FregaBlog

quinta-feira, fevereiro 24, 2011



Em 20 de fevereiro, cerca de 100 pessoas se manifestaram em Pequim, Xangai, Cantão e Hong Kong, respondendo a uma convocação de protestos em 13 cidades chinesas pela internet para exigir mais postos de trabalho, moradia e justiça. O movimento foi denominando "Molihua Gemin" ("Revolução do Jasmim", assim como os protestos ocorridos na Tunísia).
As manifestações foram respondidas com uma forte presença policial e acabaram sendo um relativo fracasso, mas apareceram novas convocações na internet para os próximos domingos nos mesmos lugares do dia 20. O objetivo é reivindicar que o regime ponha fim à corrupção, dê ao povo o poder de supervisioná-lo, melhore a liberdade de imprensa e garanta a independência da Justiça.

O site americano LinkedIn, rede social profissional na internet, anunciou nesta sexta-feira que está bloqueado na China, depois de ter sido o vetor de uma campanha pró-democracia virtual inspirada na "revolução do jasmim" da Tunísia.

"Confirmamos que o acesso ao LinkedIn está bloqueado para algumas pessoas na China. Isto parece ser parte de uma operação (de censura) mais ampla atualmente em curso na China e que afeta outros sites", afirmou à AFP Hani Durzy, porta-voz da empresa.

Uma convocação feita pela internet, inspirada nos movimentos de protesto no mundo ára

China: ideia de "Revolução do Jasmim" é "ridícula", diz porta-voz
24 de fevereiro de 2011 • 01h46 • atualizado às 01h58
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A ideia de uma "Revolução do Jasmim" acontecer na China, alimentada pelas recentes convocações de protestos em cidades do país asiático, é "ridícula e nada realista", destacou um porta-voz do governo chinês citado nesta quinta-feira pela agência oficial Xinhua.
De acordo com Zhao Qizheng, porta-voz da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (principal órgão assessor estatal), os problemas denunciados pelos manifestantes, como corrupção e desigualdade, "são assuntos aos quais o governo não está alheio". "Muitos desses problemas estão sendo solucionados, está progredindo", ressaltou Zhao aos jornalistas.

Causou polêmica o fato de o embaixador americano na China, Jon Huntsman, ter sido visto nos protestos do último domingo, em imagens divulgadas através de um vídeo postado na internet na terça-feira.
A embaixada americana em Pequim assinalou nesta quinta-feira que Huntsman e sua família se encontravam no local, por coincidência, após uma visita turística à Praça da Paz Celestial

Palanque Mínimo

A instituição do salário mínimo há quase 80 anos supriu uma lacuna na transição entre o capitalismo selvagem do séc XIX, quase medieval, para os conceitos mais humanizados do séc XX. Representou importante avanço.
Sofreu algumas modificações ao longo do tempo. Regionalização, unificação, extensão aos trabalhadores rurais, aplicação a menores etc. Em comum, sua utilização conjuntural pelos governos, com viéses mais ou menos populistas. E para palanques demagógicos.
Neste ano, não deu outra. Presenciamos mais um espetáculo do circo que, vez ou outra, arma as lonas no Congresso.
Para agravar, os polianas de 88, assumidos representantes da visão do Estado tutor, resolveram inserir na Constituição a obrigatoriedade de ser definido anualmente em lei. Foi perpetuado, assim, o palanque para a mais horrorosa demagogia cínica anual. É o momento ansiado por oposições para se fazerem bonzinhos e defensores dos humildes; é ocasião propícia para o mais deslavado fisiologismo. É o momento em que o voto vale muito...
Ainda no governo Lula, foi negociada a adoção de uma política de médio prazo vinculada ao crescimento da economia, reposição da inflação e ganho real programado.
Há dúvidas quanto à sustentabilidade dessa política em prazos mais longos, porém é inquestionável o avanço pela previsibilidade da evolução dos valores.
E o melhor, reduziu o espaço de palanque cínico.
Dilma apresentou o PL na obediência aos parâmetros anteriormente negociados, sob os protestos de centrais sindicais e de uma oposição sem rumo nem discurso. Não posou de boazinha, cumpriu o combinado. E, de tudo mais importante, incluiu no PL as regras anteriormente combinadas, o que elimina a confusão anual. Teoricamente, tudo perfeito.
Na prática, a demagogia irá se valer das eternas firulas jurídicas para assegurar o espetáculo. O circo tem que continuar. Ridi pagliaccio.
A Constituição determina que o valor do SM será definido anualmente em lei. Olha a firula. Isso, ortodoxamente, impediria que decorresse de uma lei de formação, ainda que seja tal regra definida em lei. Essa Constituição de 88 é mesmo uma gracinha, digna do Estado-tutor que nos tornamos.
Vai dar pano pra manga. À oposição e bancada fisiologista interessam a interpretação rígida. Aos outros, a fixação de parâmetros previsíveis, tanto para os trabalhadores como para os empregadores, nestes o próprio governo.
O STF será provocado para se manifestar sobre a constitucionalidade. Tomara que interpretem com o bom-senso exigido, considerando que o valor futuro a ser apurado estará conforme definição em lei, portanto, atendido o preceito constitucional. Substitui-se o palanque do mínimo pelo palanque mínimo.
Além do que, independente de valores, salário mínimo será sempre uma figura controversa.
Pouco para quem recebe, muito para quem paga.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Fogueiras Petrolíferas

Ontem o Conselho de Segurança da ONU deu sinais de inquietação com o caos no cinturão petrolífero. De fato, as ocorrências na Líbia de Kadafi são assustadoras. Vamos aguardar para ver os desdobramentos, que podem validar ou não a hipótese de participação chinesa.
Eu continuo descrente de que essas revoltas no mundo árabe estejam associadas a valores muito importantes na cultura ocidental, porém não tão presentes naquela região. Sem enveredar por uma teoria conspiratória, sempre burra, certo é que algum grupo está manejando os cordéis e conduzindo a massa.
Ocorreu-me que poderiam ser grupos fundamentalistas, situação em que os interesses não seriam os econômicos, mas os ideológicos, religião entre eles. Porém, a aparente trégua no Egito não configura essa hipótese.
O fato nossas reservas de petróleo, provavelmente, compõem-se no cenário alternativo das potências ocidentais, como contingência ao agravamento da situação. Em especial na medida em que essa subversão da ordem estabelecida comprometa ainda mais a expectativa de recuperação econômica americana e européia.
Torçamos, pois, para que nosso pré-sal não vire um pós-sal.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

O Império Contra-Ataca?

O rastilho de agitação continua a se espalhar entre os países produtores de petróleo. Agora, a Líbia de Kadafi está em pé-de-guerra. Enquanto isso, as cotações do petróleo já mostram o nervosismo altista. Ainda não triscaram na tirania saudita, uma dos mais radicais, embora nem se fale muito nisso.
O surpreendente é que na China também foi ensaiado um agito popular, reprimido pelas forças de segurança.
Interessante o movimento. Segundo o noticiário, havia ONGs de direitos humanos participando. Terá sido um contra-ataque às ações na África e Oriente Médio? Se for, estamos no limiar de nova Guerra Fria, com os serviços de inteligência desdobrando-se no fomento de ações subterrâneas entre potências.
Além disso, dominando a China o círculo do petróleo, restam algumas reservas importantes no mundo ocidental, que serão disputadas implacavelmente.
As nos Estados Unidos e Canadá, ninguém tasca, que ninguém é louco. As na Rússia e arredores, ex-satélites, também. Restam as no México, Venezuela e Brasil.
As do México, pelo vizinho poderoso, todo mundo respeita. Lá, a China não tasca.
Não é o caso das venezuelanas e brasileiras, esta, entre elas, a mais vulnerável.
Vulnerável politicamente. Localizando-se o pré-sal no limiar da plataforma continental possibilita contestações políticas quanto a sua exploração exclusiva. Por outro lado, sua invasão não implica em invasões territoriais e ocupação de territórios terrestres. Basta o time de um porta-aviões.
Nosso pré-sal é absolutamente vulnerável e só pode ser considerado brasileiro pelo consenso de nações ou pelo poderio bélico. Se o mundo ocidental necessitar de petróleo, consenso não haverá.
O Brasil, hoje, pode ser espoliado da maneira que quiserem. Efetivamente, não temos dentes para mostrar nem oferecemos qualquer ameaça de represália que possa fazê-los avaliar a relação custo-benefício, único argumento capaz de assegurar uma negociação.
Queiramos ou não ser politicamente corretos, sem que tenhamos poder nuclear não estamos seguros. Este é o único argumento capaz de mantermos a plataforma continental e o pré-sal como riqueza nacional.
Nossa Constituição veda esse argumento, pusemos rédeas a nós mesmos. Ou induziram que o fizéssemos, sei lá.
O certo é que tudo isso merece profunda reflexão. Riqueza, quando impossível defender, torna-se ameaça. A grande regra da geopolítica foi, é e continuará sendo que, farinha pouca, meu pirão primeiro.
E o canhão ainda é a ultima ratio regis.


sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Revolução Chinesa

Não acredito em movimentos populares espontâneos e duradouros. Ou são espontâneos, ou duradouros.
Movimentos populares existem, podem até gerar o caos, promover revoluções, mas são imediatistas e efêmeros. No entanto, são condição necessária a grandes transformações. No fundo, reduzem-se a massa de manobra dos efetivos promotores de mudanças.
Estamos assistindo uma profunda movimentação no mundo árabe. Que eles estejam descontentes com os títeres que os governam, entende-se. Tiranos que, a mais das vezes, são mantidos, sustentados e apoiados e pelo chamado mundo livre.
A tirania faz parte da cultura do mundo árabe, muito menos homogêneo do que se imagina e propala, mas em tudo compatível com a opressão.
Diversos instrumentos são utilizados pelas elites governantes para estabilizar os estratos sociais. A religião, ou suas diversas correntes, entre eles.
Porém, continuo cético. Esses movimentos não são espontâneos. É ingenuidade pensar que a população anseie pela implantação de valores ocidentais tipo democracia, que idealizamos e não praticamos. Isso não faz parte de sua milenar cultura.
Então, quem está fomentando esses movimentos? A quem poderia interessar a desestabiliação do status quo planetário?
Em princípio, não às potências ocidentais, que usufruem de suas riquezas, nem a Israel, a elas associado e por elas utilizado como contraponto na região.
Ao mundo em desenvolvimento, muito menos.
De todos, penso na China. Hoje segunda potência econômica e, me arrisco a dizer, primeira potência militar do planeta, vista esta como poder nacional.
À China, para consolidar sua hegemonia, falta dominar o ciclo produtor do petróleo. Em todos os outros segmentos econômicos, é ator determinante. Cheques sucessivos vêm sendo dados, este é o cheque-mate.
Resta ver como será a reação ocidental, capitaneada pelos Estados Unidos, única potência ainda capaz de garantir o modelo geopolítico atual.
A política externa americana sempre se fundamentou na prepotência, no pragmatismo de seus interesses e na ameaça de retaliações, inclusive armadas. Mas sempre travestidas de ações politicamente corretas. Violam direitos com o pretexto de que direitos sejam respeitados. Diferentemente da China, em que a visibilidade para política externa, em tudo semelhante à americana, era a exportação do modelo comunista, com a visão de Stalin.
O comunismo chinês foi revisto, os tempos de Mao acabaram. Quais são os tempos atuais, ninguém o sabe completamente. O fato é que as revoltas nos países árabes interessam diretamente a eles, na mesma intensidade que lhes interessa dobrar os joelhos ocidentais pelo domínio do petróleo.
A China é hoje o maior credor individual dos Estados Unidos. Ao longo do tempo, financiou-lhe a gastança para que fosse aplicada em guerras e ingerências. Incentivou a seqüência de invasões de países, assegurando seu financiamento. Com agressividade comercial, liquidou sua capacidade industrial e chega a comprometer-lhe a tecnológica. Enquanto o ocidente desgastava-se econômica e politicamente, a China assistiu de camarote a derrocada ocidental.
Os chineses, compostos por civilizações de 5 mil anos, sabem que o tempo, a paciência a e fixação em objetivos são a chave de tudo. Pouco se importam com o sacrifício de gerações, para eles, isso é pouco preço. Da mesma forma como pouco lhes interessam outros valores, para nós básicos, como o respeito à pessoa, ao ambiente, às individualidades e diversidades, aos núcleos familiares, à liberdade em suas mais diversas nuances.
A eles pode interessar a convulsão árabe. A mais ninguém me ocorre.
Nem aos próprios árabes.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Ataque de Pelancas

"Pela ordem, senhor presidente. Senhora presidenta da República".

Nesses termos, o presidente do Senado foi aparteado pela senadora Marta, após mencionar "presidente", a referir-se à Dilma.

Sarney, formado no fairplay do contraditório e pós-graduado na ignorância de impertinências, sem se abalar nem tremer os bigodes, pura e simplesmente agradeceu e informou à Marta que ambas as expressões estão corretas gramaticalmente. Político esse Sarney, arranhou a língua para não formular uma ode à burrice, até pertinente nesse caso. De quebra, explicou-lhe a origem de sua construção gramatical.

De fato, alguns filólogos admitem presidenta como feminino de presidente. É um neologismo. Outros, mais ortodoxos, não admitem essa flexão, por se tratar de substantivo terminado em "ente", particípio ativo. Como regra nesse caso, comum de dois.

Esses ataques de feduncas em nada enobrecem, ou enobrecerão, a atuação parlamentar da senadora. Decididamente, ela não precisa aparecer com essas colocações. Espera-se que seu conteúdo vá muito além e seu senso crítico não se limite ao populismo barato, ainda que feminista.

A senadora que se dê o valor e trabalhe. Diga a que veio. Pare com isso. Cuide de coisas mais importantes e, em suas folgas, reveja os livros de gramática de seu tempo de ginásio. Não custa. Antes que tenha outro ataque e exija ser chamada "viça-presidenta" do Senado.

E que aprenda. Quem é picado pela mosca azul, pode ser ferido por marimbondos de fogo.

Lobos, Pulgas e Raposas

Foi noticiado pelo Terra que a presidente - sorry, mas substantivo terminado em "ente" é comum de dois, conforme me dizia a D. Jurema - a presidente, insatisfeita com a amplitude das informações sobre o apagão, convocou reunião com o setor elétrico e o Min Lobão. Que entre o Lobão, mas que as raposas que fizeram do setor elétrico sua toca e habitat fiquem de fora.
Na realidade, agrada muito o estilo da presidente de pegar o boi pelos chifres, já que outros representantes da fauna foram citados.
Dilma não quer deixar barato, chega de lero-lero. Quais são os reais fatos e como evitar que se repitam, sem obliterar a realidade com explicações protocolares e burocráticas.
Não é crível que todo o complexo sistema integrador da energia nacional subordine-se a um transistor ou um capacitor, sei lá. Alguma coisa está cheirando mal, além do bodum de fio queimado. Arrumem explicações e soluções que a convençam.
De minha parte, aplaudo a iniciativa. Mas fico com a pulga (também da fauna) atrás da orelha.
Será coincidência que uma inexistente falha num disjuntor teria gerado um sinal também falso, comandando o desligamento da estação? E que isso teria encadeado uma seqüência de comandos de desligamentos sucessivos e catastróficos, justamente quando a presidente havia batido o martelo e desligado a influência do Dep Eduardo Cunha no setor elétrico?
Teria havido um curto-circuito entre o pantagruélico fisiologismo e a política desejada pela presidente, gerando um sinal de desligamento real? Houve alguma alteração recente nos softwares de comando do sistema? Haveria, enfim, alguma relação entre os fatos e o apagão?
Dilma, se as tivesse, estaria com as barbas de molho. Barbas estão curtindo a folga, descansando, mas essa reunião convocada sinaliza que ela está alerta e não nos surpreendamos que cabeças rolem. É bom que arrumem uma explicação inquestionável e convincente.
E que não subestimem nem a capacidade da nossa presidente nem a intuição feminina.
Principalmente esta.


segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Não Admira


Pra acabar com o bloqueio político, a senadora belga Marleen Temmermann (foto da internet) lança a idéia: mulheres, bloqueiem as respectivas.

Greve de sexo, dramas à parte, já foi dramatizada até por Aristófanes, que dizem não era muito chegado na coisa.

Moderna Lisistrata, aquela que resolveu as pendengas entre Atenas e Esparta fechando o potinho coletivamente e deixando gregos escalando paredes e chupando o dedo, ainda que o próprio, quer agora resolver o impasse político em seu país com a mesma estratégia. Negaceando as ditas-cujas.

Em tempos de mercado comum, quem sabe os belgas no desespero atravessam fronteiras e visitam Amsterdam e suas luzes vermelhas. Quem sabe, salvo se buscarem inspiração recordando a fachada da proponente. Um trubufu irremediável, neutralizadora de qualquer viagra. E olhem que a dita é ginecologista. Ninguém a pode acusar de manipulação das massas por interesses próprios. A não ser que pretenda consertá-las por falta de uso.

Ou então que esteja atrás de algum bêbado desesperado com a greve, que interprete o movimento como uma batalha pessoal.
Tão bêbado, a ponto de considerar que, sendo tempo de guerra, qualquer buraco é trincheira.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Ditadora?

Si, pero no mucho.
Dilma está nos brindando com uma condução interessante e rica, porque inusitada e diferente do que estávamos acostumados a ver.
Propalam aos quatro ventos a predisposição autocrática da presidente, alguns a qualificam de grosseira e mal-educada, de prepotente e ditadora por vocação. Sei lá, não tenho a honra de conhecê-la.
Acontece que Dilma, preservando-se dos conchavos eleitoreiros, não chegou a entortar a boca com o cachimbo. Conhece e sabe o jogo, mas o pratica no limite da ruptura.
O fato é que a politicagem rasteira que tomou o cenário político tal qual erva daninha está sofrendo um choque de postura.
Em alguns casos, até como forma de prevenir rupturas, está prestigiando figuras carimbadas, reconhecidamente competentes em articulações, mesmo à custa da ética. Outros, não menos articuladores, porém publicamente comprometidos com a mesma ética, estão sendo rifados, mesmo que esperneando e mandando recados desaforados.
Mas é fato também que está privilegiando indicações absolutamente insuspeitas (pelo menos até agora) e que esperamos todos que assim permaneçam.
A indicação de Fux para o STF é irrepreensível. Fux tem se mostrado um juiz exemplar e um profundo conhecedor do direito. Não tem vinculações partidárias nem compromissos com governos passados nem presente. Certamente, pela isenção, poderá contrariar interesses do próprio governante que o indicou, mas em defesa das instituições. Isso não se via desde a indicação de Gilmar por FHC.
Dilma foi atropelada na indicação para a presidência da Câmara. Mas guardou sua prerrogativa na indicação do líder do governo. Interessante, ao que se comenta, é que, tendo sido pressionada pela facção dentro do PT contrária à Vaccareza, teria encerrado a conversa bruscamente: "elejam-se presidente da república e adquiram o direito de indicar o líder do governo."
Dilma está tendo o grande mérito de ser ela o governo, não o PT. Este reduziu-se à verdadeira grandeza, como ser mais um partido na base governista.
É difícil para Dilma manter essa postura. Atravessará o governo perigosamente, sem valer-se, como default, dos mecanismos tradicionais de transação no Congresso. Sei lá se, passado uns dois anos, não lhe tentarão prespegar-lhe um impeachman.
Mas se não o fizerem, está pintando um governo excepcional, naquilo que se espera de um presidente da república.
Que gerencie bem o Brasil.