FregaBlog

sábado, junho 28, 2014

Bolsa-Prostituta

Pois tenho que reconhecer. A Bolsa-Puta existe. Claro, não aquela em anedota que criou até uma senadora fictícia, autora do projeto e que, evidentemente, seria do PT. Afinal, quem criou o Bolsa Família?

Mas ela existe sim. Não é de hoje, mas até hoje perdura.
É a Bolsa que a sociedade paga a corruptos, fiscais que cobram por fora, advogados que passam pra trás seus clientes, médicos que fajutam pontos, professores que se valem de licenças que correspondem, em média, a 29 dias por mês de acordo com o governo de S.Paulo. Este, aliás, também beneficiário da mesma bolsa, a serem verídicas as denúncias de tremensalões e promiscuidade nos pedágios.
Não ficam fora desse conjunto os que, em razão de função pública que exercem, superfaturam contratos, beliscam toda boquinha que podem. Os que passam férias na Europa com dinheiro público, os que vão a carnavais usando aviões da FAB, os congressistas que se vendem, os que os compram.
Ganham também essa Bolsa os que tem os olhos fechados pelo tráfico, pelas pequenas propinas pra livrar uma multa de trânsito, pelos que se vendem por quase nada e ficam no lucro, porque nada valem.
Todos beneficiados da Bolsa-Prostituta. À nossa custa.

Há também a Bolsa-Filhos-Dela. Esses são os piores.
São os que roubam dinheiro suado para a educação e saúde.
Os que torcem para que tudo dê errado - ainda que beneficie segmento da população - por questões meramente político-partidárias. Por mera disputa de poder.
Os que distorcem fatos deliberadamente, como forma de depreciar adversários, ao invés de enaltecer-se com propostas, por absoluta ausência delas.
Há também, não se pode esquecer, os que vendem o medo. Os profetas do apocalipse, os arautos do terror. As pitonisas das invasões que sofremos dos cubanos, russos, americanos, paraguaios e javaneses. 
Os que apregoam a necessidade de enveredarmos por uma ditadura como solução a nossos muitos problemas. Não são diferentes dos que combinaram a intervenção da VII Frota em caso de insucesso da revolução que foi comemorada há poucos meses.
E o que falar então daqueles que são capazes de vender sua Pátria por uns trocados, esses Judas modernos escondidos em escrivaninhas ou terminais e capazes de gerar ondas ciclotímicas de otimismo e pessimismo, servos de um tal "mercado" que cria e encerra crises sempre de acordo com seus ganhos.

Porém, alvíssaras. Mesmo juntando todos os beneficiados dessas Bolsas, ainda são a expressiva minoria em nosso País. País que generosamente acolheu seus ancestrais. País que ainda é muito maior do que todos esses cânceres. País que espera, tranquilamente, que caiam na realidade. E que abram mão voluntariamente de ficar recebendo essas Bolsas pagas pela população que luta por sua própria sobrevivência.

domingo, junho 22, 2014

Simbolismo das Copas

Não morro de amores pelo futebol, sequer torço para times, talvez ressalvada uma simpatia de infância pelo Internacional no Rio Grande, por times gaúchos no Brasil e brasileiros no mundo.
Enquanto vivia-se uma euforia pela escolha do Brasil para sediar 2014, fui contra. Neste espaço mesmo há textos sobre isso, entendia que podíamos passar sem sediá-la, mas não vem ao caso. Fico à vontade, portanto.

Copa é uma guerra simbólica
A humanidade sempre combateu entre si. Famílias.com famílias, clãs contra clãs, tribos contra tribos e até deuses contra deuses. Trazemos a disputa em nosso DNA e é até possível que sejamos a espécie dominante por esse fato.
As seleções são exércitos desarmados. O esporte coletivo tem essa característica.


Ambas, Copas e guerras, são produzidas por entidades corruptas. FIFA e ONU, pouca diferença têm entre si em relação a seus objetivos. ONU e FIFA capitalizam seus eventos de acordo com os interesses econômicos. Ambas lucram com suas ações.
Copa custa caro, guerras também. Lucram-se com guerras e Copas num processo conhecido de transferência de poupanças, algo similar ao grande confisco promovido pela reforma do Marco alemão poucos anos após a IIGG. Ainda assim, sempre menos do que a promovida todos os minutos pelo sistema financeiro internacional. Com a diferença de não gerar miséria e fome por isso.
As guerras promovem destruição e desenvolvimento. E provocam mortes e a maior concentração de crueldades registradas pela história. Ponto para a Copa, que não destrói, e ainda que possa verter lágrimas de tristeza, estão longe da perda de filhos amados. As perdas são simbólicas, nada mais.
Guerras, quando ganhas, geram lucros fantásticos. Quando perdidas, a submissão de povos.
Copa pode custar economias, mas são investimentos que ficam.


Copas abrem o espaço necessário para a mobilização de grupos, alimentam o espírito de nacionalidade, satisfazem a necessidade ancestral da luta. Não sem razão definiu Nelson Rodrigues - o maior cronista da alma humana que já li - que a seleção é a pátria em chuteiras.
Ainda que não conquistemos o 1º lugar, já ganhamos essa Copa, porque vencemos os fantasmas que a mídia fomentou, desmontamos as mentiras de cunho eleitoral, desmascaramos os ditos "movimentos espontâneos" solertemente financiados para atingir nossa autoestima como povo.

Pois Copa é alegria, guerra é tristeza. Copa é confraternização, guerra é divisão.
Copa é disputa, guerra é morte e treva.


segunda-feira, junho 09, 2014

O Chute da Copa

Um jogo de futebol  só existe com chutes na bola. Uma Copa do Mundo, com 31 jogos, o que pressupõe milhares de chutes.
Muita gente tentou chutar a Copa. Não vai ter Copa, diziam uns. Aplaudiam outros, ambos por motivação eleitoral.
Mas esta Copa de 2014, ainda que surfando na onda de protestos mundiais, trará um chute importante, talvez o mais importante da história conhecida da humanidade. O chute de um paraplégico, que dará início às solenidades de abertura.

O projeto Andar de Novo, liderado pelo professor Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro, resulta no desenvolvimento de uma vestimenta robótica que permita a sustentação corporal e obedeça aos impulsos cerebrais de seu portador. É um projeto ambicioso e que representa, antes de tudo, o passo inicial de libertação de tantos, hoje aprisionados a cadeiras de rodas.
Pessoas com danos graves em sua medula espinhal e que perderam a capacidade de transmitir os comandos cerebrais para a execução pelas pernas de suas vontades. A interface cérebro-máquina desenvolvida é capaz de promover a decodificação da atividade cerebral e convertê-la em sinais digitais para ser processada pelo exoesqueleto. Trata-se de um robô-vestimenta com o atributo de, além de sustentar o corpo, executar os movimentos de acordo com os comandos neurais.
No dia 12, às 17 horas, um brasileiro paraplégico se levantará de sua cadeira de rodas, caminhará até a bola e dará o chute inicial na Arena Corinthians. Vai ser difícil segurar as lágrimas neste que é o primeiro passo da libertação.

Palmas para a ciência dedicada não à destruição e guerras, mas à humanidade.
Se de nada mais valesse a Copa, ela já estaria ganha e justificada.

.