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quinta-feira, dezembro 24, 2015

Feliz Natal

Véspera de Natal neste ocaso de 2015. Tempo em que, tradicionalmente, afloram os sentimentos mais elevados. E que bonito fica, ainda que contraditório.
Até os corações mais empedernidos abem-se à solidariedade. Resgatam-se as insensibilidades com o próximo ofertando uma cesta básica a um necessitado. Ainda que tenha sido desprezado durante os 355 dias anteriores. Ou redimem-se os desprezos dedicados àquela criança ranhenta e suja, exploradora da sociedade por receber um Bolsa Família, mas que agora desperta a singeleza da infância e se lhe dá um carrinho ou boneca.
São tempos ímpares esses de amor.

Nem sei se temos muito o que comemorar, pois vivemos tempos em que divergências se convertem em ódios. Ao observador mais atento fica claro tratarem-se de ódios induzidos, provocados. Que se tornam reais.
Muito poucos gostam do momento atual e pelos motivos mais diversos. Mas mesmo assim, esse ponto comum não está a provocar a união no desagrado, antes a provocação, o desrespeito, a ofensa, a agressão, o patrulhamento, a acusação inferente e mentirosa. O joga bosta na Geni, amplo, geral e irrestrito.
Tempos ímpares de dedos apontados.

Políticos somos todos, vivemos em comunidade. Só não se afina ideologicamente com uma corrente de pensamento os poucos que não têm idéias. ou jactam~se em não tê-las.
Mas vivemos tempos bicudos, sectários, polarizados.
Tempos de monopólio de verdades, de que desprezível é quem pensa diferente. Pior do que desprezível, um inimigo pessoal. Como se a diversidade não fosse um dom, mas um mal.
Política se faz com a diversidade, com a divergência inteligente, proativa. Quem imagina fazer política com ódio, constrói são guerras. E estas, ainda que se saiba como começam,são imprevisíveis como terminam. Só uma certeza, com dores insuperáveis e perdas de todos.
Caminhamos para uma a passos largos, se não retornarmos minimamente à racionalidade.

Não está sendo um Natal de amor, porém da tensão que prenuncia a borrasca. Mas ainda é tempo de evitá-la.
E este é meu voto de Natal a todos meus amigos e inimigos, virtuais ou reais. Que o intervalo de tolerância, de fraternidade e gentileza propiciado pelo Natal se estenda pelos tempos futuros, que não se encerre amanhã. Que a constatação de que não há perfeição nas condutas, que não existem verdades absolutas, tornem-se certezas nos valores pessoais. E que o amor, em suas diversas faces, da tolerância, generosidade, perdão, solidariedade, tenham primazia em nossas vidas.
Em suas vidas. Na vida de todos, pois dependem exclusivamente de cada um, são posturas internas.
E assim, que tenhamos todos um Natal feliz, tão feliz quanto o consigamos e o tornemos possível.