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quinta-feira, novembro 08, 2012

Obama

Também preferi a reeleição do Obama.
Pouco me importaria, não fosse a inevitável influência mundial dessa ainda potência. Em cascatas sutis, suas penadas têm capacidade de gerar furacões em meu quintal. E isso me importa.
A imbecilidade fascistóide travestida de patriotismo que faz parte do tecido conservador americano me assusta. Sua arrogância, seus conceitos de superioridade, sua insensibilidade, sua ignorância, seu fundamentalismo. Assusta-me acharem-se o umbigo do mundo.

Obama, por outro lado, é fruto do mesmo sistema.
Não se espere diferenças fundamentais nele. Não se projetaria politicamente se não pactuasse. Mas nele há uma diferença. É negro.
- E daí, viraste racista, alguém me perguntaria. E digo que não, absolutamente não.
Mas Obama já sentiu, no contexto daquela sociedade sectária, o sabor do preconceito. E isso marca. Em maior parte das vezes, na forma de recalques. Os mais selvagens guardas de campos de concentração nazistas eram judeus. Todos conhecemos a teoria dos porteiros, onde sua autoridade somente se manifesta quando diz não pode. Nem interessa o quê.
A intolerância desequilibrada de Joaquim Barbosa é outro exemplo. Incapaz de admitir opinião contrária à sua sem revidar como se ele mesmo estivesse sob julgamento, como uma ofensa pessoal.

Mas, nesse aspecto, parece-me Obama diferente. Não assimilou negativamente a negritude discriminada na sociedade americana. Tem algum compromisso social, não discrimina pelo saldo bancário, pela cor da pele, pela adesão religiosa, pela opção sexual.

Obama já é fruto de novos tempos. Sua perfeita utilização das redes sociais não o permite ser discriminatório e encapsulado. O grande efeito é o compartilhar, a queda dos pedestais de sustento de porta-vozes, a capacidade de potencializar o ouvir. Ouvir de anônimos, não de acólitos, o respeito a vozes anônimas, não de representantes delas.
Isso, a meu ver, é que faz a diferença num mundo que se compartilha na consciência.
Por isso torci para que a visão retrógrada não tivesse vez, mais uma vez, na Casa Branca.