para contestações judiciais. E, a cada contestação, pelo entendimento pessoal do juiz em qualquer das instâncias, obras fundamentais para o país são postergadas, paralizadas, estigmatizadas.
Agora, resta ver se o ultimato dos caciques era pra valer ou se somente estavam a serviço de ambientalistas e indigenistas plantados no governo e na imprensa pelos greenpeaces da vida.
Agora, é aguardar a decisão do mérito pelo juiz Grillo. Enquanto isso, Belo Monte, que pode se tornar a segunda UHE em geração, arás somente de Itaipu, corre risco.
E a gente faz o pior uso possível da água do Xingu. Deixá-lo escorrer para engrossar o Amazonas sem aproveitamento de seu curso.
Depois, se repercute que o PAC está atrasado.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Belo Monte II

Esses dias atrás o Brasil acordou amedrontado. Sob ameaças de guerra, bordunas e flechadas, o povo tremeu. Recorrer à ONU não surtiria resultados. Afinal, os greenpeaces da vida e os WWF poderiam defender, em tribunais internacionais, a tese da legítima defesa dos agressores e o Conselho de Segurança endossar sua tese.
Meu Deus, o que fazer?
Os caciques, de calças jeans e camionetes do ano, ameaçavam guerra sem quartel, caso o Brasil insistisse em construir a UH de Belo Monte, no Xingu.
Ontem tivemos um apagão e sentimos na pele o que pode significar a carência de energia elétrica. Mas, para os caciques, pouco importa. Suas casas dispõem de geradores próprios, provavelmente com recursos da FUNAI.
O governo insistiu e até o IBAMA, surpreendentemente, considera que as audiências públicas realizadas foram suficientes.
Porém, assim não entendeu o juiz federal Edson Grillo, da justiça federal em Altamira, no Pará, que determinou a realização de novas audiências públicas, para ouvir as comunidades que serão atingidas pela obra. Para ele, as quatro audiências realizadas foram "mero ato ritualístico" do processo de licenciamento.
Fica, assim, suspensa a licença ambiental para a construção da hidrelétrica, até que sejam cumpridos os dispositivos da sentença.
Deve ter razões jurídicas o magistrado, convencido que foi pelos argumentos dos patronos da causa. Infelizmente, não sei quem são.
Talvez o Ministério Público, por meio de um promotor impressionado com a ameaça da guerra. Fique-se no escuro, mas salve-se a vida. Pode ser uma tese interessante.
Talvez algum ambientalista que, no seu fundamentalismo, prefira que toda a sociedade sobreviva compulsoriamente em barracas, à luz de fogueiras pra espantar mosquitos.
É possível, ainda, que alguma ONG, dessas que não falam português, pugnem por uma indenização menor por suas matrizes quando tiverem sucesso na divisão territorial do Brasil.
Ou, pode ser tão somente alienação. Por que não?
Soubéssemos o patrono, saberíamos o interesse na suspensão da licença.
Ainda bem que o governo premanece acreditando que a licença prévia será assinada ainda neste mês, em tempo hábil para cumprir a previsão de leilão da hidrelétrica, marcado para o dia 21 de dezembro. Mesmo com o ultimato recebido.
Tomara!

segunda-feira, novembro 09, 2009

Vaidades e Contrastes

O ex-presidente manifestou-se denunciando grave ameaça à democracia brasileira e a prática de ações totalitárias que estariam sendo praticadas pelo governo Lula. Mesmo transpirando despeito, é muito importante a denúncia.
Em primeiro lugar, porque nos faz refletir e avaliar quais seriam os fatos que dariam credibilidade à opinião, mesmo vindo de quem veio.
Depois, nos ajuda a separar o joio do trigo, o real do imaginário.
No aspecto da reflexão, não se percebe as ações truculentas denunciadas. Vive o Brasil um momento de perfeito funcionamento institucional, mesmo que falho em sua formulação. Não se percebe tentativas e atropelos em alterá-lo para beneficiar os atuais inquilinos do poder. Onde estará a truculência denunciada? Seria, por exemplo, a indicação de Toffoli para o STF? Claro que o modelo está errado, mas esse mesmo modelo nos trouxe Mendes, atual presidente do STF, Jobim, Brossard e outros como ministros. Haverá diferença entre a indicação de juristas políticos e a de Toffoli?
A tentativa de reequipar as Forças Armadas seria, na opinião do denunciante, uma caminhada na direção de rufar tambores belicistas, tipo bolivarianismo? Também não me parece que nos equiparmos para melhor dissuadir incursões contra nossa soberania possa significar ameaça à nossa democracia.
Quem sabe o internacionalista FH defenda de que o pré-sal deva ser internacionalizado, em consonância com o conteúdo programático do PSDB, partido de quem é voz última. Isso já começa a fazer sentido. Porém, mesmo nesse caso, tudo está posto e em discussão no Congresso, que decidirá, por último, o modelo a ser adotado.
De tudo, concluo eu que FH e sua troupe partidária, além de expor o poço de rancor e inveja pelos resultados hoje alcançados em termos de Brasil, continua sem a humildade de reconhecer que seu modelo internacionalizante só serviu para manter posição subcolonial e conceder-lhe algumas homenagens e concessão de títulos de doutor honoris causa em universidades estrangeiras, patrocinadas pelos beneficiários de suas políticas.
Ou seja, FH continua o mesmo mentiroso de sempre. Isso é bom, para nós eleitores. Certamente apoiará alguém que lhe tenha afinidades na falsidade e mentira e isso nos ajudará a, se não elegermos quem a gente gostaria, pelo menos influenciar a evitar que assuma novamente a direção nacional esse time impatriótico, sem escrúpulos.
Sem escrúpulos em forçar uma alteração constitucional em causa própria, como a reeleição, maculada pelas denúncias de compra de votos - lembram-se das ações de Sérgio Motta e de Ronivon Santiago, dentre outros - e do rolo compressor para abafar a natimorta CPI?
Lembram-se do caos nas contas públicas, mesmo após a venda de nosso subsolo, da energia, das telecomunicações, todas vendas financiadas pelo BNDES. Lembram-se do "limite da irresponsabilidade"?
E isso me faz pensar. A truculência é de hoje ou o pinóquio despeitado a está denunciando tardiamente em 10 anos?
Resta o que ao desespero pelo ostracismo? Usar espaços para ataques pessoais, tentar difundir o medo e a insegurança. Dilma, a terrorista, a mentirosa acadêmica, a desarticulada verbal. Lula, o mensaleiro, o aliado de judas. Lula, realmente aliou-se a judas. FH, ao capeta.
Muita gente boa esquece-se do passado para ajudar a repercutir e difundir as mensagens originadas nesse grupo de traidores. Pena, falta-lhes, muitas das vezes, o tão necessário senso crítico, o refletir sobre as reais intenções, o ler nas entrelinhas.
Que a FH, o doutor honoris, o sociólogo do "esqueçam o que escrevi", o intelectual queridinho da mídia, não haja hesitação no manipular, sua principal competência, é compreensível. Sua vaidade ferida não admite seu fracasso, sua má intenção.
Agravada, claro, pela comparação com resultados atingidos por um líder não acadêmico, a quem despreza, elitista que é, pelo macacão azul.
Tomara que FH continue tendo espaço para expor-se a si mesmo. Mostrar que realmente é e quem são seus companheiros de idéias e ideais. Num regime democrático, a informação é a maior arma para melhor escolha.
Enquanto isso, tomara que continuem acusar Lula de totalitarismo, Dilma de terrorista desarticulada, que continuem a tentar criar e manipular fatos. Mais serão desmascarados.
Se o que está aí deixa a desejar, o governo do PSDB deixou a desejar em tudo. Nesse andar, serão varridos da vida política nacional.
Afinal, o que choca não é a miséria, por si mesmo. É o contraste.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Golpe Paraguaio

Os delírios persecutórios do bolivariano só podem ser explicados, ou por ataques de síndrome de pânico, ou por muita cara-de-pau. Pessoalmente, creio nesta hipótese, sem descartar a ocorrência simultânea da primeira.
A coisa é tão séria que cientistas já suspeitam de epidemia pelo virus puxassaccus babaovius, tão comum nos departamentos de escadas e corredores de regimes totalitários. Acreditam os pesquisadores que o venezuelano Carolous Wimmer já esteja contaminado. Isto pelas declarações levantando rumores de golpe de Estado no Paraguai. Lembrando, o infectado é secretário de relações internacionais do Partido Comunista Venezuelano (PCV) e vice-presidente do Grupo Venezuelano do Parlamento Latino-americano (Parlatino), saiba-se lá o que faz isso. Consta também que o vetor da epidemia, o bufão Chavez, haveria levantado a lebre na reunião da Alba na Bolívia. Explorando, nas sutilezas de suas diatribes, os ressentimentos e tensões ainda presentes entre a Bolívia e o Paraguai.
Logicamente, para não perder o costume, os culpados de sempre: a extrema-direita e os Estados Unidos.
Lugo negou qualquer possibilidade de golpe, embora tenha promovido substituição dos três chefes militares paraguaios. Onde há fumaça, há fogo? Às vezes sim, mas não podemos jurar que a fumaça paraguaia vire labareda.
Porém, tem razão Lugo. Não há golpe em andamento e ninguém é louco ou inconseqüente a ponto de realmente acreditar nessa possibilidade. É uma questão de conjuntura internacional. Por muito menos deu-se o imbroglio hondurenho.
O grande pano de fundo é que Lugo, contrariando a expectativa do bolivariano, não se integrou ao time Chavez-Correa-Morales, vem negociando civilizadamente os interesses paraguaios e frustrou a intenção do grupo de fustigar o Brasil em sua fronteira oeste. Além disso, o Paraguai ainda não aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul, último bastião de bom senso nesse particular.
Chavez cometeu mais um erro estratégico. Além de suas bochechas perderem mais e mais credibilidade na geração de fantasmas, está motivando uma interpelação diplomática por iniciativa do senado paraguaio. Mais empecilhos para a inclusão venezuelana no Mercosul.
A esperteza, por vezes, atropela o espertalhão, quase sempre os oportunistas e sempre os boateiros.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Belo Monte

Em dezembro está prevista a licitação para a construção da UHE de Belo Monte, na altura do município de Altamira, no Pará. É prevista uma potência de 11.233 megawatts e será a segunda maior do País, atrás de Itaipu.
Pelo porte pode-se depreender a importância estratégica para a Amazônia oriental e seu reflexo direto no desenvolvimento da região. O Brasil precisa de energia e a geração hidríca está aí, para ser usada. Ponto para o governo ao tocar o projeto que dormita há 30 anos nas gavetas, nos embargos, nos protestos dos greenpeaces, nos movimentos de agitadores plantados na Funai.
Acontece que índios brasileiros de 14 etnias ameaçaram nesta terça-feira empreender ações guerreiras e matar operários, caso o governo inicie as obras da central hidroelétrica de Belo Monte, que exigirá investimentos da ordem de R$ 16 bilhões.
Em carta endereçada a Lula, há a ameaça: "Exigimos que o governo cancele definitivamente a implementação desta central. Se decidir iniciar as obras de Belo Monte, haverá uma ação guerreira dos povos indígenas do Xingu". Continuam com o ultimato: "a vida dos operários e dos índios estará em risco" e prosseguem com a chantagem ao atribuir as conseqüências dessa guerra, liminarmente, ao governo federal.
Para mostrar que não estão brincando, bloquearam a travessia do rio Xingu com a interrupção do serviço da balsa da estrada que corta a região, no limite da amazônia.
A primeira ação de protesto, iniciada e sem data de conclusão, foi o bloqueio de uma balsa utilizada para atravessar o rio Xingu em uma zona onde uma estrada corta uma região do Mato Grosso, no limite da Amazônia. Segundo eles, o projeto da usina é uma "violação dos direitos dos povos ancestrais do rio".
O que surpreende em tudo isso é que essas populações dependem das ações do Estado brasileiro para sua ascenção da idade da pedra ao século XXI. Sem entrar na discussão teórica de que a qualidade de vida deste século é pior do que a experimentada na idade da pedra, o fato é que o tempo flui, as sociedades modificam-se e adaptam-se aos tempos novos e mesmo eles dependem de ferramentas e utensílios de metal, desconhecidos em sua cultura original.
Eles também dependem da energia, das vacinas, dos remédios, das escolas, dos aviões da FAB, da Funasa. Dependem de uma sociedade que lhes propicie o contato por rádio, a antena parabólica, a luz em casa. Dependem que o Brasil se desenvolva, que produza, que arrecade pela produção, que gere a renda necessária para que mais meios sejam alocados a eles mesmos.
E o Brasil só pode se desenvolver com energia farta e disponível.
Esse assunto é sério demais para ser tratado romanticamente.

ET: Até parece que Lula leu o escrito de ontem. Em discurso, reconheceu que a guerra contra as drogas, na forma como executada, não surte resultados. É pouco, mas é um começo. Pena que qualquer medida mais forte esbarre na nossa Constituição "cidadã".

terça-feira, novembro 03, 2009

Reino das Arábias

Um jovem de 22 anos foi condenado na Arábia Saudita à decapitação e à crucificação pelo rapto e sequestro de cinco crianças, informou nesta terça-feira o jornal saudita Okaz. Entre suas vítimas está uma criança de 3 anos, encontrada morta no deserto de Hael, no sudoeste da Arábia Saudita, onde o acusado a havia deixado após tê-la violentado, acrescentou o jornal. (Site Terra em 03/11/09)

A diferença de lá pra cá é que aqui, a título de recuperação e reinserção do criminoso, o bandido pode passar uns poucos anos na cadeia se for bagrinho, ou não tiver bom advogado, ou ser figura carimbada e massificada para a opinião pública. Com todos os direitos de progressão de pena, visitas íntimas e, de quebra, comandar sua quadrilha por telefone.
Enquanto isso, a polícia do Rio insiste em garantir as imissões de posse no loteamento do tráfico. Favelas são ocupadas não exatamente para proteger a população decente que lá ainda se esconde, mas os negócios do detentor das bocas de fumo do local. Tanto isso é verdade que, não fossem as freqüentes e repetidas investidas de uma quadrilha contra a outra, numa guerra de ocupação de clientes e territórios, a polícia permaneceria em sua ingrata missão de policiar, de bermudas, o banho de mar do andar de cima.
Volto a insistir: a "guerra" contra o tráfico está perdida. Ou a sociedade conscientiza-se, dá esta por perdida e declara nova guerra, com novas armas, novos meios e novos procedimentos, ou continuará fingindo e fazendo de conta que combate.
Está certa a Arábia. O Código Penal tem que ter como fundamento inflingir o medo ao criminoso potencial, não a premissa de que cadeia recupera os valores de alguém.