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quarta-feira, outubro 15, 2014

Lady Gaga e o Príncipe do Nariz Escarlate

Lady Gaga vivia em um palácio às margens de um lindo lago, com  direito a jardins gramados, meia dúzia de emas, um telhado de vidro e um séquito de aproveitadores e puxa-sacos.
Entre todos, dava-se melhor com as emas, compreendiam-se melhor. Os gritos das emas eram entrecortados, tal e qual o palavreado da Lady Gaga.
Diziam uns que foram os cascudos pespegados em determinado porão numa rua chamada Tutóia. Dizem outros que foi nada disso, havia faltado energia no meio de uma sessão de choques e esse apagão gravou-lhe pra sempre.
Mas o fato é que sua dificuldade de expressão era evidente. Passava, assim, horas e horas de folga a conversar com as emas, em diálogo semi-cifrado e incompreensível.
A natureza é sábia, no entanto. Compensou-lhe a deficiente expressão pela capacidade de realizar. Talvez por não entenderem o que queria, Sacumé, quem quer faz, quem não quer, manda. Lady Gaga era um trator, daqueles com 4 esteiras e dois guindastes.

O Príncipe do Nariz Vermelho veio do reino central. Bom de bico, falador, malandro, ganhava todas na conversa. Ninguém até hoje explicou o porquê exatamente do nariz vermelho. Insistiam uns ser pela mania de botar o nariz onde não devia. Outros, que um mangangá, daquele tipo conhecido como cavalo do capeta, havia-lhe ferroado as ventas em definitivo. Mas parece que a teoria mais próxima seria trauma de tanto raspar o nariz nas areias do Leblon praticando surfe.
Bom de bico, o Príncipe ainda adolescente prestou relevantes serviços ao rei, seu pai, como assessor parlamentar. Muito deputado barrigudo e flácido deve ter sido iniciado na prancha pra se fazer de garotão e azarar ninfetas.
Assim a meritocracia, viva ela. Enquanto a Lady Gaga (talvez não tão gaga ainda) experimentava os efeitos da expansão elétrica no Brasil, o Príncipe navegava sobre as ondas verdes do Leblon prestando assessoria parlamentar.
Os dois a nossas custas, vejam só. O consumo de energia em um caso e o régio pagamento no outro eram cobertos pelo Tesouro Nacional, conhecido também como a Viúva.

Assim que possível, Lady Gaga (seria carma?) foi cuidar de outras energias. O Príncipe do Nariz Vermelho, de outras bocas, aquela de assessor parlamentar não dava mais. Rei morto, rei posto. Agora era sua vez. mas relutava em trocar as areias do Leblon pela poeira de Brasília.
Foi convencido a aceitar uma vaga de deputado com direito a trabalhar 3 dias por semana e surfar os outros 4. Pé lá e acolá, o pó de Brasília e a areia do Leblon mantiveram a trégua no estágio necessário.
Passos maiores seriam necessários, a vida de rei não é fácil. E agora ficava difícil conciliar. Teve que assumir seu trono no palácio longe do Leblon. Oh, ambição, quantos sacrifícios não se fazem em teu nome, filosofou e mandou ver.
Bom de bico, o Príncipe garimpou um primeiro ministro e o convenceu a trabalhar em seu lugar enquanto ele continuava com liberdade pra flanar nas ondas e receber os louros. E pauleira em quem denunciasse isso no reino das alterosas. Prendia e arrebentava.

Lady Gaga, falando pouco e resmungando muito, foi para um reino distante, próximo de uns castelhanos também com fala também enrolada. E como não tinha o que fazer, entrou de cabeça no trabalho e preservou o reino de um apagão promovido pelo Rei das Trevas, padrinho do Príncipe do Nariz Vermelho.
Há quem afirme que nem foi pra resolver o assunto, mas é que ela mantinha vivo o trauma de apagões. Uma questão pessoal.
Seja qual o motivo, a realidade é que ela foi cuidar do assunto para o Rei Garganta de Areia. E se deu bem, entendiam-se perfeitamente. Um lado entrecortava sílabas, o outro as pegava e passava no esmeril.

Com a abdicação pelo Garganta de Areia em favor da Gaga, o Nariz Vermelho magoou. Eu também quero, padrinho, queixava-se.
- Assim não não, assim não pode ser, reclamava o Rei das Trevas, tirem esse menino daqui. Nada feito, o Nariz Vermelho, antológico e reconhecido bico-doce, já havia conquistado as governantas.

Pois bem, ontem encontraram-se frente a frente Lady Gaga e Nariz Vermelho. Trombaram, bateram, grunhiram, prometeram, Trocaram chutes e caneladas acima e abaixo da linha da cintura.
Sem solução porém, são diferentes, suas habilidades são antes complementares do que antagônicas. Um fala e não faz, outra faz e não fala.
Bom se arrumassem uma cria, mas também seria perigoso. Vai que o piá saísse sem fazer e sem falar, né. Quase uma duende da floresta, o pior dos mundos.
Melhor deixar como está. Eles que briguem entre si.