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sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Terras Chinesas

Desculpem-me os conservadores, as viúvas da TFP, os acólitos do laissez passer, laissez- faire, os crédulos na existência de livre concorrência realmente livre. Terra não tem dono, é bem comum. Tem é permissionários.
É um insumo de produção, mas também um habitat. Não há setor mais comprometido com a sociedade, dela não se pode faze o que quiser. É bem finito, pararam de produzir faz tempo. A terra é da sociedade e deve ser explorada com o objetivo maior do bem comum.
Por que isso? 
Bem, pelo movimento crescente de internacionalização de nossas terras férteis. Os chineses, em sua gigantesca área, possuem somente 11% delas agricultáveis, o que os torna o principal importadores de alimentos para alimentar a sua também gigantesca população.
Aí, eles que podem ter olhos fechados, mas enxergam longe e que de bobos nada têm, estão comprando terras para produção de alimentos aqui no Brasil. E a gente, bobos antológicos, libertários e bonzinhos, cheios de não-me-toques e trololós, evita regulamentar esse assunto até que se torne um problemão.

O que acontece é que a agricultura industrial desdobra-se em vários efeitos benéficos à sociedade. A produção de alimentos supre nossas mesas, sua industrialização gera empregos, o cultivo coloca encomendas às indústrias de máquinas, químicas, biotecnológicas. Seu excedente exportado tem segurado a onda de nossa economia e nossas reservas, Tem sido nosso escudo. 
O ICMS e, sobre os lucros obtidos que não têm sido pequenos em volume, a tributação pelo Imposto de renda.
E o quê os chineses tem a ver com isso? Simples. Compram as terras. A partir daí, têm toda a liberdade para:
- importarem sua maquinaria, com pouca geração de encomendas no mercado interno. Por ser uma economia semiestatizada, “compram” deles mesmos e registram em preços subfaturados, propiciando economia no IPI e Imposto de Importação.
- trazerem seus gestores e até mão-de-obra semiescrava, não gerando empregos locais.
- destinarem toda sua produção para a China, com preços subfaturados. Só isso implica efeitos danosos, tais como a apuração de prejuízos locais que os isenta de Imposto de Renda, a redução do ingresso de divisas e do mercado exportador pelos produtores nacionais.


Livre concorrência e globalização. Conversa mole pra enganar trouxas e não nos beneficiarmos de nossa própria natureza. 
É urgente que a posse de terras nacionais seja regulamentada no interesse de nossa sociedade. Que depende fundamentalmente dela.