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terça-feira, dezembro 22, 2009

Salário Mínimo

Não quero serão espírito de porco, mas tem alguma coisa que não fecha no no novo salário mínimo anunciado. No parâmetro dólar, bate nos 300, o que supera em 50% a promessa eleitoral. Isso não quer dizer nada, tanto pela supervalorização do Real como pela descida ladeira abaixo do dólar.
Em termos de poder aquisitivo no mercado interno, há uma evolução, sem dúvida. Porém,o reajuste na ordem de 9,7% confronta-se com o da aposentadoria do setor privado, no patamar de 6,5%.
Afinal, quem será beneficiado com esse aumento?
Aposentados, em primeiro lugar. A maioria ganha um salário mínimo de pensão. Isso aumentará o tão falado déficit da previdência, principalmente em razão da sua utilização como provedor oficial de pensões que não tiveram o competente recolhimento para o fundo autuarial. Não serão beneficiados os que contribuíram em base maior de 1 salário mínimo, cujas pensões tendem a nivelar-se ao mínimo ao longo do tempo, mesmo considerando o maldito fator previdenciário. Questão de aritmética.
Além disso, sofrem esses aposentados um esbulho, dado que sua contribuição baseou-se em salários mínimos, porém, da hora de receber, desvincula-se.
O aumento, dizem e eu acredito, injetará cerca de R$ 26 bi na economia. No entanto, causará déficit em estados e municípios com grande massa de servidores nessa faixa salarial. O custeio dessa benemerência sairá, como sempre, de nossos bolsos, com aumentos expressivos de IPTU, IPVA etc etc.
Outro efeito colateral é o aumento do custo no campo, fortemente contratante de mão de obra safrista. Embora vedação legal, o costume é indexação ao salário mínimo. Mais uma vez esse aumento será repassado a quem? A mim, a ti, a todos nós. Isso impacta diretamente na produtividade, considerando-a na definição clássica da relação entre a variação do valor dos produtos pela variação dos custos em determinado tempo.
Implementada essa política até 2023, como está posto, há uma tendência no nivelamento da renda em 1 salário mínimo e uma redução da amplitude da massa salarial. O que parece uma ação politicamente correta, à primeira vista, pode ser um tiro no pé. Isso em razão da redução das desigualdades caminhar muito mais velozmente de sentido de cima para baixo do que de baixo pra cima. Não é à toa a intensa procura pelas carreiras públicas. Ser funcionário público é a única forma de furtar-se aos efeitos dessa política demagógica. É o único setor que não sofre pelas mirabolantes idéias demagógicas.
Pra variar, tende-se a nivelar por baixo.